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Experienciando a Tempestade

Cap.3: Catarse

Artigo escrito por Graça Carunchinha
20:50 Sábado, 13 de Março de 2010
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Obrigaram-me a cheirá-lo. O perfume verde-claro, que poderia ser de água, se fosse límpido e gracioso, tresanda a doença, a velhice e a acidez. O seu odor é tão intenso que o respirei com dificuldade, fazendo aproximações curtas, repetidas três vezes, salvo erro.

Não sei bem como explicar, mas se fosse menos presente, talvez pudesse ser mais agradável, como o cheiro a rapé, que o meu avô do Tanque (o pai do meu pai) usava, e que eu observava curiosa, em criança.

Eu gostava desse cheiro. Tenho saudades de senti-lo. Lembra-me coisas ternas e uma infância querida. É o cheiro do meu avô, que recordo de fato escuro, de semblante absorto e que, por vezes, se iluminava para mim, chamando-me "bichana", puxando-me (mais do que acariciando) os cabelos compridos.

Tenho saudades do meu avô, gostava de tê-lo conhecido melhor. Tenho saudades do meu avô (o pai da minha mãe), gostava de tê-lo conhecido melhor. Tenho saudades da minha avó, a Candinha do Tanque (a mãe do meu pai), frágil, pequena, mas sempre cheia de amor pelos netos. Tenho saudades da minha avó (a mãe da minha mãe), que não cheguei a conhecer e de quem também gostaria de ter sensações odoríficas.

Tenho saudades do meu pai, de quem me sinto órfã, ainda e sempre.

Tenho saudades da minha tia querida (irmã benjamina da minha mãe), que eu tanto adorava, e que Deus retirou do mundo a meio da sua vida...

Sou órfã.
 
 
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