Um programa despesista como este significa que o Governo vai viver em permanente campanha eleitoral
8:00 Quinta, 5 de Novembro de 2009
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As críticas que o programa do Governo suscitou por parte da oposição são, por enquanto, tiros de pólvora seca. O documento não vai a votos - só uma moção de rejeição obrigaria a uma votação - e, pelo menos por enquanto, não há qualquer hipótese de alternativa a este Executivo, no actual quadro parlamentar. A impotência dos vários partidos também ficou bem patente nos reparos produzidos ao documento, entregue na Assembleia da República, a maioria dos quais mal disfarçou a intenção de ganhar tempo ou de lançar ténues pistas sobre o debate que realmente vai ser importante - o do Orçamento de Estado para 2010, a realizar em Janeiro próximo. Foi tão mortiço e pobrezinho o desfile dos dirigentes partidários a elocubrarem sobre o programa do Governo Sócrates II que até parece que os vários directórios políticos foram apanhados de surpresa pela postura dos homens do poder. E aí o contraste não podia ser mais marcante. Estes foram afirmativos, provocatórios e até mostraram que nem a perda da maioria absoluta lhes dissipou aquele tiquezinho de arrogância já tão velho conhecido dos portugueses. A oposição, por seu lado, jogou totalmente à defesa, aparentemente manietada pelo jogo que o Governo promete conduzir e controlar a seu bel-prazer, se não tiver, do outro lado, jogadores à altura.
É óbvio que, dadas as circunstâncias, o Governo poderia ter apresentado um outro tipo de programa. Seria mais eficaz e credível, se o documento se circunscrevesse a meia dúzia de grandes apostas, procurando, essencialmente, concentrar todas as energias e recursos disponíveis em áreas determinantes, com vista a um salto no nosso desenvolvimento. Além do mais, apostas e metas muito definidas teriam o condão mobilizador que falta ao País. Ora, o documento não é propriamente isso. Longo de 127 páginas em letra miúda, perde por manter o cunho de manifesto eleitoral - simpático, cheio de promessas para toda a gente, oferecendo a cada folha milhões para isto e para aquilo, como se tudo fosse fácil. Este aspecto é muito interessante, pois, melhor do que ninguém, o Governo sabe que a situação não é nada fácil, é, pelo contrário, quase trágica. Uma dívida pública galopante, um défice que não deve andar longe dos 7%, um desemprego que ameaça atingir 700 mil portugueses... Assim sendo, um programa despesista como este significa que o Executivo vai manter uma postura de permanente campanha eleitoral, gritando sempre que for contrariado, à espera do momento certo para cair, derrubado pela "irresponsabilidade" da oposição.
Apresentar um programa de Governo muito parecido com o seu próprio manifesto eleitoral não é um acaso, é, sobretudo, uma afirmação de poder. É como se Sócrates estivesse a dizer "derrubem-me, se puderem", sabendo que os seus opositores não têm margem para o fazer. Com a vantagem acrescida de ter ditado as regras e colocado os outros partidos na defensiva e com a certeza de que, sem alternativa, este é um jogo seguro.
O governo dificilmente poderá levar adiante o programa que anunciou aos eleitores, ..."as 127 páginas em letra miúda".... Vai ter que negociar com os outros partidos. Algumas coisas serão aprovadas, outras re-ajustadas, outras reprovadas.
O governo passou a usar "com frequência" a palavra diálogo. Mas será desejável que a oposição não confunda o direito que ganhou de obrigar o governo a dialogar, com a "humilhação" a que o pretende expor sempre que esse diálogo se torna necessário. Não vale a pena a oposição ameaçar...
Há algo que não mencionou (no seu artigo) é que os eleitores, estão atentos e são os "verdadeiros juízes", assistem a tudo e julgarão novamente quando forem chamados a votar.
Discordo quando escreve... "este é um jogo seguro"... eu diria que cada dia é um dia... e cada dia corre o risco de ser o último.... e
penso que é por essa continuidade, que o governo vai ter que encontrar o seu ponto de equilíbrio, como se vivesse permanentemente "na corda bamba".
Sara
Em todo o caso,digo que a Direita(PS,PSD e CDS/PP)continua com a
maioria absoluta na Assembleia da Rèpública,pois o PS que aliás,é
Social Democrata tal como o PSD que é Liberal,ambos quando estão
no Governo,praticam Política Liberal,a Política emanada de Bruxelas
onde as Bruxas e os Lobbys-homens ditam as Leis do Livre Mercado
e nesta cruzada têem o Àmén do CDS/PP da Democracia Cristã.
Êstes três Partidos estão unânimes no apoio à Horda mercenária da
NATO e ao envio de Militares portugueses para o estrangeiro,o que
pesa certamente no erário Público,aumentando mais o Défice.
À Esquerda que está desunida,só lhe resta protestar e esclarecer o
Povo para que na próxima vez não bata com as ventas na pia.
Quando um governo governar o país como governa a sua casa, aí sim talvez vamos ter uma verdadeira democracia sem hipócrisia.
Fala alguem que aufere o salário de uma entidade do estado de € 52,20, quando me passar a vergonha que sinto talvez eu vos conte este triste episódio da minha vida.
Mas com isto estou a cumprir com todas as minhas obrigações de cidadão à espera que seja feita justiça.