As crises são inerentes à lógica do crescimento, são salutares e necessárias ao progresso económico. As crises permitem abanar o "status quo", e permitem explorar melhor os novos conceitos, alternando as estruturas e dando início à verdadeira exploração das novas ideias.
15:21 Quinta, 21 de Maio de 2009
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É ilusório pensar que se podem compreender os fenómenos económicos sem dominar os dados históricos e culturais inerentes. Os erros de julgamento que estão hoje a ser cometidos são devidos à falta de uma perspectiva histórica.
A economia é um universo em permanente mutação e os problemas não residem na busca do equilíbrio, mas nas constantes alterações. A história da economia é feita de inovação e de progresso tecnológico.
A tecnologia está em permanente evolução tornando por vezes obsoletos, alguns sectores da economia que amiúde foram durante muito tempo dominadores. A mudança é quase sempre estrutural antes de ser quantitativa, sendo que o que provoca as alterações é a inovação.
As estruturas só mudam em função da inovação quer esta seja de novos produtos, novas técnicas, novos meios ou novos mercados. A inovação é simultaneamente factor de crescimento e factor de crise uma espécie de criação destrutiva. As crises são inerentes à lógica do crescimento, são salutares e necessárias ao progresso económico. As crises permitem abanar o "status quo", e permitem explorar melhor os novos conceitos, alternando as estruturas e dando início à verdadeira exploração das novas ideias.
Nada disto está a acontecer agora, pelo que não creio que se possa falar realmente de crise no sentido económico mas antes de uma depressão. Efectivamente, a actual situação não tem origem em nenhum progresso tecnológico, como foi a introdução da máquina a vapor, do caminho de ferro, do motor de explosão, da electricidade, ou, mais recentemente, da Internet, para dar alguns exemplos.
É verdade que se fala de TGV, é verdade que se fala de energias alternativas, é verdade que se fala de fibra óptica e de velocidades até 100 Mbits na Internet, mas nada disto é uma verdadeira revolução tecnológica mesmo que se pense que possam vir a originar no futuro novas revoluções, pela simples razão que não tornam obsoletos sectores de actividade.
Esta crise é, portanto, diferente das outras, muito diferente da crise do início deste século, com origem nas telecomunicações a informática e a biotecnologia.
A crise actual, por ter origem na inovação dos produtos financeiros, é mais parecida com o início de uma nova ordem económica e social. Na realidade, a crise actual é uma crise de crédito que afecta quase todos, indiscriminadamente, dos países às famílias. A parte visível desta crise reflecte-se nos cidadãos votantes que vão caindo no desemprego e nos incumprimentos das múltiplas responsabilidades financeiras da nossa sociedade. Provavelmente, novas batalhas irão ser travadas (para usar uma terminologia política), que oporão os pobres contra os ricos, os novos contra os velhos, os "yuppies" contra a geração "bué". Os impostos serão aumentados, as reformas irão reduzir-se e o Estado Social irá encolher, se se continuarem a cometer os erros de julgamento que estão hoje a ser cometidos devido à falta de uma perspectiva histórica, e não será uma crise o que teremos mas uma depressão.
Também eu estou pessimista em termos de longo prazo: não apenas em termos da (macro)economia, mas também em termos sociais e políticos (recuso-me a ver a economia como algo de isolado).
No entanto, tenho ainda algumas reservas em utilizar o termo "depressão". Repare-se que desde a 2.ª Guerra Mundial, sempre que surgia um período de crise, lá aparecia o espectro da palavra "depressão". Mas o certo é que o Mundo, com maior ou menor dificuldade, sempre conseguiu ultrapassar os períodos conturbados da economia, no pós-guerra.
Claro que poder-se-á contra-argumentar que esta crise não é como as outras, que é muito mais complexa, que abarca sectores muito diferenciados da economia e que teve origem em movimentos especulativos! Tudo isso é verdade! Mas também não podemos esquecer que nunca o Mundo esteve tão organizado de forma transnacional, nunca os Bancos Centrais tiveram tanto poder e mecanismos de acção como agora, nunca a ciência económica esteve tão desenvolvida como agora!
Além disso, no auge da Grande Depressão americana, algures no início dos anos 30, a taxa de desemprego, nos EUA, atingiu o incrível número de 33%!!! Ora, neste momento, a mesma taxa, no mesmo país, é de 8,9%. Existe uma diferença abismal...
Concordo com o autor que temos pela frente um futuro sombrio e incerto, mas ainda assim acredito que os Estados e os Bancos Centrais dispõem de mecanismos e de meios mais do que suficientes para pelo menos minorarem os efeitos da crise. Haja competência para tal!