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Esta democracia não é democrática (parte1)

A democracia é um jogo de números e é nele que está o poder e também a perversão. Quanto mais ignorância houver (e ela é comum na pobreza), mais convirá que haja. Ninguém está verdadeiramente interessado em tirar gente da pobreza, sobretudo a intelectual, mas tão só em aumentar o número dos seus cultores.

14:08 Segunda, 15 de Junho de 2009
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Uma das origens da actual crise está no mal-entendido criado pelos políticos e aceite pela sociedade de que podemos livrar-nos das recessões económicas, assim como no conceito de que a economia só pode viver em expansão. Ora, não podemos evitar o negativo e ficar só com o positivo. Isto é uma grande falácia, porque em economia o positivo e o negativo estão sempre juntos, tal como acontece com a noite e o dia. Aceitamos, com relutância, mas aceitamos que o dia é indissociável da noite, pois são dois aspectos da mesma energia.

A economia não é uma ciência exacta, pois funciona na base de axiomas que se assumem por verdadeiros e que servem de regras para a nossa sociedade. A mesma em que vivemos e na qual os Governos têm feito todos os esforços, uma vezes conscientemente outras não, para adulterar as regras da economia em benefício da sociedade. Quando assim é, não têm qualquer sentimento de culpa, e sentem que prestaram um bom serviço à comunidade. A intenção é boa mas os resultados nem sempre. A política aborda sempre primeiro os extractos mais baixos, explorando a sua pobreza para aumentar o número de seguidores, e isto é comum a todos os partidos. A democracia é um jogo de números e é nele que está o poder e também a perversão. Quanto mais ignorância houver (e ela é comum na pobreza), mais convirá que haja. Ninguém está verdadeiramente interessado em tirar gente da pobreza, sobretudo a intelectual, mas tão só em aumentar o número dos seus cultores.

  Os pobres e os ricos dependem uns dos outros. Mais - atrevo-me a dizer -, não podem existir uns sem os outros. Uma sociedade pobre economicamente é também uma sociedade pobre nos seus valores morais, e uma sociedade ainda que nova-rica continua normalmente empobrecida dos seus valores morais, enquanto uma sociedade abastada tem consciência da sua pobreza interior e da sua insatisfação.  A gestão de um país padece pois destes problemas económicos e morais que se reflectem e são o reflexo dos seus próprios dirigentes.

 Sem riqueza não existe forma de perceber a pobreza interna ou externa da sociedade. A prova disto está nas revoluções marxistas sempre promovidas pelos ricos ou abastados. Os pobres são meros seguidores sem espiritualidade.

 A democracia tem, portanto, um certo atractivo para os pobres, dado que o seu objectivo é elevar o seu nível de vida material. É o que pretendem e necessitam. Hoje, em termos económicos, a sociedade não é de esquerda ou de direita, é tão só uma sociedade que consome mais do que deveria, em função do seu rendimento, e que continua a ser incentivada a fazê-lo. 

Visto assim,  a gestão de um país parece ser uma coisa complicada porque o esforço que tem sido feito ao longo dos anos nunca parece ser compensado. As pessoas não entendem o que é feito nem de que forma, porque não entendem o que é a economia baseada nos axiomas aceites.

  Mas esta coisa complicada a que se chama economia de um país pode ser explicada de forma simples para que todos compreendam.  

A economia de um país é a mesma coisa que a economia de uma empresa. O governo é o seu conselho de administração e a moeda as suas acções. O valor das suas acções, a cotação da sua moeda. Por aqui já se pode perceber porque flutuam as moedas. Flutuam porque tal como as acções oscilam ao sabor da oferta e da procura.

  Uma empresa com um determinado capital social, quando precisa de mais dinheiro, pode optar por pedir emprestado ou emitir novas acções aumentando o seu capital. A primeira solução é prestada pelos bancos pois são eles que emprestam dinheiro, ou por aforradores (se subscreverem emissões de dívida designadas por obrigações). A segunda função é também cumprida pelos aforradores, mas estes, ao subscreverem capital, ficam com o direito de votar as decisões que traçam o destino da empresa, assumindo o risco daí resultante. 

Num País, os cidadãos votantes podem ser considerados os accionistas da empresa País, porque elegem o governo ou seja o seu conselho de administração e assumem também o risco de nela colocarem uma boa ou má administração. Se um governo contrai dívida está a empenhar todos os seus accionistas/eleitores; se o resultado de um orçamento proposto é deficitário isso quer dizer que o País/empresa vai dar prejuízo.

  Se todos entendessem esta explicação simples do que é o Estado de uma Nação, certamente muita coisa seria diferente. Passaríamos a ter accionistas mais interessados pela vida das empresas ou cidadãos desinteressados das coisas do país, como o são agora relativamente às empresas.

 

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Como são vistos os que trabalham
leitor (seguir utilizador), 1 ponto , 12:49 | Sexta, 26 de Junho de 2009
Está a correr na internet um email designado por pensamento do dia, que reflecte bem um dos problemas estruturais de Portugal e provavelmente do mundo ocidental, que se prende com a forma como são vistas as pessoas que trabalham, e que se esforçam. Sem mais comentários:

Aquele que ao longo do dia é
activo como uma abelha,
forte como um touro,
trabalha que nem um cavalo
e que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão,
deveria consultar um veterinário
porque é bem possível que seja burro.

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