É o segredo de justiça que torna a Justiça simples: o que não se sabe... não existe; e quando se sabe... é crime. Logo, também não existe. O que nos deixa sem motivos de preocupação e, logo, mais felizes
2:52 Quinta, 25 de Fevereiro de 2010
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O Governo declarou-se disponível para aperfeiçoar a lei do segredo de justiça e espera sugestões do procurador-geral da República. Significa isto que instruiu o PGR para que faça qualquer coisa e depressa. Há agora quem proponha o agravamento do quadro penal da violação do segredo de justiça, para se punir de forma mais severa quem o viole. E há mesmo quem tenha proposto que os magistrados sejam colocados sob escuta! Tenho um grande respeito pelos valores que o segredo de justiça pode defender, seja a protecção dos direitos individuais dos cidadãos "apanhados" em escutas, sejam as necessidades operacionais do combate ao crime. Mas há por aí muita gente a confundir a nuvem com Juno, uns por ignorância, outros, seguramente, bem conscientes do que andam a fazer.
O segredo de justiça não é uma vaca sagrada, como hoje em dia algumas pessoas o fazem passar para a opinião pública. Pelo contrário, nada mais é do que um mal necessário. Por si, vale zero, já que vale apenas por aquilo que tenta salvaguardar em cada momento ou caso. E a verdade é que, em alguns casos, vale pouco ou mesmo nada, quer porque as matérias em questão têm pouco ou nada de lesivo do bom nome ou da privacidade de alguém, quer porque são inócuas do ponto de vista da investigação criminal, quer, ainda, porque já não são, de todo em todo, segredo para ninguém.
Mas mesmo nos casos em que tenha plena justificação, continua a ser um valor concorrente com muitos outros, e muitas vezes menos relevante que os demais. Entre essas outras realidades valorizadas pela comunidade e pela lei - e que podem ser várias - está, claramente, o direito à informação. Também ao contrário do que é muitas vezes insinuado, o bem que conflitua com os valores protegidos pelo segredo de justiça não é o "mero" direito dos jornalistas a escreverem o que bem lhes apetece. O que está em causa, e que merece protecção constitucional, é o direito dos cidadãos a saberem o que se passa no seu país, incluindo o que a polícia faz ou deixa de fazer, o que o procurador decide ou deixa de decidir, os critérios que o presidente do Supremo usa ou afasta para ilibar liminarmente um primeiro-ministro. É isso que está em jogo e que apenas pode ser garantido com uma comunicação social independente, livre de tutelas económicas, políticas ou administrativas.
A comunicação social tem feito várias asneiras, ao longo do tempo, e seguramente também em matéria de segredo de justiça. Fará sempre, embora se espere que vá aprendendo alguma coisa com elas. Mas a pergunta pertinente é apenas uma. O que é que tem, verdadeiramente, acontecido de excessivo? Um excesso de casos de violação gratuita do segredo de justiça, ou um excesso de casos suspeitos em torno de quem tem de ser insuspeito, dadas as nobres funções que desempenha - o que, por si só, justifica o interesse da opinião pública e torna incontornável a intervenção da comunicação social? Estranho país seria o nosso se os media tivessem deixado os portugueses na ignorância de tudo o que se passou, nos últimos anos, em matéria de grandes escândalos...
Paredes meias com a discussão das violações do segredo de justiça, o Parlamento ouve vários jornalistas e outras personalidades ligadas à comunicação social acerca de censura e pressões do Governo sobre os media. Disponíveis para pressionar têm estado todos os governos, com maior ou menor intensidade. E, em alguns casos, inclusivamente, com o apoio de uma oposição consciente de que, um dia, estará ela sob escrutínio. Nesta matéria, PS e PSD sabem que a vitória num dia será a derrota no outro. Por isso, pressões sobre jornalistas e órgãos de comunicação social sempre as houve, assim como tentativas de controlo de títulos pelo poder político. Telefonemas, zangas, insinuações, ameaças veladas ou directas, por parte de empresários, dirigentes políticos e governantes, sempre fizeram parte da vida dos media.
Mas se podemos relativizar este estado de conflito latente e permanente, não devemos ignorá-lo. Em primeiro lugar, porque nunca antes existiu um ambiente de tão grande hostilidade à comunicação social por parte de um Governo. Depois, e cumulativamente, porque vivemos tempos especialmente difíceis para o sector dos media, que os deixa mais vulneráveis às pressões políticas e financeiras.
Em pano de fundo, inalterada, continua a mãe de todos os vícios. A disfuncionalidade da Justiça, a falta de meios, ou de soluções, que justificam segredos de justiça intermináveis, alimentam prisões preventivas em barda e deixam meio País sob escuta. Sempre por períodos verdadeiramente indecorosos, desumanos, indignos de uma sociedade de direito. Mas, mais uma vez, não confundamos os vários planos do problema. Este estado de coisas, já crónico, explica muitas decisões erradas, mas não o aumento da conflitualidade entre o núcleo duro do Governo e a comunicação social.
Existe uma "matéria de facto" subjacente a este conflito em particular, matéria que o explica, porque é, sobretudo, incómoda para o chefe do Governo. Uma matéria de facto que pode ser, ou não, jurídica, mas que será seguramente política, no sentido mais lato do termo. Na correcta hierarquia das coisas, essa matéria, constituída por um somatório de várias pequenas e grandes "histórias", verdadeiras ou falsas (algum dia alguém chegará a saber?), é a questão que realmente importa. É dela que parte tudo o resto: a desconfiança em relação às decisões do poder judicial e judiciário, a paz podre entre as principais instituições políticas, o descrédito do Executivo, o desconforto crescente no seio dos socialistas (que se dividem - Manuel Alegre à parte - entre os apoiantes de Sócrates e os silenciosos incomodados), a ingovernabilidade do País. E é dela também que emergem, entre todas as outras coisas, a alegada tentativa de controlo de órgãos de comunicação social e a magna questão do segredo de justiça.
A pedra-de-toque, para o Governo, já se sabe, está no combate à violação do segredo de justiça. Que é, aliás, o que torna a Justiça simples: o que não se sabe... não existe; e quando se sabe... é crime. Logo, também não existe. O que só nos deixa sem motivos de preocupação e, logo, mais felizes.
É por isso, e apenas por isso, que o Governo está disponível para nos dar mais do mesmo: uma grande rolha, bem apertada, na já vergonhosa nova versão do segredo de justiça (claramente limitadora da liberdade de Imprensa), blindada em mais escutas (verdadeiramente secretas) e reforçada com ainda mais processos. Aos jornalistas, claro.
1.Respeito quem escreve, particularmente se escreve bem. Claro que as pressões existem. Do poder político, económico e até meramente social… A expressão do pensamento deve ser tendencialmente genuína. O tema merece respeito. Como o merecem as questões conexas à actividade. Desde o estágio, o regime laboral ou de prestação de serviço, deontologia, clara demarcação entre a narração de factos e juízos opinativos, até às questões do abuso do seu exercício. Ou outras que não cabem neste comentário escrito ao «correr da pena», com espaço limitado.
O grau da nossa liberdade está no que fazemos nesse contexto de pressão.
2.Será curioso analisar se, entre a multiplicidade de temas da actualidade, a escolha de um pela generalidade de jornalistas, será fruto da independência ou, ao invés, o cumprimento de uma tarefa ordenada por qualquer dos referidos poderes.
Os jornalistas estão mais defendidos em Portugal que na Europa comunitária. O que não está assegurada é a pluralidade opinativa, na imprensa como na TV, com eleição de umas dezenas de «varões» denominados «opinio makers».
Urge inquirir essa importante componente e se estes espaços de «jornalistas» são aferidos. Ler 10 artigos favoráveis a um mesmo partido, coloca a questão. E não haverá, no seio da própria classe, maiores carrascos que os supra referidos poderes? Jornalistas na prateleira por actos de jornalistas?
Macartismo é o termo que descreve o período de intensa violação dos direitos individuais nos Estados Unidos, e que alguns denominaram «caça às bruxas». As suspeitas eram frequentemente dadas como certas, mesmo com investigações parciais e questionáveis. Muitos perderam os seus empregos e tiveram a carreira destruída e alguns foram até mesmo presos e levados ao suicídio. Perdurou até que a própria opinião pública norte-americana ficasse indignada com as flagrantes violações dos direitos individuais graças, em grande parte, à actuação corajosa do famoso jornalista Eduard Murrow (vd.Wikipedia). Hoje é recordada com repugnância e assim será a versão portuguesa em curso e os políticos que tentam utilizar os mesmos métodos para atingir o poder a todo o custo. A tentação já atingiu os três candidatos do PSD, mesmo o que até agora mais tem resistido, Passos Coelho.
Precisa-se urgentemente em Portugal de homens livres e jornalistas corajosos como Murrow.
Cito do texto - " ...Significa isto que instruiu o PGR ..."
"...justifica o interesse da opinião pública e torna incontornável a intervenção da comunicação social..."
"... pressões sobre jornalistas e órgãos de comunicação social sempre as houve..."
" .... um somatório de várias pequenas e grandes "histórias", verdadeiras ou falsas (algum dia alguém chegará a saber?), é a questão que realmente importa.."
"...Pressões? Quem falou em pressões?..."
Basta ler o texto para que se perceba, que representa, ele mesmo, uma clara tentativa de JUSTIFICAR as formas e atitudes dum MAU jornalismo; não sei se é solidariedade profissional ou empatia politica , mas que o profissional da informação presta um excelente serviço aos que manipulam a justiça, e que abrem processos com "cartas anonimas" , parece por demais evidente.
Desculpe , mas é o que sinto , como cidadão ao ler o seu texto, meu Caro Pedro Camacho, permita-me que lhe sugira que leia o ultimo texto do Jose Carlos Vasconcelos e por certo entenderá a razoabilidade das minhas opiniões; repito são minhas e numa atitude clara de cidadão deste Pais que adoro, e que parecem faze-lo parecer, como se fosse um Pais descendente directo duma geração RASCA.
... soubesse um pouquinho de matemática, perceberia que as premissas que ele próprio coloca, não confirmam as conclusões que tira, pois uma coisa não pode ser igual a si própria e à sua contrária!
Isso é uma impossibilidade!
Como é uma impossibilidade afirmar que há falta de liberdade de informação e poder publicar até as maiores mentiras, os maiores e mais sórdidos boatos, que, em complot, são publicados de forma organizada, com cada um a fazer referência ao anterior e, seguindo, assim, em ciclo, até estabelecerem como verdades o que foi construído no boato e na mentira!
Mais sórdido não pode ser!
E abre as portas para que qualquer um possa inventar as histórias mais malévolas que for capaz e fazê-las passar por verdadeiras!
Só tem "arranjar" (quero dizer comprar) um "jornalista" que se encarregará de montar o circo!
O problema será quando alguém arranjar uma fotomontagem com a mulher desse jornalista numa cena de bem-bom numa praia de nudistas!
Aí, de duas uma:
ou o cara fica com uma comichão incrível na cabeça, aceita os factos e contrata um carpinteiro que lhe alivie a dor;
ou contesta veementemente, diz que a mulher é inocente e corre o risco de ninguém acreditar, por muito séria que seja, de facto a mulher!
Às vezes até dá vontade que esta hipótese se venha a confirmar!
Só para ver a carinha de alguns "inteligentes" do "jornalismo"!
Dependendo do Ministério do Interior e a partir de 1944 do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), a censura prévia funcionou enquanto aparelho repressivo que legitimava a acção do governo. Controlando a imprensa, o teatro, a rádio, o cinema, e, mais tarde, a televisão (introduzida em Portugal em 1957), visava assuntos dos mais variados níveis, desde políticos a morais. Evitava a difusão de ideias socialistas ou comunistas e de todo e qualquer movimento contra o regime.
A acção da censura impedia que a população tivesse conhecimento daquilo que realmente acontecia, já que passava sempre a ideia de uma "paz tranquila".
Curiosamente a Censura "evitava a difusão de ideias socialistas ou comunistas..."!
Ah, agora percebemos, isto é, começamso a perceber...
É mesmo, Pedro Camacho. Como pessoa normalmente inteligente, que penso, deva ser, devia saber que ao fim de tanto tempo desta "estória" da pressão sobre a informação, da falta de liberdade de expressão, da asfixia, etc. etc, tudo isto já começa a meter nojo, não passa de chover no molhado e já não se aguenta. É que as pessoas, na sua generalidade, não são assim tão faltas de inteligência como o sr. e muitos dos jornalistas(?) da nossa praça pensam. E se ainda há muita gente, que por partidarite, gosto pessoal ou outro qualquer motivo, dão cobertura a essa palhaçada em que certa comunicação social está a transformar o jornalismo em Portugal, há muitos mais que estão fartos e dizem chega.
Chega de mentiras, chega de sabujice e bufaria, chega de palhaçadas como as que Crespo, Cabrita, Monteiro, Saraiva e Louca Guedes foram fazer naquele circo a que chamam Comissão de Ética, no maior desrespeito pelo Parlamento e, portanto, pelo país.
Ganhem vergonha, coluna vertebral e poupem-se, e poupem-nos, ao triste espetáculo que têm dado.
Como o seu, neste escrito. É que, para além do mais, já vem um bocado tarde, com um cheirinho a mofo e um ar demodé. Só um eno reparo: O tempo é o grande mestre e a verdade vem sempre ao de cima. E quem semeia ventos, colhe tempestades. E um dia, os Crespos, os Saraivas, as Cabritas, as Guedes e gente quejanda, serão lembrados como exemplos do que não deve ser o jornalismo. Mas há que defender o tacho e que se lixe a isenção e a honestidade, não é?