Há um número alarmante de pessoas para quem a sinceridade é um atributo notável. Tanto que anunciam a despropósito e sem puder a sua própria sinceridade, normalmente antes de uma observação desagradável. Funciona assim: "Eu sou sincero: essa camisa fica-lhe mal"
10:30 Domingo, 22 de Agosto de 2010
Partilhe este artigo:
Talvez o leitor já tenha reparado num flagelo que assola a sociedade portuguesa. É o flagelo da sinceridade. Há um número alarmante de pessoas para quem a sinceridade é um atributo estimável. Tanto que, ao que tenho testemunhado com cada vez maior frequência, anunciam a despropósito e sem pudor a sua própria sinceridade, normalmente antes de uma observação desagradável. Funciona assim: "Eu sou sincero: essa camisa fica-lhe mal." Como é evidente, o proprietário da camisa fica duplamente amesquinhado: não só está mal vestido como se encontra junto de uma pessoa sincera. Os nossos defeitos parecem ainda piores quando estamos na presença de alguém que é tão obviamente virtuoso. As pessoas com quem me dou sabem bem o que é carregar esse fardo.
É interessante reparar no modo como o autor deste tipo de frase é, em geral, atormentado pela sua própria nobreza de caráter. Outras pessoas teriam a desonestidade de elogiar aquela camisa, ou fariam um silêncio igualmente condenável. O sincero não pode, uma vez que é sincero. Não é desagradável, nem impertinente, nem descortês. É sincero. No fundo, o que está a dizer é: "Não há nada a fazer. Eu bem me esforço para não ser tão moralmente irrepreensível, mas não consigo. É a mais elevada dignidade que me obriga a dizer-te que tens mau gosto."
No entanto, tenho dificuldade em entender que ser sincero seja uma qualidade. Dizer o que se pensa não tem nada de admirável. Penso eu. É fácil (e todos sabemos que o caminho para a virtude é intrincado), revela sobranceria (que têm as minhas opiniões de tão especial para que eu me sinta no dever de as comunicar aos outros?), e é muitas vezes desagradável (os meus pensamentos são, na esmagadora maioria das vezes, de uma inconveniência assinalável). Creio, aliás, que a vida em sociedade se baseia precisamente na nossa maravilhosa capacidade de não revelar o que pensamos. Sim, eu acho que determinada senhora é gorda, mas não lho vou dizer sobretudo se ela mo perguntar. Claro que o odor corporal de certo indivíduo é desagradável, mas ninguém me convence que eu serei uma pessoa melhor se lhe disser: "Eu sou sincero: o senhor cheira a táxi."
O problema, creio, é que a nossa sociedade está erradamente convencida de que a autenticidade é um valor que se deve prezar. "Sê tu mesmo", ouvimos a toda a hora. "Tu deves ser igual a si próprio", dizem-nos também. São, como é óbvio, maus conselhos. Vamos tentar ser um pouco melhores que isso, digo eu. Só se eu fosse parvo é que seria igual a mim próprio. Trata-se de um caminho que não me levaria a lado nenhum. Por que razão devo ser eu mesmo se, com algum empenho, posso tentar ser uma pessoa decente? Não me choca que Shakespeare e Bach tenham passado pela vida a tentar ser eles mesmos, mas é melhor para o mundo que eu e, por exemplo, Charles Manson, tentemos ser diferentes de nós próprios.
Eu sou sincera: acho que a sinceridade, e sobretudo a HONESTIDADE (que não é sinónimo de sinceridade, mas tem pontos comuns), são qualidades raras nos dias que correm. Vivemos rodeados de mentiras, desde as inofensivas mentiras simpáticas até às mentiras de grande dimensão e importância nas nossas vidas. Vivemos, sobretudo, em grande ambiente de hipocrisia, em que quem não se consegue ajustar, é como se não tivesse bom senso. Claro que quando falo em sinceridade como uma virtude rara, não estou a elogiar as pessoas que dão sem hesitações a sua sincera opinião sobre questões irrelevantes, sem a mesma ter sido solicitada por ninguém, até porque é bem provável que muitas dessas pessoas, quando confrontadas com situações em que a verdade é o que mais interessa, mintam com quantos dentes têm na boca.
E sim, dar uma opinião sincera é fácil. É abrir a boca e dizer o que nos veio à cabeça, por vezes o difícil é não o fazer. Contar a verdade, principalmente se dura, é que é mais difícil. Depende, claro está, de cada um, há quem não tenha jeito para inventar histórias e tenha mais facilidade em dizer a verdade, por muito que ela chateie (o que é o meu caso), e quem tenha mais jeito para inventar qualquer coisa convincente e adiar (ou omitir eternamente) o que devia dizer, não somos todos iguais. Talvez por isso, devamos ser nós próprios, mas claro, com sentido de evolução, não nos limitando a agir exactamente da mesma forma toda a vida, ignorando que o aprendemos ao longo da mesma.
Bom, na verdade, alguns leitores parecem não ter percebido que o artigo não é sobre sinceridade ou falta dela: é sobre estupidez e o quanto abunda, geralmente mascarando-se de virtude.
Acho muito bem que toda a gente tenha a liberdade para vestir as camisas que quiser, fiquem bem ou mal (e quem somos nós para o dizer?) sem ter de levar com impertinentes sobranceiros pela frente. E quem diz camisas, diz outra coisa. Ataques arrogantes, presunçosos e desagradáveis à liberdade alheia não se devem mascarar de sinceridade ou de qualquer outra qualidade louvável.
No fundo, o artigo é sobre hipocrisia pura e dura.
Vivemos numa sociedade de tal forma viciada que as nossas caracteristicas e virtudes são constantemente postas em causa. Por muito sincera que queira ser, nem sempre é facil agirmos de acordo com o que acreditamos, principalmente quando nos preocupamos com o impacto que essa acção terá no(s) outro(s). Nesse sentido limito-me a avaliar as situações, tento ser tão sincera quanto possivel, para quem está disposto a ouvir e aceitar o que tenho para dizer, caso contrário nem gasto o meu latim. Tenho constatado é que as pessoas preferem viver na ignorância a ter que encarar a sinceridade de outrém.
Eu cá gosto de sinceridade, apesar de a nossa perspectiva encontrar-se em constante mutação, principalmente quando OUVIMOS o que os outros têm para nos dizer, sou sincera...não aprecio a mentira.
Eu se vir alguém com uma camisa que lhe fica mal,digo-o ...
Principalmente se for alguém que eu estime. Mudar de camisa é fácil e não me agrada que alguém que eu aprecio seja alvo de chacota por ter mau gosto.
Já a uma senhora gorda,seria incapaz de dizer que o é. Sei que a maioria das pessoas não é gorda por opção e lhes seria muito difícil deixar de o ser.
Em resumo,sinceridade sim,mas com conta peso e medida.
Não se deve dizer tudo o que se pensa,mas tão pouco se deve omitir tudo.
Sei q podes ter razão devdo a esta sociedd q temos
Olá Ricardo, tudo bem?
bem terminas-te do melhor modo e fizeste-me logo rir do modo como terminaste.
A sinceridade é uma boa virtude e qualidade até mesmo quando tu dizes q ele está mal vestido, sabes pq?
pq se fizeres pessoalmente e só com essa pessoa ao teu lado, é uma visão e essa pessoa pode mudar ou tu podes ajudá-la a mudar.
Agora se o fizeres perante outras pessoas, essa sinceridade junta-se também a uma atitude baixa e negativa e vista como : tu tens a puta da mania.
Há que saber é como agir e como dizer e em que altura, e não deixar de ser sincero.
Olha se eu tiver algum dia 1 empregado a mentir-me está sujeito a ser logo expulso e para depois eu não ser vista como desconfiada, que nem sou muito, mas se tiver que comprar 1 detector de mentiras, eu compro e faço-os passar por lá na boa, pq eu admiro a sinceridade e adoro-a, e prefiroi que as pessoas comigo o sejam sempre do que estarem com doces mentiras, e do que pensarem que a gracha é tudo, qd eu não a tolero e sei detectá-la e não a suporto.Llogo comigo, nunca pensem em tal coisa, q eu odeio essa falsidade nas pessoas.
Sei que algumas conseguiram hj ser professores num instituto, sem nunca terem feito 1 trabalho na licenciatura, nem a sua própria tese, mas terem-lhe feito isso e elessa pessoa dar gracha com jantares, almoços, e com alguns conhecimentos, e arranjar também trabalho a algumas delas que lhe fizeram todos os trabalhos e ele só os defendeu e leu, pois sabe defender os trabalhos sem os fazer. Mas
continuação e umas reflexões para1dissimulado,ahah
não me digas que é desse modo que se deve ser, porque eu se fosse assim sentia-me mal e nem me sentia bem no meu lugar.
Mas como as pessoas que são orgulhosas e egoístas conseguem sempre tudo com gracha e com mentiras e sem trabalho nenhum em trabalhos, e chegam aonde chegam, acredita ter amigos destes e ver isso, não me torna mais pobre por não estar no lugar deles, mas mais feliz, por saber que tudo que fiz, fi-lo com suor e sabia o que ali foi feito e aprendi imenso ao longo que os fiz, e adquiri um conhecimento muito maior do que essa pessoas e outras que estão em lugares sem nada saberem mas saberem defender e engraxar muito bem os seus superiores.
Por isso é que estudar na sua zona tem essas vantagens, e não estudar na sua zona pode trazer outras desvantagens, pq eles querem as pessoas locais a desenvolver as suas zonas, é questão para dizer, que tudo na vida é um jogo sujo, e hipócrita, mas é naquele que nós vivemos.
Deixo-te aqui algumas reflexões pr pensares nelas
"Três coisas precisam os homens: prudência no ânimo, silêncio na língua e vergonha na cara."
Sócrates
"Para saber falar é necessário saber calar-se."
Pitaco
"Se podemos ser doutores pela ciência alheia, também podemos ser sábios pela nossa sabedoria."
Montaigne
"As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, quando não as encontram, as criam."
Bernard Shaw
Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda;
não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.
Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na acção-reflexão.
Mas também te deixo esta que é aquela que tu descreves:
Descobri que a verdade mente e a mentira apenas esconde a verdade, não a aniquilando, nem destruindo. Que a mentira é uma bola de neve que rola desgovernada colhendo tudo o que lhe aparece à frente. A verdade não passa de um tapete escorregadio.
A mentira é um amante lascivo. A verdade um marido ocupado. A mentira é instantânea. A verdade é lenta e demorada. A mentira é um funcionário pontual. A verdade, um empregado absentista. A mentira pode ser inocente e doce. A verdade é dura e áspera. A mentira prende. A verdade afasta. Sempre achei que devia haver uma explicação lógica para a mentira.
É que ninguém gosta de doces amargos.
Esta é a sociedade que temos, e mesmo que a mentira tente ganhar, e ser mais engraçada, prefiro a verdade, porque com a verdade, eu mesmo assim consigo brincar com ela, e tornar as coisas numa boa comédia, se eu mesma quiser, porque basta seremos originais,e criativos, para vivermos sempre bem e sem enganos, e sem mentiras, como na sociedade existe.
Prefiro 1000vezes a verdade do que o silêncio, e a mentira, pois já vivi o mundo da mentira, da inveja e dos ciúmes, e com esse mundo conheci a sociedade, mas tive pessoas a pedirem-me perdão e directoras e profs, pq a verdade vem sempre ao de cima só é mais demorada, mas ela sp vem.
Eu gosto de mim, porque adoro ter sempre a verdade do meu lado e odeio mentir, mas sei como as pessoas são e hoje consigo ver quem mente e quem não mente com muita facilidade.
Acredito que queiras ir para político, pq eles são os que mais mentem e os que mais lixam, só não lixam quem vive na LIXA, e não compram quem vive na COMPRA( são todos nomes do Norte, vila real e arredores).
Diz-me lá que ao brincar com estes nomes e com outros ao usar a verdade e o conheciemnto, não consigo brincar se quiser?
Até te digo mais a venda da gaita, e a fábrica das gaitas nunca devia ser na zona das Caldas da Raínha, mas sim na VENDA DA GAITA, fazia mais sentido não achas, Ricardo?
Olha sem mentir, e usando nomes das terras pude brincar sem magoar e sem ferir e continua a dizer-te: sê tu mesmo, não queiras ser sempre dissimulado com todos, mas sê com os que te neganam também, é como eu digo às pessoas com quem eu lido, sejam o que os outros vos são e se eles só pensam em metir, nintam também do mesmo modo para não serem pisados nem viverem enganados.
Agora quem te diz a verdade, sê tu mesmo,vive a tua vida como gostas de viver sem enganos, mas expontâneamente e sê feliz e sê tu mesmo e não queiras ser outro.
Espero que concordes comigo, pq amentira e a corrupção vem sempre ao de cima, só que o poder é que tapa essa mentira, por isso aprende com o mundo e esta sociedade e sê feliz.
Eu escolhi os meus amigos sinceros para passar férias e tive 1s férias fantásticas pq fui eu msm em td.b
Há um número alarmante é de pessoas que pregam ser a sinceridade, para elas, um predicado importante. Quando o importante é pregarem essa mentira.
Imaginem que todos éramos sinceros, verdadeiros a todo o tempo! Os políticos, os padres, os papás, as namoradas, os maridos, os sorrisos, as lágrimas, apreensões, promessas... (chega).
— Isto que vou contar é mesmo verdadeiro! ‘é vulgar ouvir-se.
— Desde que tenha piada, interesse! Prefiro uma mentira criativa, interessante a uma verdade vazia! ‘é normalmente a minha resposta. Que me interessa a mim que uma história que em nada me prejudique seja verdadeira? Ao menos que divirta.
Ser sincero, e dizer a uma ‘gaja’, boa como o milho, que ela é um espanto, é vulgar, corriqueiro, atirar palavras ao vento debaixo de uma trovoada.
Aproximarmo-nos de uma feia, de mansinho, e ‘Que tens hoje? Que se passa contigo? Alguma coisa aconteceu, Não digas que não? A tua expressão não mente! Estás apaixonada?
— Eu? Porquê?
— Porquê? ‘mais um cadinho de dramatização mentirosa e ‘Nunca te vi assim linda!
Ou a um amigo ‘Conheces aquela gaja de algum lado?
— Qual?
— Aquela ali loira, Boazona! Finge que não te disse nada!
— Não, Não nunca a vi! ‘o tal cadinho mais de dramatização e.
— Ela não tira os olhos de ti desde que aqui chegámos!
Também um ‘A Luísa manda-te beijinhos! ‘é um tónico fantástico que bota um homem nos píncaros, e a seguir ele faz tudo por nós.
À velhinha doente ‘Claro que sim, Dona Rosa, Então com tanto que sofremos aqui na terra e não tínhamos uma compensação no céu? Não somos nenhuns bichos, Temos alma, Um Deus!... Era só o que faltava! ‘com isto a velhota vai direitinha para o céu, não custa nada.
Conheci mentirosos maravilhosos, só havia o contra de nunca podermos confiar neles. Mas e nos outros, Pode-se fiar?
Somos todos falsos porque somos sobretudo portugueses, olhados, aliás, por povos de proveniência e experiência mais tropicais como intrinsecamente invejosos e dissimulados na mesma proporção com que clamamos sinceridade e honesto opinar.
Há, porém, uma boa insinceridade que triunfou por cá e se exporta com sucesso. Teve, tem e terá sempre fortuna: o insinceridade poética explicada por Pessoa.
Arma imprescindível e ponto de apoio bem pessoano.
Ser HONESTO não é o mesmo que ser sincero e infelizmente isso é frequentemente confundido.
A sinceridade, geralmente, não está associada a ser-se ou não oportuno e ser-se sincero não implica ter valores fortes e fixos, não apela a príncipios (ser-se honesto sim), mas apenas a afastar os maxilares e deitar cá para fora aquilo que nos aparecer na mente (acção básica para qualquer primata).
Muitas pessoas crêm estar a cumprir um grande feito ao accionarem tal mecanismo petulante, facto que não é mais que um acto de vaidade, pois só lhes apetece exprimir o que lhes vai na alma (como se interessasse a maior parte das pessoas).
Ser honesto já implica sentido de oportunidade, sensatez e ponderação dos factos.
A Sinceridade é masturbação (que obviamente também é importante), mas é a Honestidade, o que cimenta uma relação.
Perguntaram-me: - Muito sinceramente, diz-me se este vestido me dica bem?
E eu sinceramente, mas não muito sinceramente, educadamente sem querer ofender a pessoa em questão, disse-lhe que a cor não a favorecia.
Meu Deus! Que reação!!!
Para quê sermos sinceros? Se a verdade dói tanto mesmo quando nos pedem: - Muito sinceramente diz-me...
Se és feliz com mentiras...para quê desiludir-te???
Mas eu vou teimar em responder a quem me perguntar apenas sinceramente!
Por experiência própria dizer a verdade ou ser sincero em determinadas alturas pode ser quase uma catástrofe, porque há pessoas que abominam a sinceridade e passam a ver essa pessoa como um mal noçivo ou uma espécie de extraterrestre. Eu quase desisti de ter uma atitude pura e sincera com as pessoas, pois salvo algumas excepções não é bem aceite. Mas a sinceriade com alguém que sentimos alguma afinidade ou amizade , acho que é o mais importante, pois ninguém se relaciona na amizade com falsidade e mentira. assim deixava de fazer sentido, uma amizade baseada em enganos e mentiras. Falando agora do dilema de viver em sociedade, o relacionamento com a pessoas que não nos são chegadas, para mim é um pouco dificil porque sinto e vejo que não consigo adaptar-me à hipocresia e jogos de interesse que movem a realidade de hoje. Perante tudo o que nos ensinam, o choque da verdade é muito forte e por vezes é difícil aceitar que tem de ser assim, não é isso que é crescer e ser equilibrado, a adaptação a algo que se abomina, mas no qual tem de se sobreviver! Porque tentar mudar o mundo não é coragem para todos!