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GESTÃO DE FRAUDE

Crónica

Efeitos esperados do novo Sistema de Normalização Contabilística

Mais uma crónica da secção Gestão de Fraude, desta vez, da autoria de Ana Maria Bandeira

Ana Maria Bandeira
9:43 Quinta feira, 17 de Set de 2009

Em favor da comparabilidade e da imagem verdadeira e apropriada da situação financeira das empresas era urgente que, em sintonia com a modernização contabilística ocorrida na União Europeia, a normalização contabilística portuguesa se aproximasse dos novos padrões contabilísticos internacionais. Com a publicação, no passado dia 13 de Julho, do Decreto-Lei 158/2009 que aprovou o novo Sistema de Normalização Contabilística (SNC), o ordenamento contabilístico português ajustou-se ao dos estados seguidores das normas internacionais de contabilidade (IAS/IFRS). Esta mudança do POC para o SNC, que entrará em vigor em 1 de Janeiro de 2010, era crucial embora represente uma profunda alteração de paradigma.

Tratando-se de um instrumento constituído por um conjunto de normas coerentes com as IAS/IFRS e com as actuais versões das quarta e sétima directivas comunitárias, representa desde logo um passo em frente no processo de harmonização contabilística.

A adopção do SNC implica uma alteração de mentalidade no que diz respeito à forma de pensar o relato financeiro e a própria Contabilidade. Pretende-se melhorar a qualidade do relato financeiro em termos de comparabilidade e de maior transparência das informações relatadas. Em particular, espera-se que, com este procedimento, seja possível evitar práticas contabilísticas menos transparentes. Estas práticas deverão ainda ser minimizadas com o aumento da responsabilidade do preparador do relato financeiro.

Apesar dos custos associados, as empresas portuguesas (excepção às empresas cotadas que já aplicam as IAS/IFRS desde Janeiro de 2005) não podiam continuar à margem deste processo. Para além dos ganhos esperados já referidos - maior comparabilidade e transparência nas contas das empresas e maior responsabilidade dos agentes -, creio que com esta mudança as empresas portuguesas poderão ganhar, por exemplo, na internacionalização do seu negócio e no acesso ao crédito.

Acresce que o impacto do SNC não será só a nível contabilístico. O efeito irá certamente reflectir-se também no planeamento organizacional, nos sistemas de informação e respectivas operações. Os efeitos a nível micro irão certamente resultar num efeito significativo a nível macro. Trata-se, em suma, de uma mudança nas áreas contabilística e financeira que, afectando a empresa como um todo, influenciará a actividade económica.

Palavras-chave   getsão de fraude
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