Há investigações científicas que me desarmam. Há tempos, uma dessas, da Universidade de Lund, na Suécia, concluía que o café reduz o peito das mulheres. Não me vou alongar a imaginar o processo de decisão que leva um grupo de cientistas a fazer um estudo destes...
("Malta! Temos aqui cinco milhões de euros e 22 cêntimos para investigar qualquer coisa. Alguém tem uma ideia brilhante? E uma ideia normal? E uma ideia? Sim, parva também serve.")
... mas acho estonteante que estas investigações sejam tão imprevisíveis e, ao mesmo tempo, tão óbvias. Seria bem mais espantoso ler que uma investigação sobre o efeito do café na redução do peito concluiu que o café não tem qualquer efeito na redução do peito. Enfim. A ausência deste tipo de resultados só mostra falta de visão. Uma universidade que se queira destacar das outras tem de começar a lançar cá para fora os estudos que não concluem surpresas. Seria bem mais surpreendente.
("Uma investigação da Universidade de Curraleira do Castelo sobre os efeitos do leite meio gordo no crescimento lateral das unhas dos polegares concluiu que muitos cientistas têm demasiado tempo livre.")
Pois é. Há quem procure a cura para o cancro e quem investigue os efeitos do café na redução do peito. Digamos que os cientistas não jogam todos no mesmo campeonato. Ou que alguns não jogam com os trunfos todos.
Como se depreende da leitura do post, o estilo dos títulos enganadores também já chegou aos blogues. De que adianta anunciar um artigo sobre mamas e maminhas se, na volta, o que nos aparece escrito são uns quantos parágrafos em que o autor, pudicamente, prefere usar a expressão peito. Peito? Peito?! Por amor do busto genuíno da República, peito têm os frangos. A língua portuguesa é para ser usada com todas as propriedades e sem medo das palavras.
Aqui o engano está no texto. Pois é de mamas (e de maminhas) que tratam as estúpidas investigações daqueles cientistas. Só que agora, sinceramente, já não sei quem é o mais estúpido...
Depois de Cristo,na Ourique maometana/ter aparecido ao Rei Afonso conquistador/Portugal assumiu com fé e muito fervor/
a missão de cristianizar a espécie humana.Depois de ter corrido com Emires e Xarifes/ainda ficou em Portugal,muito mouro/para
trabalhar a terra,enorme tesouro/e também ficaram alfaiates e almoxarifes.Os mouros Castelos foram cristianizados/mas com outros Alcaides Governadores/e as alcatifas,uns artísticos primores/eram cobiçadas pelos cristãos desapiedados.Assim,apesar
da conquista do Rei cristão/no português,ainda que a muitos mal caia/permanecem o alfinete,a alcatifa,o algodão/o alforje,o almanaque,a albarda e atalaia.Há mais uma centena de palavrões/ que do árabe,ficaram em Portugal/assim temos que no idioma de Camões/nem tudo,porém,vem do Latim,afinal.Nas colónias portuguesas do ultramaar/o português que se considera cristão/
não alfabetizou o negro do sertão/p'ra mais fàcilmente o poder explorar.Um dia,num burro branco montado/passava um negro,
muito negro e grandalhão/que até chegava com os pés ao chão/
motivando a mofa dum branco azougado.E diz o branco zombeteiro num sussuro:/-Olha um negro num burro branco montado!
Ao que o negro respondeu desembaraçado:-Siô,mim nã ter culpa de branco ser burro! Como é que o Portugal fanático cristão/dominado p'lo reaccionário clericalismo/e onde era abundante o analfabetismo/podia levar ao negro a civilização?!