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Entrevista

'Este Governo já vai ficar na História' (com vídeo)

"Não há pior forma de assistencialismo do que manter as pessoas muito tempo numa situação em que os seus poucos recursos são subsídios..." A entrevista com Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade e Segurança Social

Tiago Fernandes e Filipe Luís
10:39 Terça, 16 de Agosto de 2011
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Aos 37 anos, Pedro Mota Soares, titular da pasta da Solidariedade e Segurança Social, é, juntamente com a também centrista Assunção Cristas, o primeiro governante nascido após o 25 de Abril de 1974 a assumir uma pasta ministerial. Sobre o polémico Plano de Emergência Social (PES), que acaba de apresentar, recusa as acusações de "assistencialismo ", com a mesma energia com que pratica desporto: quando, aos 14 anos, foi campeão nacional de râguebi (era um pilar franzino mas duro) chegava aos treinos tarde, para não ter de correr no aquecimento. Mas hoje, o que mais lamenta é a falta de tempo para o jogging, em que se tornou viciado. Por culpa da influência do antigo deputado socialista Arons de Carvalho o mesmo que arrastou José Sócrates para o "atletismo popular"...

O que é que os portugueses podem esperar do Programa de Emergência Social (PES)?

Numa altura de crise económica a ideia é encontrar uma almofada social que permita às pessoas enfrentar estes tempos.

Sobretudo focando a ação nas muitas bolsas de pobreza muito resistentes que já duram há muitos anos.

Vai querer ser o polícia bom do Governo?

Não é isso. Mas mesmo em alturas de crise, é possível apostar na formação e qualificação das pessoas, no desenvolvimento social.

Um Programa com esta ambição partirá de um diagnóstico muito abrangente sobre a situação no terreno ou assentará mais numa lógica de caso a caso?

Já temos identificadas grandes áreas de atuação: uma será a das famílias, onde existem muitos casos de sobreendividamento.

Outra destina-se aos idosos, em que temos consumos de saúde altíssimos e rendimentos muito baixos. Há quase 1 milhão de pessoas em Portugal com pensões abaixo dos 246 euros mensais.

Não se colocam questões de segurança, por exemplo, na distribuição de medicamentos em final de prazo?

São fármacos em perfeitas condições de qualidade terapêutica, mas as normas legais atuais é que não permitem a sua distribuição. Temos de juntar à mesma mesa os responsáveis da Saúde, Segurança Social e da indústria para permitir distribuir estes medicamentos através de instituições sociais. As Misericórdias, IPSS e mutualidades são outro eixo fundamental com que trabalharemos muito diretamente pois já têm uma rede de resposta montada no terreno.

Tem uma ideia de quanto o Governo vai investir neste Programa?

Cerca de 400 milhões de euros, abrangendo 3 milhões de pessoas. Durará a legislatura, mas terá avaliações semestrais.

Podendo contar com a tal colaboração das instituições sociais, o investimento torna-se muito mais racionalizado e menos atreito ao desperdício. Poderemos aumentar o número de vagas em creches se dissermos que cada sala comporta mais crianças. Nos lares de idosos é possível simplificar regras e eliminar burocracias para acabar com situações absurdas. Conheço equipamentos que estão fechados porque, por cinco ou seis centímetros, não cumpriram o pé-direito estipulado.

Um dos pontos do Programa alvo de maior crítica é a distribuição de alimentos, roupas e medicamentos a pessoas carenciadas. Não há aqui o regresso de um modelo demasiado assistencialista?

Temos muitos casos identificados de famílias que não conseguem ter duas refeições por dia. E isto merece uma resposta primordial. Não há pior forma de assistencialismo do que manter as pessoas muito tempo na pobreza em que os seus poucos recursos são subsídios. Um dos nossos objetivos é estimular o trabalho ativo e apostar na Economia Social, que não se deslocaliza para o estrangeiro uma vez que lida com equipamentos sociais, dinamiza as economias locais e é uma oportunidade inclusiva para desempregados com mais de 45 anos ou deficientes, que têm muita dificuldade em afirmarem-se no mercado de trabalho.

Causou também polémica a proposta de obrigar os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) a prestarem trabalho...

A nossa aposta é na capacitação das pessoas para o mercado de trabalho. E isso é possível também em quem, estando em condições de trabalhar, receba prestações como o RSI. O mais importante para estes beneficiários é devolver-lhes autoestima e hábitos de trabalho. Abdicar dessa condição é manter as pessoas na pobreza. E isso sim é o pior de uma lógica assistencialista.

Vão ser reavaliadas as condições em que uma pessoa poderá aceder ao RSI?

O Rendimento Social é uma prestação de caráter transitório, algo que serve para fazer face a uma dificuldade na vida de uma pessoa e que serve de apoio para ela voltar ao mercado de trabalho. Se há alguém a recebê-la há mais de dez anos, há aqui alguma coisa que está errada. Assim como com quem não cumpre várias condições deste apoio que é a procura ativa de emprego ou pôr os filhos na escola.

A crítica a este subsídio tem sido um dos pilares políticos do CDS nos últimos anos. Com um seu dirigente agora como ministro do setor, muitos se perguntam se não vai haver agora um ajuste de contas com o RSI?

Gostava de lembrar que foi num anterior governo PSD/CDS que, pela ação do então ministro Bagão Félix, se mudou o nome de Rendimento Mínimo para Social de Inserção e a prestação continuou a existir. O essencial é separarmos o trigo do joio: distinguir as situações de fraude e de abuso das outras onde o apoio transitório e inclusivo faz sentido. O que não se justifica é esta prestação ter subido em anos de crescimento económico.

Ao referir o caráter transitório do RSI está a pensar atribuir um prazo máximo de duração do apoio?

Não digo isso, mas teremos de ser muito mais exigentes quando se verificarem sistemáticas renovações da atribuição desta prestação.

No Programa do Governo lê-se: "A redução das desigualdades sociais deve começar, por um lado, pelo combate à apropriação indevida da riqueza, à fraude e à evasão fiscal." Isto não é uma batalha vã enquanto houver offshores, incluindo em território nacional, que permitam que milhares de milhões de euros saiam de Portugal sem pagar impostos?

A resposta ao fim das offshores é global e veria com bons olhos que essa iniciativa partisse da União Europeia. E, obviamente, os paraísos fiscais são uma variável importante sempre que falamos em evasão ou fraude fiscal. Mas o facto de não conseguirmos acabar com isso com um simples estalar de dedos não significa que não façamos todos os esforços nas áreas onde é possível atuar de imediato para corrigir as injustiças e as irregularidades. Tem de haver uma justa e equitativa repartição dos sacrifícios e impõe-se uma ética social na austeridade.

O ministro da Economia anunciou há dias a criação de tarifas sociais em serviços como os transportes, eletricidade ou gás. Cada ministro terá a sua quota de medidas sociais para apresentar?

Um Governo reduzido pressupõe uma interligação e coordenação entre ministérios. Foi o que aconteceu: a criação dessas tarifas foi uma matéria tratada coordenadamente e é natural que tendo a ver com áreas da Economia, como seja a Energia, tenha sido o ministro respetivo a apresentá-las. Assim como o PES é um programa de todo o Governo e não deste ou aquele ministério.

Até que ponto a sustentabilidade da Segurança Social dependerá de facto da introdução de um plafonamento das pensões?

Há dez anos que se discute a introdução de limites quer nas contribuições feitas à Segurança Social quer no valor das prestações pagas. Qualquer pessoa que olhe até de forma desinteressada percebe que temos a médio prazo um problema de sustentabilidade do sistema. E a sua resolução no médio e longo prazo passará muito por esta discussão sobre a criação de tetos contributivos.

O limite contributivo poderá ser fixado entre os cinco e os sete salários mínimos?

É uma questão ainda a ser estudada, como é o sabermos a partir de que idade é que um trabalhador verá aplicadas a si as novas regras. É essencial ainda que esta reforma seja muito moderada, porque nunca poderemos esquecer a solidariedade intergeracional, na base do sistema de pensões. Mas também nos devemos perguntar se faz sentido que a SS pague um conjunto de pensões que já não tem a ver com essa solidariedade mas sim com a organização e gestão de poupanças a partir de um certo limite. Até pessoas fora da área ideológica do governo veem benefícios na introdução dos tetos. O Dr. Correia de Campos [ex--ministro da Saúde do governo de José Sócrates] chegou mesmo a propor um limite contributivo de três salários mínimos.

A sustentabilidade do sistema não se ressente se os rendimentos mais altos não entrarem?

Temos aqui um problema de mudança de sistema e temos de conseguir financiar essa mudança. Mas as pessoas devem ter a liberdade de descontar ou para o Estado, ou para sistemas mutualistas ou mesmo privados. Para garantir o funcionamento do sistema público, temos de libertar o próprio sistema público. Garantir a parte solidária, até um certo limite. E garantir que, a partir de um certo limite, as pessoas podem escolher. O sistema não tem de ser exclusivamente público.

A idade de reforma pode aumentar para os 67 anos, por exemplo?

Isso não está em cima da mesa, neste momento.

Como responsável pela Segurança Social, não o assusta a descida da Taxa Social Única (TSU)?

Assusta-me muito ter um desemprego tão elevado, porque há menos contribuições a entrar e mais prestações a pagar...

Tudo o que incentivar o crescimento económico é positivo, do ponto de vista da Segurança Social. Mas, como sabe, terá de haver uma alternativa à TSU.

O PES prevê a contribuição social das empresas. As empresas, que mal podem pagar salários, vão ter dinheiro para isso?

Eu sei que a VISÃO é muito sensível ao tema do desenvolvimento sustentável. Ora, um dos pilares desse desenvolvimento é a responsabilidade social. Nós falamos no Fundo de Inovação Social, ligado ao banco de ideias, para descobrir... novas ideias! E hoje há muitas empresas com esta lógica da responsabilidade social e que estão disponíveis para isto.

A redução do tempo de trabalho para efeito de indemnizações por despedimento não vai colocar ainda mais pressão, no quadro dos apoios sociais, e trazer mais beneficiários?

A medida, como ela foi apresentada, aplica-se aos novos contratos, pelo que o problema não se põe assim, no imediato. Mas nós sabemos que há medidas que têm de ser tomadas e que têm impacto social. O PES destina-se, também, a mitigar alguns desses impactos.

O senhor é um dos dois ministros nascidos após o 25 de Abril de 1974, o que é uma novidade. Sente que está a fazer História?

História fizeram-na os capitães de Abril...

Só depois da tomada de posse me apercebi disso, que eu e a Assunção Cristas éramos os primeiros nascidos após a revolução a assumir responsabilidades ministeriais.

Há aqui uma viragem de página. O facto de termos um Governo "curto", mais compacto, que pode gerar um conjunto de decisões mais partilhadas, é muito importante.

Se juntarmos o facto de haver uma nova geração no poder, podemos ter aqui uma marca própria.

Mas sente no seu íntimo uma vontade pessoal de marcar a sua passagem pelo Governo?

Perante a situação do País, este Governo já vai ficar na História...

Para o bem ou para o mal...

Tem de ser para o bem! Tem de ser para o bem! Portugal não pode falhar. E esse é um sentimento muito forte que se nota no Conselho de Ministros. Queremos ser, na Europa, um caso de sucesso. E o clima político no País é muito diferente.

Mais distendido?

Sim!

Apesar da tensão social que se adivinha, devido às dificuldades económicas?

O problema é que a sociedade estava, do ponto de vista político, muito crispada. E agora, pegando nas suas palavras, o clima está mais distendido.

Ouvindo-o falar, transparece muito empenho e entusiasmo. Preparou-se para esta função específica ou podia ter sobraçado outra pasta qualquer? Ou ainda está a aprender?

Tenho seguido sempre esta área, mesmo do ponto de vista político. É uma área que eu conhecia e já dominava muitos dos dossiês. Mas, ao chegar a este ministério, usando uma expressão brasileira, "estou rouco de tanto ouvir". Tenho estado a ouvir toda a gente, instituições, pessoas que estão no terreno, pessoas que pensaram muito sobre estas matérias.

Estas linhas de diálogo são também potenciadas pelo facto de o Governo ser um pouco mais jovem.

A diplomacia económica não ficou na exclusiva dependência do MNE (de Paulo Portas). Depois houve o episódio Portas contra Jardim. Finalmente, o facto de Portas não ter sido indicado pelo primeiro-ministro para o Conselho de Estado, ao contrário do que aconteceu no tempo de Durão Barroso... A coligação está bem e recomenda-se?

Vamos ponto por ponto!

Até convém...

Ora bem, sobre a primeira questão: o programa do Governo é claro. E as competências do MNE estão previstas. A tarefa de estudar a melhor solução para a diplomacia económica ficou cometida ao primeiro-ministro. O que foi feito foi o que ficou em programa de Governo.

Mas essa é uma solução diferente do que ambos os programas defendiam...

Eu li também os dois programas. Não diziam exatamente a mesma coisa. Ora, o desenho concreto da melhor solução ficou, depois, no programa de Governo.

Relativamente à Madeira, o acordo político prevê que os órgãos regionais dos partidos são isso mesmo, regionais, e têm a sua autonomia.

Mas não foi o CDS regional nem o PSD Madeira que trocaram galhardetes: foi o líder do CDS, Paulo Portas, ministro de um Governo de coligação com o PSD, que criticou Jardim e Jardim que lhe respondeu....

O que eu ouvi foi um conjunto de críticas do dr. Jardim ao CDS Madeira... Vai haver eleições na Madeira e há uma disputa política normal na região.

Mas houve críticas de figuras importantes do PSD à atitude de Paulo Portas, na Madeira... Marcelo Rebelo de Sousa...

Fê-lo como comentador. Não comento os comentadores. Ora, o CDS mesmo numa coligação, mantém uma voz própria, uma identidade própria, numa história própria. E não vai abdicar desse património. Por isso, é natural que o presidente do CDS, na sua esfera partidária, possa falar. É preciso salvaguardar as diferenças e as esferas de atuação próprias! Quanto à não indicação do dr. Paulo Portas para o Conselho de Estado, isso só demonstra o desapego de cargos...

Desapego forçado, neste caso?...

O dr. Portas podia ter querido ser vice-primeiro ministro e não o pediu. Poderia ter sido n.º 2 do Governo e não o pediu. E podia ter pedido para ser indicado para o Conselho de Estado e não o solicitou. Isto é sinal de um grande desapego.

É um destacado monárquico. Tem tido tempo para as reuniões da Causa Real?

Não e já não tenho funções na direção.

Não tenho tempo para muitas coisas que gosto de fazer. No outro dia, vocês enviaram-me um inquérito em que, num dos pontos, me perguntavam se eu costumo sair à noite. Sim, agora já costumo sair à noite... mas é daqui, do Ministério!

E de que é que abdicou e tem saudades?

Hoje tenho menos tempo para estar com a família. E há outra coisa: correr! Sou viciado em corrida. Nas férias, pelo menos, todos os dias corria os meus 10, 12 km. E mesmo durante a semana, embora sem muito tempo, corria um bocadinho. E ao fim de semana. Agora, não tenho conseguido arranjar tempo. E há ainda outra coisa. Dar aulas. E dar aulas é muito desafiante.

Qual o último filme que foi ver ao cinema?

O Carros 2! [Risos]

E qual foi o último vinho que descobriu?

Assim relativamente pouco conhecido? Talvez um vinho aqui da região de Lisboa (onde fui eleito deputado): de Torres Vedras, um vinho chamado Pynga. Com ipslon. Eu valorizo muito, na escolha de um vinho, a boa relação qualidade-preço. Há vinhos muito bons mas estupidamente caros. Quando começamos a perceber um pouco mais de vinhos, bebemos menos e gastamos mais... E às vezes os preços não são racionais.

Como benfiquista, quer fazer algum prognóstico para esta época?

[Hesita] Como?... Não querem voltar ao tema da coligação?... [Risos]

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Profético!
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 13:33 | Terça, 16 de Agosto de 2011

"Este Governo já vai ficar na História"

Ah pois é! Com um manhoso que "chegava aos treinos tarde, para não ter de correr no aquecimento", não haja dúvidas de que, com gentinha desta laia, pusémos a raposa de guarda ao galinheiro...

O cidadão Ministo Pedro Mota Soares, um trapaceiro congénito, (nas suas próprias palavras), confirma nesta entrevista a nojosa idiossincrasia da tuguice, a qual, tem como regra a mentira e como excepção, a verdade.

CIDADÃOS! 'LEVANTAI HOJE DE NOVO O EXPLENDOR DE PORTUGAL'
CRÍTICA SEM ACOMPANHAMENTO DE ALTERNATIVAS
C.S.R. (seguir utilizador), 2 pontos , 15:59 | Terça, 16 de Agosto de 2011
Li com atenção este artigo.
Li com atenção os comentários eitos ao mesmo.
Não li - ou não vi - alternativas.
Somente sei que alguma coisa - ainda não tudo - porque ainda falta penalizar o Capital, deverá ser feito por este governo.
Penso que nada de mais deprimente existe a não ser a Esmola (para quem a dá e para quem a recebe) e essa esteve a ser dada Indescriminadamente com Intuitos pouco Sérios.
É para mim uma situação impensável, pensarmos em dar Esmolas (Subsídios) - SALVO EM SITUAÇÕES ESPECIAIS - quando sabemos todos que essas verbas são para manter o ÓCIO e não para SUBERVIVENCIA.
Não sou mais Inteligente que os meus Caros Colegas mas gosto de ver aquilo que se passa à minha volta e constato que a maioria daqueles que obtêm Subsídios continuam a ser aqueles que continuam a trabalhar nos "Biscates" prejudicando aqueles que verdadeiramente necessitam deles.
Somente peço que os actuais Governantes possuam a Força para Repor uma Situação que ao longo dos tempos se tem vindo a deteriorar, por interesses de Voto.
Ajudemos quem Necessita mas, PENALIZEMOS aqueles que auferem proventos de Esmola por comodidade.
Sou a favôr da "CANA DE PESCA" ou seja ajuda para criar Riqueza mas sou Absolotamente Contra todos aqueles que Vivem de Esmolas sem terem necessidade disso.
Faz muita falta a Lei das Sesmarias.....
Cumprimentos

C.S.R.
Comentar o quê?
abdemelo (seguir utilizador), 2 pontos , 23:06 | Quarta, 24 de Agosto de 2011
Caros comentadores,

Durante meses e meses tenho acompanhado, com a disponibilidade que tenho para ler, os variadíssimos comentários que aqui têm sido feitos incidindo sobre os mais variados temas.
Quando chego ao fim de cada leitura, encontro normalmente resposta para os assuntos em foco.
Umas vezes concordante, outras discordante, quantas vezes desanimado com insultos dirigidos a este ou àquele e até a mim próprio aos quais respondo à letra e às vezes até não.
Há no entanto quase sempre qualquer coisa para comentar.
A entrevista que acabei de ler, apesar da sua extensão, deixou-me no vazio.
Porque ela própria é vazia quer nas perguntas quer nas respostas.
Em concreto, de Mota Soares, nada de concreto.
-Fiquei a saber que pratica desporto, que foi campeão nacional de râguebi aos 14 anos, que gosta de jogging;
-Tomei conhecimento de que o PES é uma almofada, não sei se de penas se de palhas de milho;
-Que o PES vai ter em atenção o endividamento das famílias (não diz como);
- Que os fármacos a seis meses do fim de prazo são seguros (não diz como e quando nem como vai ser o acesso ao não falado Banco de Medicamentos);
- Não diz como, com base em que critérios de avaliação, nem em substituição de quê, se vai processar a distribuição de alimentos, de que forma vai estimular o trabalho activo e o que é isso;
- Como vai pôr os beneficiários do RSI a trabalhar? Em regime de escravidão, recebendo um valor equivalente a 1/3 ou ¼ do salário mínimo ou como vai arranjar dinheiro para os “os novos empregados”? Até onde vai a aversão ao RSI?
- Fiquei a saber que as offshores são cartas fora do baralho (isto pia fino);
- E sobre as tarifas sociais da electricidade e do gás? Não disse nada para não provocar o riso.
- E sobre os tectos dos descontos para a SS? Mais do mesmo, nada.
- TSU, idem, idem, aspas, aspas.
- A seguir, blá, blá, blá, MNE, Paulo Portas, gostos pessoais, e por último, viva o Benfica;

Por último fiquei também a perceber porque é que o comentador C.S.R. não viu nos comentários, alternativas (ele não percebeu).
É que não pode haver alternativas ao NADA.
Parabéns à Visão. Fez um excelente trabalho. Conseguiu ter respostas para as suas não perguntas. Difícil não é?
Parabéns a Mota Soares que fugiu aos cornos do touro (sem ofensa) fazendo uma pega de cernelha.
Esperteza saloia, mas eficaz perante a pobreza do entrevistador.
Queria comentar mas não encontro nada para comentar.
Desculpem-me.
O governo tem outras prioridades
spitzer (seguir utilizador), 2 pontos , 11:11 | Sexta, 26 de Agosto de 2011
Então e onde estão os EMPREGOS? Os «centros» de emprego, que supostamente centralizam a oferta de emprego, têm algum emprego para substituir os subsídios? Isso é que era mesmo bom.

Ninguém discute os subsídios são uma má forma de vida... mas se nem os centros de emprego não têm empregos para oferecer onde querem que as pessoas vão «encontrar» o que não há? O problema é simplesmente que não há emprego para toda a gente.

A solução seria uma política de «pleno emprego»; mas nem Pedro Mora Soares nem Pedro Passos Coelho nem Angela Merkel estão minimamente preocupados com isso. A sua agenda política é outra.
Excelente!
Pedrinês (seguir utilizador), 1 ponto , 11:56 | Terça, 16 de Agosto de 2011
Coragem! Boa sorte!

[Mas essa de chegar tarde aos treinos para escapar ao aquecimento, dito assim sem qualquer precaução, isso é perigoso. Foi campeão, mas até podia ter dado para torto.]
Ficar na historia pelas piores razoes..
pinto de sousa (seguir utilizador), 1 ponto , 13:35 | Terça, 16 de Agosto de 2011
Isto pode acabar mal

Há uns meses pedia-se desculpa por se absterem na votação de medidas de austeridade, agora a moda é a das mas medidas brutais, o frágil ministro das Finanças adora este tipo de adjectivos, robusto, brutal, colossal. Há uns meses criticavam-se as políticas por não promoverem o crescimento e assentarem no aumento de impostos, agora adia-se o crescimento e adoptam-se aumentos brutais de impostos.

No pressuposto de que os portugueses são mansos adoptam-se medidas duras dia sim, dia não, em nome de uma visão liberal promove-se uma revolução que não foi discutida nem referendada, com o argumento das contas públicas faz-se um saque fiscal, a troco da ilusão do crescimento transfere-se de forma forçada a riqueza dos mais pobres para os mais ricos.

O problema da pobreza é combatido eliminando exigências higiénicas nas cantinas sociais, oferecendo medicamentos em fim de prazo, compensando os aumentos brutais de preços com pequenas borlas. Institucionaliza-se a caridade, o Estado deixa de ter políticas sociais e de enquadrar a acção das organizações privadas de caridade, passam a ser estas a enquadrar a acção do Estado. O objectivo deixa de ser combater a pobreza mas sim garantir que o sofrimento dos pobres não ultrapasse limites de sacrifícios de que resultem riscos de perturbação da calma pública, da solidariedade social do século XX recuamos para a caridade dos princípios do século XX.

O ministro das Finanças anuncia medidas fiscais e ignora a competência do parlamento, os membros da troika humilham o governo em público, o primeiro-ministro exibe-se entre o povo nas ondas da Manta Rota enquanto o presidente se esconde na Quinta da Coelha e dirigem-se aos portugueses através de bitaites no Facebook, o ministro da Defesa dirige-se às tropas desancando no governo anterior como se este fosse o actual “in”, os antigos turras. E enquanto a mensagem para o povo é de sofrimento assiste-se ao assalto a tudo quanto é tacho rentável, começa-se pelos melhores como se houvesse uma fila de espera onde quem está à frente tem o direito de escolher o melhor, negocia-se a venda do BPN de forma pouco transparente, sabe-se que os candidatos a ficar com a RTP traficam relatórios das secretas.

Não admira que o Alberto João alerta para os riscos sociais e sugira que o problema se resolve com propaganda polícia e tribunais, em matéria de democracia musculada ele sabe do que fala, ainda que o problema do país seja diferente do madeirense, na ilha tudo se tem resolvido gastando dinheiro, por cá está-se distribuindo miséria e tirando o dinheiro que alguns têm para compensar o que outros tiraram. Mais ingénuo é João Duque que vai para a televisão dizer aos portugueses que comam e calem, que não vale a pena protestar.

O medo é evidente, contando com a calmaria do Verão adoptam-se sucessivas medidas a acrescentar às que já tinham sido adoptadas ou aprovadas, só que quando chegar o final do ano os portugueses vão perceber a dimensão da brutalidade de Vítor Gaspar, as empesas vão conhecer a verdadeira dimensão as políticas recessivas que estão a ser implementadas e o governo vai entender que uma maioria absoluta frágil, um primeiro-ministro sem carisma e um presidente com pouca credibilidade poderão não estar à altura da tempestade que estarão a provocar.

Jumento

As mãos puras
Pedrinês (seguir utilizador), 1 ponto , 15:13 | Terça, 16 de Agosto de 2011
Charles Péguy criticou a inaplicabilidade da moral aparentemente perfeita proposta por Kant afirmando que o filósofo tinha as mãos puras mas... não tinha mãos! Ao criticarmos assim tão acerrimamente o pragmatismo do actual governo não receamos que este nos aplique com alguma razão a crítica peguyana? Somos teoricamente perfeitos ou pelo menos os melhores, é bem verdade. Mas o que fazemos nós quando estamos nos postos de comando que seja definitiva e convincentemente bom para as pessoas e concomitantemente para o país? Critiquemos, sim, pois, mas sejamos algo comedidos nessa crítica. De qualquer modo o actual Governo não é de esquerda e está aí para durar. Exceptuando os casos em que o bem da coisa pública esteja em flagrante perigo de total desvirtuamento, devemos ser construtivos na nossa atitude crítica.
Resposta ao "Profético"
zab (seguir utilizador), 1 ponto , 15:22 | Terça, 16 de Agosto de 2011

A limitada falta de capacidade de entendimento, misturada com uma azia de quem se percebe ainda não ter digerido a negação que os portugueses deram - 2 in a row, presidenciais e legislativas - ao socilalismo e aos trapaceiros que destruiram o país, não lhe permite entender, que "saltar" o aquecimento, é realmente profético! Significa ir directo ao que interessa, não perder tempo nem gastar energias - que são poucas - com o acessório, mas com o urgente e o essencial.
    Re: Resposta ao   
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 16:39 | Terça, 16 de Agosto de 2011
    Re: Resposta ao   
zab (seguir utilizador), 1 ponto , 16:56 | Terça, 16 de Agosto de 2011
    Re: Resposta ao   
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 17:16 | Terça, 16 de Agosto de 2011
    zebra   
rafeiro27 (seguir utilizador), 1 ponto , 20:35 | Terça, 16 de Agosto de 2011
    Re: Resposta ao   
Maria Trindade (seguir utilizador), 2 pontos , 11:29 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
Governo na História
tania ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 17:51 | Terça, 16 de Agosto de 2011
Penso que este Governo ficará na História uma vez que tomou posse numa altura em que o país passa uma grave crise económica, e como tal, têm de ser tomadas medidas conforme os tempos que se tem de atravessar. Li a entrevista. Há uma coisa que me agrada especialmente neste governo e que para isso muito contribuiu a visão do CDS relativamente ao rendimento de Inserção Social.

Eu acredito que há pobreza, existe de facto, gente a passar dificuldades mas depois há uma grande parte que vive à anos dos subsídios do Estado, que não faz nenhum e ainda por cima reclama. Aplaudo a iniciativa do Governo de acabar com esses preguiçosos.

Eu não acredito que haja fome em Portugal. Dificuldades sim, mas fome não. Fome passava-se no tempo dos meus avós e dos meus pais em que nem leite nem carne ou peixe havia...isso sim é passar fome.
Muito se tem falado das famílias que vão passar mais dificuldades. Mas é preciso saber distinguir aquelas que necessitam mesmo de ajuda daquelas que simplesmente como veêm a mama acabar começam a regatear. é preciso distinguir aquelas famílias que lutam pela vida, que trabalahm, daquelas que estão à 10 anos (como li na entrevista) a viver ás custas do Estado.
    Re: Governo na História   
alien3065 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:26 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
    Re: Governo na História   
joao vitor pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 22:13 | Terça, 16 de Agosto de 2011
    Re: Governo na História   
tania ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 22:42 | Terça, 16 de Agosto de 2011
    Re: Governo na História   
joao vitor pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 23:53 | Terça, 16 de Agosto de 2011
    Re: Governo na História   
jjfmg (seguir utilizador), 1 ponto , 10:11 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
    Re: Governo na História   
tania ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 17:55 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
    Re: Governo na História   
Maria Trindade (seguir utilizador), 1 ponto , 11:45 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
    Re: Governo na História   
tania ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 18:04 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
Hipocresia e cinismo do cristão dito democrata.
Zeferino Nascimento (seguir utilizador), 1 ponto , 18:27 | Terça, 16 de Agosto de 2011
Ministro Mota. Este artigo é uma vergonha. Vá-se embora...de mota... de vespa...de lambreta. Mas deixe-nos em paz. Depressa. Siga a Banda.
Apocalipse
123lagutrop (seguir utilizador), 1 ponto , 22:33 | Terça, 16 de Agosto de 2011
Se eu na minha empresa fizesse o que estes "gajos" já fizeram nas CONTAS NACIONAIS e na GOVERNAÇÃO , não obstante a merda da Justiça , certamente já estaria na CADEIA ...
este governo fica na história
Alvaro Vale Mano (seguir utilizador), 1 ponto , 23:41 | Terça, 16 de Agosto de 2011
É lamentavel ler o comentário de uma senhora em que diz que não acreditar que se passe fome, não minha senhora a fome é que passa por eles, até parece que não vê televisão.Concerteza, eu desconheço completamente a vida da senhora, mas entra-lhe em casa uma mão cheia de euros ao fim do mês daí a razão de dizer que não se passa fome em Portugal, é triste ler estas patetices de quem não lhe falta o comer
ESTE GOVERNO E A SUA "ESTORIA" -L'état c'est moi
pinto de sousa (seguir utilizador), 1 ponto , 13:45 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
Era uma vez....

L'état c'est moi

Um Presidente, uma Maioria e um Governo, Durão Barroso, a presidência do Parlamento, da Caixa Geral de Depósitos, Santana Lopes na Misericórdia, Braga de Macedo na AICEP e IAPMEI, Menezes, Marques Mendes e Balsemão, respectivamente no Conselho de Estado e na SIC, Carlos Costa no Banco de Portugal, Mira Amaral no BPN, Alberto João Jardim não conhece Paulo Portas, Manuela Ferreira Leite faz tricot e Ângelo Correia anda por aí, claustrofobia democrática, lembram-se?

http://joaopaulopedrosa.b... Paulo Pedrosa

Por enquanto, Paulo Portas come e cala....
SOCRATES (seguir utilizador), 1 ponto , 16:32 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
Para lavar e durar ?

Estará o casamento de conveniência entre o PSD e o CDS para lavar e durar ?

A pergunta não é de fácil resposta, mas a confiança entre os parceiros vai de mal a pior, com o CDS a contabilizar fortes razões de queixa.

http://www.ionline.pt/con...
cds-nao-soube-da-escolha-santana-psd-esvazia-mne

  Por enquanto, Paulo Portas come e cala.

  Até quando?

http://terradosespantos.b...
  Francisco Clamote
História(s) de Portugal
123lagutrop (seguir utilizador), 1 ponto , 18:00 | Quarta, 17 de Agosto de 2011
Esta história já vai longa .
Os melhores cumprimentos
Dom Bictor Gaspacho , (cognome Dom Peixeira dos Diabos II )
P.S.
Com cópia para o mui augusto(e saudoso) Dom Socrates II
(o maior filosofo parisiense)
40 comentários
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