Doze perguntas e respostas para perceber Copenhaga
Começa esta segunda-feira a cimeira mundial que mostrará até onde o mundo está preparado para ir no combate às alterações climáticas. Leia o nosso guia para compreender que está em jogo, o papel dos principais peões e as consequências de um possível fracasso. VEJA A INFOGRAFIA INTERACTIVA
Luís Ribeiro, Enviado Especial a Copenhaga
9:43 Segunda, 7 de Dezembro de 2009
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Começa esta segunda-feira a 15.ª Conferência das Partes, uma cimeira mundial que mostrará até onde o mundo está preparado para ir no combate às alterações climáticas. A maioria dos líderes dos países mais poderosos estará presente, mas será que isso chega para garantir um sucessor do Protocolo de Quioto? Leia o nosso guia para compreender Copenhaga - o que está em jogo, o papel dos principais peões e as consequências de um possível fracasso
1. O que está em causa em Copenhaga e o que faz desta uma conferência especial?
A cimeira pretende ser uma espécie de Protocolo de Quioto, Parte II: em 1997, foi assinado, no Japão, um acordo entre os países mais desenvolvidos - com a notável excepção dos EUA - para limitar a emissão de gases com efeito de estufa, entre 2008 e 2012 (uma descida de 5,2% em relação aos valores de 1990). Este ano, deveria sair da Dinamarca um documento para controlar as emissões a partir de 2013 e ainda uma série de medidas de adaptação às alterações climáticas. Esta 15.ª Conferência das Partes, no âmbito das Nações Unidas, é a mais importante desde Quioto, a 3.ª COP (sigla inglesa para Conferência das Partes), precisamente por ser apenas a segunda vez que o mundo tenta atingir um objectivo palpável: levar os Estados mais desenvolvidos a cumprir metas concretas, tentar trazer os menos desenvolvidos para o barco (propondo algumas limitações ao crescimento económico baseado nos combustíveis fósseis) e apresentar soluções de financiamento para todas as medidas em cima da mesa. As negociações da COP 15 serão efectuadas por 193 países, entre os dias 7 e 18 deste mês.
2. O que se pode considerar um sucesso completo?
Um acordo perfeito passaria (e o uso do condicional aqui não é inocente) pela aprovação de um documento juridicamente vinculativo, que efectivamente reduzisse a pegada de carbono dos países mais ricos. Do ponto de vista científico, o ideal seria conseguir-se uma redução entre 25% e 40% das emissões de CO2, até 2020. Não se conseguindo isso, já não era nada mau que 2020 fosse o ano em que as emissões atingissem o seu pico, iniciando-se aí a descida. Tudo para garantir que a temperatura média do planeta não suba mais de 2°C, relativamente aos valores pré-industriais - o valor máximo que, segundo a maior parte dos cientistas, a Terra conseguirá suportar, sem consequências catastróficas. Para isso, de acordo com os modelos climáticos, a concentração de CO2 na atmosfera não pode ultrapassar 450 ppm (partes por milhão), sendo que, hoje, o planeta se encontra sujeito a valores que rondam as 385 ppm e que crescem a uma velocidade de 2 ppm ao ano. De resto, é fundamental que gigantes como a China (o maior poluidor do mundo), a Índia, o Brasil e a Indonésia também se proponham limitar as suas emissões, investir na descarbonização da indústria e travar a desflorestação.
3. E um fracasso?
Sair-se de Copenhaga sem metas concretas de redução de gases com efeito de estufa era considerado, há alguns meses, um fracasso absoluto. Neste momento, já há quem se contente com um documento de boa vontade, que aponte na direcção certa. Mas essa é uma discussão puramente política. No que diz respeito aos factos, 2°C é mesmo o ponto de não retorno. Faça-se o que se fizer, com mais ou menos justificações, o resultado final só pode ser um: um acordo que vincule os países ricos a reduzir as emissões globais de forma significativa e os pobres a limitar o crescimento das suas. Menos do que isso não chega. Adiar a decisão para a próxima COP, no México (um cenário que muitos dão como provável), perdendo-se um ano, é um luxo a que o planeta não se pode dar. Por outro lado, os países mais desenvolvidos também não podem abandonar a Dinamarca sem um projecto sério e consistente de apoio ao Terceiro Mundo, que vai sofrer incomparavelmente mais com os efeitos das alterações climáticas. Amostras dos efeitos na população pobre dos fenómenos extremos são vistos todos os dias nas notícias, sempre que há cheias no Bangladesh, tufões nas Filipinas ou secas em África. Como será no futuro, quando estas anomalias forem muitíssimo mais frequentes e intensas?
4. As perspectivas são optimistas ou pessimistas?
Sob o chapéu - ou desculpa - da crise económica, o balão foi-se esvaziando nos últimos tempos. Ainda em meados de Novembro, altos responsáveis da Comissão Europeia admitiam, informalmente, que não acreditavam num acordo vinculativo, devido aos sinais pouco animadores vindos dos Estados Unidos e da China (que, juntos, emitem, anualmente, mais de 40% do total de gases com efeito de estufa). Entretanto, nas últimas semanas, as esperanças voltaram a crescer, com propostas relativamente entusiasmantes vindas de vários países - incluindo aqueles dois, mas também, por exemplo, do Brasil, que se propõe baixar as suas emissões entre 36,1% e 38,9%, além de ter apresentado um plano para reduzir a desflorestação da Amazónia (a floresta com maior capacidade de sugar CO2 da atmosfera). Fica só uma dúvida: será que baixar as expectativas faz parte de um plano cínico para que qualquer migalha que saia de Copenhaga pareça um êxito? Mesmo que a resposta seja afirmativa, há uma boa razão para o mundo estar optimista: a aposta nas tecnologias amigas do Ambiente e nas energias renováveis tem sido apontada por muitos analistas como uma das soluções, e não um entrave, para relançar a economia em 2010 e criar empregos no futuro - 20 milhões até 2030, segundo a Organização Internacional do Trabalho.
5. Se for atingido um acordo, o problema do aquecimento global fica resolvido?
De maneira nenhuma. A prova disso é que, do plano de discussões para Copenhaga, uma grande parte diz respeito a projectos de adaptação e apoio aos prejuízos, além das formas de financiar o combate aos efeitos das alterações climáticas nos países subdesenvolvidos. De facto, todos os esforços que estão a ser feitos servem para desacelerar o aquecimento do planeta e manter os seus efeitos colaterais no mínimo possível - não para travar completamente o fenómeno. O IPCC (sigla inglesa para Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, o organismo científico global que estuda o tema) prevê que a temperatura pode aumentar até 6,4°C, durante este século, mantendo-se a evolução prevista dos níveis de emissão de gases com efeito de estufa. Mas mesmo que, por milagre, fosse hoje exalado o último grama de CO2, a temperatura continuaria a subir, devido à longa vida das partículas do gás na atmosfera e ao efeito termorregulador dos oceanos (que influencia o clima e, ainda por cima, tem uma reacção muito lenta às alterações climáticas). Para se ter uma noção mais exacta: quando a temperatura do ar parar de subir, o nível médio dos mares continuará a elevar-se, durante mais ou menos cem anos, por causa da dilatação térmica provocada pelo aumento da temperatura das águas.
6. Quais são as consequências de não haver um acordo para fortes cortes, nas emissões de gases com efeito de estufa?
Se a temperatura média aumentar mais de 2°C, começará a rolar uma bola de neve imparável. Os glaciares, primeiro, e os lençóis de gelo da Gronelândia, depois, derretem inexoravelmente. Um processo que, uma vez iniciado, não mais poderá ser contrariado. Sabendo-se que, na Gronelândia, há gelo suficiente para aumentar o nível do mar em sete metros, e que a maior parte da população do globo vive perto do litoral, imagina-se os efeitos dramáticos no nosso modo de vida. Cidades inteiras teriam de ser deslocadas, países ficariam debaixo de água, guerras seriam provocadas por questões de território e milhões de pessoas ficariam sem água potável - pelo desaparecimento dos reservatórios de água que são hoje os glaciares e pela invasão de água salgada nos rios e aquíferos junto à costa. As consequências na economia seriam também devastadoras. Nicholas Stern, um economista contratado pelo governo britânico para estudar os efeitos do aquecimento, calculou que as alterações climáticas custarão no futuro, ao ano, 20% do PIB mundial. E combatê-las antes que seja tarde de mais ficará apenas por 1% do PIB.
7. Qual a posição da União Europeia e de Portugal?
A UE ocupou, desde o início, um lugar de liderança no combate contra as alterações climáticas. Em Dezembro do ano passado, a Comissão Europeia aprovou um plano de corte de 20% das emissões de CO2 (em relação a 1990) até 2020, unilateralmente - valor que crescerá para 30%, caso seja assinado um acordo global de redução; o compromisso inclui também uma fatia de 20% de energia produzida a partir de fontes renováveis e outra de 10% de biocombustíveis nos transportes. Portugal rapidamente tentou mostrar serviço e prometeu subir a fasquia de corte de emissões para 30% (responsáveis da Comissão, no entanto, dizem que o nosso país está muito mal encaminhado para atingir esse objectivo). A nossa aposta nas energias renováveis, apesar de reconhecida pelo resto da Europa, também não está a resultar tão bem como devia: a volatilidade das fontes (água, vento e sol) fez com que, este ano, Portugal tenha emitido mais CO2 na produção de electricidade do que no mesmo período de 2008, apesar de o consumo de energia ter baixado. Voltando às boas notícias, a UE tem cerca de um terço do mercado mundial de renováveis. E 1,4 milhões dos 2,3 milhões de pessoas empregadas neste sector são cidadãos comunitários.
8. Até que ponto estão os EUA e a China preparados para ceder?
É difícil fazer prognósticos a este nível de negociação política, mas o ponto de partida podia ser pior. Num gesto de boa vontade, a China pôs em cima da mesa uma redução entre 40% e 45% da sua intensidade de carbono, comparativamente a 2005. Ou seja, os chineses prometem emitir quase metade do CO2 por unidade de PIB. Do ponto de vista dos resultados líquidos, não é fabuloso, atendendo ao facto de o PIB da China crescer quase 10% ao ano (levando a um crescimento anual de emissões de 4% a 4,5 por cento). Mas é um sinal de que Hu Jintao está disposto a fazer a sua parte e não apenas a obrigar o Ocidente a pagar a factura, como acontecia até aqui. Já Obama esgrimiu, na semana passada, um decréscimo de 17% das emissões no seu país, até 2020, também relativamente a 2005. O Presidente dos EUA (que irá à cimeira de Copenhaga, num gesto que tenta mostrar o empenho americano no combate às alterações climáticas) não terá, contudo, grande margem de manobra para negociar acima desse valor, uma vez que o corte de emissões foi votado pelo Senado. Talvez, em alternativa, saque da cartola investimentos em energias limpas e ajudas financeiras ao Terceiro Mundo.
9. Há penalizações para quem não cumprir os acordos?
No papel, quem não cumprir o Protocolo de Quioto (nem que seja recorrendo à compra de créditos de emissão, ferramenta que Portugal está condenado a usar, dada a sua má situação) terá de pagar multas astronómicas. Na prática, como obrigar um Estado soberano a tal coisa? Declara-se guerra ao Canadá por este país ter ratificado Quioto e agora emitir quase 30% acima do prometido? Na realidade, as sanções para este tipo de incumprimentos acabarão por ser sempre a nível da pressão diplomática e da imagem do país. É por isso que a diferença entre um acordo ser juridicamente ou politicamente vinculativo se fica mais pela força psicológica da expressão do que pelas consequências concretas. Mas claro que é melhor para todos que de Copenhaga saia qualquer coisa com força de lei e não apenas um chorrilho de intenções.
10. Por que razão não se pedem mais responsabilidades aos países menos desenvolvidos, nomeadamente no corte das suas emissões?
Por uma questão de justiça. Os países industrializados enriqueceram poluindo o planeta, durante 200 anos. Não podem, agora, impedir os países pobres de tentarem dar um nível de vida confortável aos seus povos porque, entretanto, a ciência descobriu que a poluição faz mal à Terra. É por essa razão que a União Europeia não exige a gigantes como a China e a Índia os mesmos sacrifícios. E nem os EUA, que dizem ser tudo inútil sem a participação activa da China (o país que mais CO2 emite, em números absolutos, mas que está em 96° lugar nas emissões per capita), vão ao ponto de esperar cortes líquidos nos gases com efeito de estufa - apenas lutam por um abrandamento. Os chineses, aliás, pretendem conseguir em Copenhaga um compromisso por parte do Ocidente: que pague uma parte das suas emissões locais, uma vez que um terço do que é produzido na China se destina à exportação.
11. Ainda há dúvidas científicas sobre as alterações climáticas e a responsabilidade do Homem no fenómeno?
Sérias, não. Alguns cientistas têm tentado provar o contrário mas, na maior parte das vezes, as suas investigações são aldrabices pegadas, estudos encomendados por companhias petrolíferas com o objectivo predefinido de lançar dúvidas sobre o tema ou trabalhos que não resistem a revisões científicas feitas pelos seus pares. Argumentos constantes entre os chamados cépticos do aquecimento global estão coisas como o Verão de 2008 ter sido mais frio do que a média, ignorando ostensivamente a variabilidade climática natural e o valor das estatísticas - sabendo que um só ano é irrelevante numa tendência de décadas. O imenso painel de investigadores do IPCC e todas as grandes academias de ciências concordam com o essencial das alterações climáticas que afectam o planeta e o papel do antropogénico nesta evolução. Quando muito, essa necessidade de consenso científico, no seio de um órgão diplomático como as Nações Unidas, peca por defeito e não por excesso. Cada novo relatório climático que analisa os degelos, a temperatura ou os fenómenos extremos, é mais grave que o anterior. Ao que parece, a realidade está a ultrapassar os cenários científicos.
12. Quem mais perde em caso de fracasso no que respeita à inversão do aquecimento?
Perdemos todos, mas uma coisa é certa: os pobres terão problemas muito maiores. Além da situação de países que podem, pura e simplesmente, submergir (Maldivas, Tuvalu e um terço do Bangladesh, o território que fica a menos de um metro acima do nível do mar), os desafios, no mundo subdesenvolvido, não podiam ser mais ciclópicos. As secas em África, por exemplo, serão muito mais frequentes, levando a um aumento colossal da fome e dos conflitos relacionados com água e território - um estudo publicado na semana passada, da Universidade da Califórnia, aponta para 400 mil mortes só em guerras civis provocadas pelo aquecimento global, até 2030, na África subsariana. Dados como este ganham outro relevo quando se sabe que 0,6% a 1,4% do PIB de todos os países seriam suficientes para mitigar os efeitos das alterações climáticas e ajudar as populações a adaptarem-se aos novos tempos. Sabia que, actualmente, os gastos com armamento atingem 2,6% do PIB mundial?
Eu,um simples operário emigrante na Holanda dese 1964 e já velhote
(85 anos)não entendo nada destas químicas,e no que respeita à
poluição do meio ambiente,digo que da minha parte eu não faço grande poluição pois nem Carta tenho de condução e portanto, nunca tive automóvel,veículo bastante útil na era moderna mas que
considero um dos símbolos do individualismo burguês.Ainda no que
respeita à poluição do Planeta Terra,direi que os Políticos reunidos em Copenhaga,com destaque para os que apoiam as intervenções
militares da Horda da NATO que tem por Secretário Geral,um Político
dinamarquês,afinal são refinados hipócritas pois com as guerras que a Nato desencadeia em vários locais do Mundo,só podem poluir
cada vez mais a Terra,o que,pelos vistos,não os preocupa muito,
ou até mesmo nada.Com sua lenga-lenga demagógica,êles poluiem
não só o Planeta Terra como também as mentes das pessoas,e até
os há que o fazem em nome de Deus,e isto tanto no Ocidente cristão como no Oriente muçulmano.
Quanto ao aquecimento global concordo com a hipótese levantada no post “Lógica e falácia correlação-causalidade” do Prof. Jorge Buescu no blog De Rerum Natura.
Basta digitar o dito título no Google e ler-se uma posição científica que presumo muito consistente, raramente referida na comunicação social quando se aborda o tema da pretensa causalidade das emissões do CO2 antropogénico no aquecimento global. Assim cito:
“(Já agora, para que não haja alarmismos injustificados: a actividade humana é responsável por apenas 3% das emissões de CO2, que por seu lado constituem apenas 20% dos gases de efeito de estufa; 70% são vapor de água.)
Aumento de temperatura e aumento de CO2 estão de facto correlacionadas e vão a par. Mas sempre foram! E o aumento do CO2 sempre se seguiu ao aumento de temperatura! A causa não é o Homem: é outra, que provoca ambas estas variações correlacionadas.(…)
Os ciclos solares essenciais foram identificados em 2001, e têm sido confirmados independentemente, por vários métodos, desde então. Se for este o mecanismo de forçamento do clima, e portanto do aquecimento global, bem podemos tentar diminuir as emissões de CO2 à vontade: estamos a dar a resposta errada a um pseudoproblema. Temperatura e CO2 vão aumentar acompanhando a verdadeira causa, o aumento da actividade solar. Correlação não implica causalidade.”
Por que não lermos também posições científicas que não se enquadram no politicamente correcto do dito aquecimento global?!.
Existem.
Parabéns ao autor do comentário enigmatico51
Coincidência ... a mesma terminologia linguística do artigo de outro comentador que hoje entrou no forúm ..."climategate"
Afinal há muita gente bem informada do assunto o que é louvável que se comecem a analisar as hipóteses todas.
E a pergunta nº 11 do jornalista da Visão, sobre dúvidas científicas... e a resposta de que "são aldrabices pegadas" é a resposta políticamente correcta..
A ciência, a investigação progridem todos os dias com novos dados, novas descobertas...
Acerca da ‘teoria da conspiração’ das companhias petrolíferas reitero salientar nos meus comentários que haverá uma agenda política menos clara que pode estar a ser condicionada por fortes interesses económicos emergentes, de forma a beneficiar-se empresas e tecnologias que nos dizem poder responder ao pretenso aquecimento global proveniente do CO2 antropogénico. Talvez elas façam tanto ou mais lobby do que as petrolíferas pelas quais não nutro simpatia. Oxalá os carros eléctricos vinguem. Contudo como produzirmos mais energia em termos competitivos?... Não cabe aqui abordar a complexidade da temática.
Sempre foi entretanto minha percepção que a nível do planeta somos um pequeno grão na engrenagem, muito longe de podermo-nos “pôr em bicos de pés” e pensarmos que somos determinantes na seu evoluir, o que não quer dizer que nos demitamos de procurar controlá-lo a nosso favor. Só que há imensa especulação e manipulação em função de objectivos políticos menos claros.
Por ex. por que não se limitam entradas de tantos carros nas cidades, que criam localmente pequenas “ilhas de calor”, contribuindo para uma maior poluição e bem menor qualidade de vida?! A decisão não é fácil…
Mas é aliás isto que cientistas honestos, que não se deixem condicionar pelo vil metal nos alertam, só que esses talvez sejam bem menos ouvidos. Veja-se a propósito a posição do Prof. Delgado Domingos “O escândalo do Climategate e a conferência de Copenhaga” também no blog De Rerum Natura.
Eu,como muitos comentadores já sabem,sou um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote(85anos) e como tal,não entendo nada destas químicas,mas sei que o bicho-homem
é que tem prejudicado o Planeta Terra,pois esgundo consta,o deserto do Sahara,há milhões de anos teria sido uma floresta.
Mas presentemente,se o bicho-homem quizer,em vez de andar a fazer guerras de extermínio do Planeta e dos seus habitantes,bem
poderia fazer do Sahara e de todos os desertos,autênticos jardins,
hortas e florestas,pois há técnicas para conseguir tal proeza.
Há energia solar,há nos Oceanos água mais que suficiente para ser transformada em água potável.Mas nem em Copenhaga nem em
Novaiorque os homens conseguem,por muitas e várias razões,
chegar a um Acôrdo de Paz e Cooperação,porque um dos grandes impedimentos,é a Religião.Até parece que se retrocedeu à época
das Cruzadas.
O “paradigma” do dito aquecimento global, atribuível ao Homem, pela pretensa causalidade do CO2 antropogénico começa finalmente a abrir brechas.
No passado também fui sensível à argumentação, só que sempre tive a dúvida de se a nível planetário poderia o Homem ser assim tão determinante.
Fizeram-me reflectir, entre outros, os pontos seguintes:
1 - post “Lógica e falácia da correlação-causalidade” (2007, Prof. Jorge Buescu), blog De Rerum Natura;
2. Climategate, posição Prof. Delgado Domingos divulgada no Expresso.
3. O programa Expresso da Meia-Noite, SIC Notícias: Cimeira de Copenhaga em: http://videos.sapo.pt/ Acho de todo o interesse ver-se, atentar-se na denúncia fundamentada, serena, do Eng.º Rui Moura autor do blog “Mitos Climáticos”. Como referiu “o Homem está totalmente inocente nas alterações climáticas”.
Ainda acerca desta visão apocalíptica porque se omitiram factos que esses sim talvez possam explicar forte causalidade, mas incontroláveis ao Homem: 1. ciclos de Milankovitch que têm a ver com movimento de precessão dos equinócios; excentricidade orbital e inclinação do eixo da terra. 2. ciclos de actividade solar, de que fala Buescu, que ocorrem mais ou menos de 11 em onze anos. 3. as variações magnéticas.
E ainda, porque se tenta omitir a existência do período medieval quente (sec. X a XIV) que permitiu o expansionismo Viking e só se procura relacionar o pretenso aquecimento actual com a revolução industrial de meados do séc. XVIII até presente?
Parece-me cada vez mais evidente que há uma agenda política muito dúbia no pretenso tema do aquecimento global.
Ainda que o haja, tal não quererá significar que o CO2 antropogénico possa ser causa dele. Para tal aconselho a leitura dum artigo do Prof. Jorge Buescu, no site De Rerum Natura, de título “Lógica e falácia correlação-causalidade” em: http://dererummundi.blogs... onde se demonstra duma forma muito consistente que ainda que haja aquecimento global é irrisória a pretensa responsabilidade do elemento humano.
Parece-me de facto que tudo não passa de uma tremenda falácia alicerçada em fortes interesses de indústrias que pretendem vender tecnologias talvez insustentáveis por excessivamente dispendiosas e pouco eficientes.
A juntar veja-se ainda o caso do Climategate e a posição do reputado Prof. Delgado Domingos.
Após comentário de "a dúvida” que agradeço, reflecti mais detalhadamente nesse ponto. Assim acentuo ser do maior interesse ler-se o post “Lógica e falácia da correlação-causalidade” de 2007, no blog De Rerum Natura. Aqui fica, com a devida vénia, parte do comentário do Prof. Jorge Buescu feito a comentários similares colocados no dito.
"Finalmente, devo dizer que o IPCC não é, como se pensa, uma espécie de super-autoridade com isenção absoluta. É essencialmente um corpo político (PAINEL INTERGOVERNAMENTAL SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: no nome aparecem os Governos, não a Ciência. Não é uma Comissão Científica; é um órgão político. A maioria dos seus membros são políticos e representantes dos governos sem credenciais em climatologia.
Claro que integra cientistas, e tenta sem dúvida recrutar os melhores, como corpo consultivo. Contudo, o IPCC tem uma longa história de representação errada da realidade científica: em 1996 a parte científica do Relatório foi modificada, após o peer review, para estar de acordo com o Summary for policymakers. Isto foi um escândalo na altura. Contei o ultimo episodio de manipulação mais do que duvidosa da Ciência mais do que duvidosa no meu post sobre o Taco de Hóquei. O IPCC até quis eliminar dos livros de História e Climatologia em 2001 a existência de um "Período Quente Medieval" e de uma "Pequena Idade do Gelo" (aspas do IPCC), reduzindo-as a "pequenas flutuações de menos de um grau", num acto de revisionismo estalinista."
A luta contra o aquecimento global deveria ser um desígnio mundial. Contudo, mesmo nesta temática que deveria ser consensual, existem aqueles que, contrariam a ideia que a responsabilidade pelo aquecimento, não é das emissões do CO2.
Individualmente, pouco podemos fazer para inverter a marcha da destruição do planeta Terra, a não ser evitar o uso do automóvel, reciclar, poupar água e pouco mais. Quem tem o poder de decidir são os governos, uns com mais poderes que outros, no entanto as preocupações, quedam-se por meras intenções de retórica.
O governo português criou o programa da Microgeração, que consiste na produção de energia eléctrica, através de fontes renováveis, com destaque para o sol (energia fotovoltaica). É quase tão dificil aceder ao site para efectuar o pré-registo, como acertar no euromilhões. A dificuldade tem uma razão. Os interessados são muitos e as licenças a atribuir são limitadas. Não deveria o governo facilitar o acesso de mais interessados ao referido programa, mesmo que para o efeito, diminuisse os incentivos?
Espero para ver o que vai acontecer aos carros eléctricos.
Ainda criança, já lá vão algumas décadas, ouvi dizer que um sujeito do norte de Portugal, inventou um carro que se movia com um produto 100% limpo, passado algum tempo a PIDE levou-o e nunca mais foi visto.Actualmente já não existe a PIDE, mas a ganância, essa é mais voraz que naqueles tempos de triste memória.
Espero que tudo corra bem em Copenhaga.
Porque vem a propósito ainda da P/R n.º11 deste artigo da Visão e porque admiro a qualidade científica do blog De Rerum Natura, ainda acerca do post “Lógica e falácia da correlação-causalidade” referido, transcrevo parte do comentário do conceituado filósofo Desidério Murcho a este post e que julgo de toda a actualidade pôr aqui:
“Pessoalmente, o que me preocupa é a instrumentalização da ciência ou de estudos sérios a favor deste ou daquele objectivo político. Isto tem um efeito terrível porque faz as pessoas aceitar a visão pós-modernista de que é tudo uma luta política irracional, incluindo a ciência e o estudo sério. É por isso que tanto desconfio dos activistas histéricos por esta ou por aquela causa como desconfio das afirmações dos políticos e dos grandes empresários.
O problema do aquecimento global transformou-se num debate político e por isso mesmo tornou-se histriónico. A verdade não parece importar aos dois lados da barricada; só importa ganhar o debate e impor um ou outro modelo de sociedade.
Daí que seja tão importante a análise científica séria, e não politizada, nem instrumentalizada pelos grandes poderes económicos.
Ironicamente, é desta atitude cientificamente séria e rigorosa que vem sempre o melhor da humanidade, e não das atitudes histéricas -- mesmo que tenham razão.”
Aliás - para além da falácia científica por detrás da crença que o Homem causou o aquecimento global, há a considerar as consequências que advêm destas reuniões de chefes de estado.
Convinha até dar uma vista de olhos nos argumentos, factos e opiniões neste blog que achei: http://portuga-coruche.bl...
O fundo da questão é pessoas como o AlGore, que liderou o movimento a favor dos impostos pelas emissões de CO2 - já perderam a credibilidade em termos de honestidade desde que o seu documentário "Uma Verdade Inconveniente" foi desmascarado por conter dúzias de erros propositados para induzir a opinião pública. E mais preocupante é saber que um documentário produzido com erros e falsidades propositadas foi um dos principais instrumentos (o AlGore visitou chefes de estado do mundo inteiro durante esta década) para o alarmismo à volta desta questão.
Aliás - acho que seria muito importante notar o facto do Algore ser um dos maiores interessados no imposto global sobre "respirar" (porque CO2 é produto resultante de respirar) visto estar na direcção e deter uma parte da empresa mundial que vai gerir "os créditos CO2).
Importa também saber que os investidores, especuladores e banqueiros mundiais já estão a ganhar milhões com base nas expectativas do que se vai decidir em Copenhaga. Biliões e biliões de dólares já circulam na especulação dos créditos CO2.
Só mais isto: já dizia um romano famoso: "poder para cobrar impostos é poder para governar"
Bem haja
O Climategate é exemplo de como a Ciência pode vezes ser mal servida por alguns cientistas que se deixam enredar por agendas políticas menos sérias, mas ainda será através dela que o Homem pode encontrar a melhor forma de vencer parte da adversidade da vida e do mundo.
É lamentável que alguns cientistas envolvidos no Climategate tenham tentado silenciar seus pares em revistas da especialidade quando estes só pretendiam questionar fundamentadamente teorias do aquecimento global, que esse grupo de cientistas agora pretende corrigir, falando-se de alterações climáticas, mas talvez servindo os mesmos interesse políticos.
Felizmente a internet acabou por ser um espaço de liberdade, que conseguiu furar o monolitismo da agenda política do IPCC, permitindo dar voz àqueles que refutaram, dando razão à abordagem de Karl Popper quanto ao seu modelo de se fazer avançar a ciência e também a democracia.
Acreditamos que apesar de como disse o Eng.º Rui Moura “a ciência não ir a votos”, haverá cada vez mais a possibilidade de podermos ser optimistas como Descartes, a de que o bom senso é a coisa melhor distribuída, e possamos encontrar uma maior aproximação à verdade que nunca será absoluta, mas que talvez de acordo com o que entendi ao ler Otto Neurath possamos ver o conhecimento como um conjunto coerente de crenças sempre susceptível de refutação e aperfeiçoamento.