Faça aqui o seu
Convite aos Leitores: Deixe aqui a sua Opinião

Esta democracia não é democrática (parte2)

A Bolsa funciona para a economia como a febre funciona para um paciente. Se existe febre existe infecção, logo é preciso tratá-la.

15:30 Terça, 16 de Junho de 2009
Partilhe este artigo:

As pessoas sabem que para haver emprego as empresas têm que dar lucro e para tal têm que ser bem geridas, caso contrário vão à falência e criam desemprego. As pessoas não têm empregos quando o custo do trabalho é mais elevado que o rendimento que dele se extrai. A consciência deste facto não se coloca quando se fala do que está relacionado com o Estado. A provar isso mesmo está o facto de o Estado nunca procurar o lucro e dar prejuízo ano após ano. Isto não poderia acontecer numa empresa privada. Por aqui já deve ser possível considerar paradoxal que as pessoas acreditem no Estado mais que em qualquer outra coisa, quando o Estado demonstra de forma consistente que não é capaz de gerir os seus assuntos de forma eficiente.

  Suponho que as pessoas devotem esta crença na segurança do Estado porque só o Estado pode mudar as regras do jogo quando este vai a meio, e porque isto acontece com frequência acreditam que o Estado tem outras regras.  Confesso que eu próprio fico perplexo quando empresas do Estado cronicamente deficitárias aumentam salários e fazem novos investimentos, desvirtuando aquilo que são as regras normais da economia. Pergunto-me porque tem uma empresa privada de cumprir as regras instituídas, tem que dar lucro com o capital inicialmente constituído, cumprir com os seus impostos e com tudo o resto que lhe esteja relacionado se há empresas que não têm que o fazer? A razão é, simplesmente, porque assim está convencionado.

Não se aceita que uma empresa privada não funcione fora das regras estabelecidas e aceita-se que empresas públicas ou organismos o possam fazer.  Pode perguntar-se então porque é que os Bancos Centrais, que são os responsáveis pela inflação, são os primeiros a chamar a atenção para os efeitos nocivos dessa inflação, dizendo que estão a actuar contra essa mesma inflação?  Porque a economia não é uma ciência exacta, como se disse, e porque se chegou à conclusão que um pouco de inflação é essencial para o crescimento da economia desde que esteja sob controlo. É isso que fazem.  Existem dois tipos de inflação. A de que ninguém gosta porque aumenta o pão e o leite, e a de que muita gente gosta, aquela que valoriza o preço das casas e das acções.

 Em Portugal convive-se mal com o mercado. O Estado não o promove como instrumento fundamental de financiamento da economia. O povo gosta das privatizações porque são feitas pelo Estado, uma garantia implícita; o Estado gosta das privatizações quando o mercado lhe é conveniente e pode vender a bom preço. Poucos percebem o argumento económico da operação vender ao melhor preço possível. 

A Bolsa é um instrumento fundamental da economia. Se desce de forma acentuada e assim continua, isso é sintoma de que algo vai mal na economia. Se uma empresa desce de forma acentuada e continua isso quer dizer que algo vai mal na empresa. A Bolsa funciona para a economia como a febre funciona para um paciente. Se existe febre existe infecção, logo é preciso tratá-la.

O problema da nossa sociedade e da nossa economia é o nível do seu endividamento; o problema da economia mundial é o seu endividamento, e seria bom ter consciência que foi graças aos níveis de endividamento que se conseguiram os níveis de crescimento das economias verificados nos últimos 15 anos. Tal como acontece no mundo das empresas o seu crescimento pode estar sustentado em capitais próprios ou no endividamento e é aqui que a "porca torce o rabo", porque o nível de endividamento não é adequado à estrutura de capitais próprios. A solução da crise de crédito que a economia mundial vive só será encontrada quando se substituir o endividamento por capitais próprios.

Artigos Relacionados:
Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
 
 
Aumentar texto  Aumentar texto Diminuir texto  Diminuir texto ImprimirImprimir Enviar por emailEnviar por email
Partilhe este artigo:
 
 
PUB
 
Grupo ImpresaACAP