[Em Portugal] a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro
12:20 Domingo, 22 de Agosto de 2010
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A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores, insignificâncias em que não reparamos e ele repara, sensações, luzes, criaturas sem nexo. Usam o papel para ordenar este caos, vertebrar o desespero, dar ao ilógico uma coerência lógica e mostrar o nosso retrato autêntico em cacos de espelho, fundos de poço trémulos, superfícies convexas em que temos de emagrecer por nossa conta. Não se pode estender a mão a quem lê, tem de se caminhar sozinho num nevoeiro aparente em que, a pouco e pouco, as coisas se arrumam nos seus lugares. Em nenhum bom livro há personagens e história: quando muito aparência de personagens e história, usadas para tornar mais clara a vertigem do que somos. Tudo se passa no interior do interior e portanto não devia haver cursos de escrita criativa
(um paradoxo nos termos)
mas de leitura criativa. Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara. Um autor do século dezanove dedicava os seus trabalhos aos felizes poucos, expressão roubada a Shakespeare
(we few, we happy few, we band of brothers)
capazes de nadarem ao seu lado em águas muito escuras e de regressarem à tona de mãos cheias. Um livro é mais uma orelha que uma voz onde, no fim de contas, é o bom leitor quem conversa. O livro escuta. As páginas são ouvidos pacientes que nos guiam através da liberdade do silêncio, onde as nossas frases se reflectem e regressam com um sentido novo. O bom leitor só recebe na medida em que dá e a qualidade da obra depende desta troca constante, do fluxo e refluxo das emoções partilhadas. Temos de ser um agente activo do livro, fazê-lo nosso até que se torne, como queria Rilke de quem não sou admirador, excepto em raras passagens das Elegias, sangue, olhar e gesto. Se não for assim é uma comédia de enganos, um passatempo inócuo como quase tudo o que em Portugal se impinge, porque a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro. Uma editora comercialmente bem sucedida é má, ou então tem de fazer compromissos. A casa alemã onde estou, por exemplo, possui um catálogo honesto, dividido em duas partes, literatura e best-sellers. O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar as pessoas a ler. Até Lenine compreendia isto, ao afirmar que a arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem de subir à arte. Claro que não é apenas um problema português, é um problema universal. Pasmo com as listas dos tops:
ficção, dizem elas, quando a ficção não existe a não ser nas obras rasteiras. Se me dissessem que escrevia ficção sentia-me insultado: ficção que tolice, é o mundo inteiro que a gente mete entre as capas de um livro.
Vende menos? Decerto, mas há-de vender sempre. Se tivermos lado a lado, à nossa frente, Camões e o jornal, a tendência imediata é pegar no jornal, mas o jornal desaparece amanhã e Camões fica. Chamo jornalismo, explicava Gide, ao que é menos interessante amanhã do que hoje. E depois a Arte não é um desporto de competição: o editor que ponha numa cinta, por exemplo, cem mil exemplares vendidos, ou julga falar de sabonetes ou não é um editor. Se o livro for bom há-de vender muito mais do que isso: quanto terá vendido Ovídio até hoje? É apenas uma questão de tempo, porque os bons leitores existirão sempre, ainda que poucos. O que me aborrece na Arte são os comerciantes que giram em volta dela, sem lhe tocar, porque tiram o seu alimento do efémero. Faz pouco comecei uma biblioteca na empresa onde estou.
Tolstoi foi o primeiro: ao receber o livro impresso reparei que as últimas três páginas eram propaganda a lixo. Como se pode, no fim de um livro de Tolstoi, fazer aquilo? Desonestidade? Ignorância? Não faço ideia de quem é o responsável mas devia ter sido fuzilado no berço: Tolstoi de mistura com livros de cozinha e ficções. Recomecei a colecção: até agora não repetiram a indignidade. Pergunta:
Como vão os livros da biblioteca?
Resposta:
Pingam
e ainda bem que pingam. Se vendessem às grosas é que eu ficava alarmado. Os bons livros são para pingar eternidade fora: o Mondego começa gota a gota; a água suja basta virar o balde e encharca-nos. A água do balde acaba logo. O Mondego não tem princípio nem fim.
Pingam:
e que maravilha pingarem. À força de pingarem hão-de engrossar irrestivelmente, enquanto os baldes se enferrujam, amolgados, num canto do jardim.
E o que interessa
(volto à Gide)
o amanhã? A gente vive no hoje, pá, o Horácio que se dane. Que se dane a Coroa, o que vale a pena são as coroas e essas já cá cantam. O problema é que, se alguma nova editora aborda a minha agência, não começa por falar em dinheiro: fala nos nomes do catálogo. Todos eles pingam. Mas dão prestígio a uma Casa. Respeito demasiado o meu trabalho para o deixar à venda numa loja dos trezentos.
Hoje choveu,e andei á chuva,porque não tinha um chapéu de chuva.
Cheguei ao hotel e abri o computador,e vi a sua crónica...
Fui á varanda e fumei um,dois,três cigarros...e contínua a chover,evejo nuvens escuras que sobem das serras verdes,talvez seja nevoeiro,não sei.
A escrita são como pinturas,só que são letras que lemos e as imagens formam-se e conseguimos sentí-las...
Há escritores bons e escritores maus,assim como bons leitores e
maus leitores,tudo depende da pintura que se gosta.
O hotel é antigo e tem corredores enormes,e eu gosto de hoteis antigos porque têem história.
Sim,concordo consigo,devía haver cursos de leitura criativa.
Vou sentar-me na esplanada da piscina,lá não chove e posso fumar.
As editoras são como supermercados.
A viagem de comboio foi rápida,sempre gostei de comboios...
SErá obrigatório gostar de Ovídio para ser aquilo a que chama um «bom Leitor»?
O jornal vai para o lixo, Camões morreu no lixo. O balde enferruja num canto do jardim mas a água e até o lixo que lá estiveram dentro servirão para adubar a terra( in)fértil de onde poderá brotar - quem sabe - um dia, um grande escritor.
O que é um grande escritor?
E um curso de escrita criativa ou de escrita seja ela qual for, não é de louvar, em vez de um curso de grafitis nas paredes do próximo??
Hoje houve crónica, mas o Lobo está zangado porque a gente não sabe ler. Deve ter-se esquecido de que o «seu» povo ainda há bem pouco tempo era analfabeto... Antes de saber ler temos, pelo menos, de aprender a soletrar, como se aprende primeiro a andar e depois a voar... é parecido. Mas vc já anda pelos ares há tanto tempo que se terá esquecido dos primeiros passos. Tenha dó.
escritas como tu sabes,meu bom amigo,tem som.O som da dignidade,do amor,da inteligência.
Regressado de férias,desiludido pela desumanidade em que transformaram a nossa Mátria,vejo-me a meditar olhando uma prateleira acima do meu cabelo,cor estás mais para lá do que para cá,reparando nO meu nome é legião.
Ainda não o li mas estás na fila.Três anos não são nada se comparados com a vida que os teus livros têm.
Abraço.
(1\2)
«A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores...»
— Que horror essa cabeça de escritor! Acredito que a sua o seja como generaliza a dos outros, pela amargura que cultiva, e porque tentar saber o que vai em cabeça dos outros, é impossível.
«Em nenhum bom livro há personagens e história:»
— Lá está o génio a ditar regras fixas! Todo o mundo hoje dita regras, está na moda. Eu cada vez me convenço mais que ao criador de arte cabe quebrar regras.
«mas de leitura criativa. Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara.»
—Está bem escrito? Ensina as pessoas a ler? (Mas claro, é arte literária!).
Impõe regras fixas ao escritor, e apela à leitura criativa? Homem, um leitor criativo não precisa do escritor para nada, ele mesmo cria a partir da branca página!
«As páginas são ouvidos pacientes que nos guiam através da liberdade do silêncio, onde as nossas frases se reflectem e regressam com um sentido novo.»
Belo, sem dúvida, isto é criar! Por vezes a beleza eleva-se acima do real, faz-nos pensar da sua utilidade.
«O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar as pessoas a ler.» (arte literária de novo?)
— Lá está ele a limitar um pensamento à sua medida de leitor (Então, cadê o seu leitor criativo? Profundo?). Qual a diferença de pôr as pessoas a ler, ou ensinar as pessoas a ler, ó génio? Não se pode dar a mesma interpretação ao referido pensamento?
Apenas ensinar a ler, ou pôr a ler, dificilmente nos leva a grandes profundidades, o nosso intelecto não se alimenta apenas de escrita.
Escrever é revelar o pensamento, a pessoa que escreve revela tudo o que lhe vai na alma, a sua maneira de ser!
Os leitores do DR. António L. Antunes, são pessoas que gostam do que ele escreve, porque é para eles que o DR. escreve.
Se eu falar com um cão, por poucas palavras, ele entende-me, mas não posso falar com um burro, porque tenho a certeza de que este não entende nada que eu digo, assim são as pessoas, também uns entendem o que o DR. escreve, outros não, porque têm poucos conhecimentos, não atingem, não entendem nada do que o DR. escreve e criticam tão mal, têm uma mentalidade tão atrapalhada, que esses, os leitores de A.Lobo Antunes não os entendem, nem sei o que fazem aqui ! por isso:
1) " um bom leitor é uma espécie muito rara"
2) "a maior parte, dos editores ou são ignorantes ou vigaristas", ora vejamos, qualquer pessoa escreve qualquer coisa sem qualidade desde que meta os euros, que não são poucos, nas mãos do editor! outros escrevem com qualidade e guardam na gaveta, porque pedem uma balúrdia para os editar!
3) "o argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar as pessoas a ler", é correctíssimo! ler, para quem não entende, é uma perda de tempo, melhor seria plantar couves, dava mais rendimento.
4) "a arte não tem que descer ao povo, é o povo que tem que subir à arte", pois! é preciso perceber, para entender...
5) "os bons leitores existirão sempre, ainda que sejam poucos"
DR., a sua escrita é de 5 estrelas! Bem Haja!
Sou seu leitor on / off. Um dos primeiros que gostei mesmo. Começei por gostar do seu caracter que vi num documentário. Vinha de encontro ao que sentia, foi como encontrar um Nativo. É pena não usar internet e viver como um eremita,pois certamente não vai ler este comentário. Mas concordo consigo. As obras vão sempre pingar eternamente. Duas coisas fazem pingar uma obra eternamente: A primeira é a sua qualidade intrínseca e intemporal. Outra necessária mais a curto prazo e divulgação de novos valores e edição de novos livros é o marketing, agenciamento e promoção dessa mesma obra. Se hoje está numa casa de renome é porque tem qualidade e alguém o promoveu. Ou seja alguém pôs a fitinha de 11ª edição do seu livro e por muito que fosse bom nunca chegaria à prenda de natal e a que pessoas que nunca leram um livro seu o reconheçam como grande sem ter havido uma promoção grande, pois é como o diz o povo não é ensinado a ler, apenas segue a maralha e também o segue a si.
Depois de ler este folhtim de comentários «criativos»,julgo que o
dr Lobo,deve estar de boca aberta com tamanha criatividade...
Eu simplesmente vou bater as asas e voltarei numa altura em que o mar esteja sereno.
Acho que detectou a ideia errada de que têm de se puxar ou seduzir ou que mais inventam para que hajam leitores que nunca vão existir devido à falta de cultura que é imprescindível para que as pessoas se sintam com vontade e interesse por comprar livros e lê-los. É algo que só se consegue com a mudança de mentalidade de que tudo o que diz respeito ao conhecimento tem de se manter num alto pedestal
Depois de ler seriamente esta crónica de Lobo Antunes e na minha qualidade de escritora impublicável, porque sou poeta, porque sou provinciana, porque a partir de uma certa altura da vida me comecei a enjoar com a «superioridade» de quem deveria ensinar aos outros a simplicidade, apeteceu-me dizer o seguinte (sabendo embora que regurgita estas crónicas para a canalha ignorante se ir entretendo):
Sinto-me desiludida consigo ( e vc lá no seu Olimpo a lixar-se) mas porque teve a sorte de ir parar às editoras dos alemães e dos ingleses etc..etc… que escritores muito melhores do que Vc nunca lograram sequer ambicionar, não tem o direito de chamar vigaristas e ignorantes aos nossos editores, nem apregoar com esse seu ar sonso que os portugueses não sabem ler. A ficção enoja-o! Mas vc é ficção e sem ficção não há obra de arte. Falo de ficção sinónima de fantasia, de imaginação, de ilusão, até de quimera. Ou vc será ficeloso e nessa sua aparente simplicidade embrulhadinha em jeans e camisolinhas de cachemira, pensará que é mais do que quem? Menos do que quem?
Você é você. António Lobo Antunes que mal ou bem tem sido lido pela corja ignorantes de portugueses que lhe vão comprando os livros com orgulho no seu trabalho.
E já agora… lixe-se vc e Lenine. A arte não tem de descer ao povo. A arte é o povo e o povo não é um porco que se prenda num gancho para subir até à arte que vc apregoa.
E quem é vc para dizer que este é um problema universal? Quem foi o sábio que o promoveu a juiz da arte que vai desde o acrobata de circo à Paula Rego, à Sophia, a Da Vinci, a Chekov, às quadras do poeta Aleixo, às esculturas desconhecidas que nunca ninguém levou à Alemanha?
A sua eternidade, o seu valor será o futuro que o vai escrutinar. O artista é como o esturjão… só depois de morto é que se sabe se há caviar.
Cuide-se. Trate lá da sua biblioteca. Tenha cuidado com a traça e se souber de alguma loja de trezentos que queira vender uns livrinhos baratos, avise, há por aí muita gente interessada, uns em comprar, outros em vender, como tudo na vida.
O grande problema das artes hoje em dia, é não haver capacidade para as distinguir. Você pega numa escultura moderna, bota-a na rua e nem o sapiente ciencia* que aquilo é obra de arte. Se levar a dita a uma galeria esplendorosa, o mesmo douto vai venerá-la.
Um dia, quando eu era rebelde ativo, fiz um teste, acrescentei um lenço de papel ranhoso a uma escultura numa galeria. Deveria ver os eruditos, estilo leitores devotos, religiosos, que nunca discutem, apenas aplaudem o ‘mestre’, a roçarem o nariz e óculos em olhares religiosos!
Outra vez participei num concurso exposição de uma das mais conceituadas galerias de Lisboa, eles pediam criatividade, ideias novas. Eu quebrei todas as regras. Fui rejeitado. Olhando os quadros selecionados eu acabei a analisar as pinturas com um homem. Eu não o conhecia, era um dos principais dirigentes da galeria. Ele lembrava-se da minha pintura rejeitada. Expliquei-a e a resposta dele foi:
— Se você tivesse escrito uma nota a explicar a pintura tê-la-íamos selecionado!
Outra vez, almoçava eu com um responsável por uma conhecida galeria. Ia o almoço no apogeu das papilas gustativas ao estômago, conversa animada e ele ‘Quando quiser expor tem a galeria à sua disposição!
— Mas nem viu a minha pintura?
— Basta ouvi-lo falar! ‘é assim em Portugal para tudo o que se relacione com artes.
Como salienta, muito bem, o Lobo, a editora dele tem os livros literários definidos para os leitores, estes não os sabem distinguir! (riso).
http://www.mesadoeditor.c... Este é um endereço onde escritores podem colocar suas obras procurando edição. Acredito que se um dia a tal cultura, de facto, evoluir, esse será um método prático, honesto, o editor chega, lê, escolhe e leva o dom. Mas quantos anos faltarão?
Sem querer entrar em concursos de «quem é o melhor leitor» venho confessar-lhe que apenas me considerei uma boa leitora depois de ter lido Dubliners de Joyce, na versão inglesa e de quase ter sufocado a ler as tragédias do nosso amado Shakespeare naquele inglês que não lembra ao diabo. Também li tudo o que há para ler de Óscar Wilde em língua inglesa e cá estou vivinha da costa.
Orgulho-me das minhas leituras de Camus e Kundera em francês, de Don Camilo em castelhano e de rastejar por Nietzsche em alemão.
Posto isto, ler seja lá quem for na língua portuguesa, não me parece sacrifício e como poeta que sou leio Lobo Antunes porque é um fazedor de imagens como poucos autores que conheço (talvez Mia Couto).
Mas vc revolta-se com a minha impertinência de que a cultura é que tem de descer até ao povo. Reitero esta impertinência, tenho esse direito. Vejo a cultura da alma como a cultura de um campo de trigo. É a chuva que desce até à cultura para a alimentar e fazer crescer e dar frutos, não são os torrões de terra bruta que sobem ao céu. A terra morre com a seca mas não reconhece o sintoma da sede. É o que se passa nas culturas nossas conhecidas onde pululam as burkas e as lapidações e as excisões. Será que esta gente conseguirá subir até à cultura que os liberte do horror de serem vivos? Creio que será a cultura que terá que descer até eles para lentamente os elevar, nem que seja ao primeiro degrau da grande escadaria que ainda têm à sua frente.
É que, sabe, falamos em cultura e pensamos em livros e letras no mundo evoluído, mas esquecemo-nos de que a maior parte da humanidade vive ainda imbecilizada e sem que a cultura desça até aos seus humildes redutos, eles serão ainda martirizados durante muitas gerações. Talvez de mais.
Pois, o que conclui, é, podemos ler todos os livros famosos do mundo, e os outros também, se não aprendermos a nos situar na vida entre todos os outros seres, em paz recetiva e humilde, tudo foi em vão.
Porque na verdade, pegue um punhado de terra no solo de argila, deixe cair tudo, olhe aquele último bago colado na pele da mão, nós somos ele, apenas sofremos um evolutivo mágico efémero instante elevado ao milagre de pensar, discutir, chorar, rir, e no mesmo ápice nos vamos delir!
Do trabalho todo dessa evolução celular, nenhum nos pertence, assim, será pedir muito, que sejamos mais humildes quando ainda andamos a aprender a ler e a escrever?
Por acaso conheci pessoas que nem sabiam ler, nem escrever, mas sabiam tanto escutar, sentir a natureza, tinham uma noção tão bela da vida... memórias invejáveis, e tão bem integrados no seu tempo e espaço!
Os livros que mais me alumiaram foram, sobretudo, sobre o Cosmos. Aí sim, aprendemos toda a nossa doentia grandeza, e salutar pequenez!
Tanto autor que você leu...
São os livros que devemos ler, não os autores...
Uma pessoa culta não sente tanta necessidade de o dizer, minha querida, exibir os títulos dos livros que leu, a biblioteca, é comportamento saloio, primário, pouco inteligente!
A cultura transparece naturalmente, e a pessoa culta se torna humilde sem o notar.
Uma pessoa culta não traz os problemas pessoais para aqui, você tem a casa cheia de enigmas, que todo o mundo já sabe, que não sabe resolver, que cultiva, em vez de atenuar, compreender, resolver. Onde está o seu conhecimento da vida? Nem comportar-se você sabe, mulher!
Os livros são para ler, compreender e esquecer, a mente quer-se espaçosa, vazia, ativa. Você conduz na estrada da vida ainda com o livro de condução na cabeça, folheia a página tal, tem o instrutor a seu lado...
Minha querida adolescente, efebo *, como parece tanto gostar, tem de mudar de mestres, se é que pretende deixar de cultivar as suas desgraças e aprender a refletir cultura. Aprenda a folhear as folhas das suas plantas, sente-se entre elas, escute o pulsar da Natura mãe, ela sabe tudo, você só precisa de estar com atenção.
Sei que me vai amaldiçoar de novo (riso) mas dá-me pena o seu sofrer, apenas, por teimar em cultivar a dor e a necedade.
O seu Lobo nada sabe de guerra, ou muito pouco, de facto fez-lhe falta os sofrimentos que os soldados passaram. Um médico não vai para o mato, fica no hospital a tratar dos doentes e feridos. Se ele soubesse na carne, na alma, os sofrimentos dos nossos bravos e exemplares rapazes, ele não sentiria necessidade de mentir descaradamente em nenhum romance, respeitando-os profundamente.
*Efebo; (efeba não se usa) adolescente, Ephebeia foi uma instituição criada para formar futuros cidadãos, Grécia; bem precisávamos, hoje.
Reparem bem: Vcs estão a fazer cultura! Já viram bem a qualidade da escrita com que se andam a desancar??
Adoro. Já agora, escusam de andar sempre a chamar Dr ao Sr. Lobo.
Parece-me que Dr não consta na sua certidão de nascimento, mas infelizmente os ainda «portuguesinhos» com pê «piqueno» insistem no dr. engº. arqtº..............vá... discutam lá mais.
Este lobo consegue por-nos todos a mexer. Isto é que é um lobisomen.