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Brasil

Costa do Sauípe - Onde fica o paraíso

O maior resort do Brasil, implantado entre areais infinitos e coqueirais a perder de vista, na costa norte do estado da Bahia, permite a prática de actividades tão diversificadas como a natação, o golfe, o remo, a equitação ou. o simples lazer podendo ainda servir de base para a exploração de uma das regiões mais atraentes do gigantesco país de língua portuguesa

Luís Almeida Martins
1:14 Quarta, 19 de Agosto de 2009
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Costa do Sauípe
Costa do Sauípe

Cheguei ao resort há minutos. A noite cai com rapidez sobre a zona tórrida e pela janela vejo a piscina enorme e o bar anfíbio. Vultos na penumbra banham-se de copo na mão e riem-se. Acendem-se os globos luminosos, arrancando reflexos dourados à água. Se correr o vidro entrar-me-á pelo quarto dentro o calor húmido do exterior e chegar-me-á aos ouvidos a suave cantilena da língua castelhana falada pelos argentinos e os chilenos que procuram o seu trópico no Nordeste brasileiro. São eles os turistas por excelência da zona, mas também abundam os portugueses e os espanhóis. Ligo distraidamente o televisor e entram-me de chofre pelo quarto do hotel, apenas iluminado pelo candeeirinho da cabeceira, as imagens e os sons em português gostoso de um programa que ataca frontalmente uma medida persecutória do governador de São Paulo quanto aos "moradores de rua" a que nós chamamos "sem-abrigo". Estou no Brasil, mas só neste momento me apercebo plenamente de que um fascinante mas problemático universo me rodeia com os seus dramas e misérias. Nos últimos anos, tornou-se corrente entre os portu-gueses falar do velho "país-irmão" como um destino turístico privilegiado mas ao mesmo tempo rotineiro e prêt-à-porter, como a recém-inventada "Riviera Maia" do México, a Cuba pateticamente aberta aos dólares da era pós-queda do Muro ou a vetusta Malta redescoberta no início da década de 1990. Sem ter sido chamado para o assunto, o Brasil, que noutros tempos foi para nós sobretudo um apêndice histórico e cultural, viu-se assim transformado num carrossel de emoções programadas e encerradas em pacotes turísticos de ocasião: passar a lua-de-mel no Brasil, dar uma escapada ao Brasil, surgir nas revistas da socialite com um coco verde na mão no Brasil. Simplesmente, o enorme pedaço de Terra que se estende das Guianas ao rio da Prata como o conhecemos e entende-mos sempre lá esteve no último meio milénio, e para nós, portugueses, merece outra abordagem para lá daquela que cabe nos folhetos de promoção turística. O Brasil é, com o rigor da poesia, o "imenso Portugal" a que aludiu Chico Buarque ainda que num contexto limitado porque marcadamente político. Num certo sentido, Portugal "cumpriu-se" ao fundar o imenso espaço transatlântico, e se não nos revemos nele do mesmo modo que os ingleses de hoje se projectam oficiosamente na América é apenas porque o co-losso sul-americano não conquistou, por endémica má gestão, porventura herdada deste lado, o estatuto de potência mundial condizente com os seus infinitos recursos.

Dito isto, convém acentuar que o Brasil é um destino turístico de excepção, e que este destino, ainda que dotado de uma unidade, se desdobra em múltiplas ofertas, cada uma delas com as suas características muito próprias. Por exem-plo, se o Rio de Janeiro é a "Cidade Maravilhosa", a sa.ra engastada num dos lugares geogra.camente mais belos do mundo, no estado de Minais Gerais podemos contemplar jóias arquitectónicas do Barroco português numa quantidade e de uma pujança como não existem em Portugal e no Nordeste é-nos oferecida de mão beijada uma abundância de praias de infinita extensão como dificilmente poderá imaginar quem não conhece. Natal, Recife, Fortaleza e as suas regiões são, dentro deste último quadro de propostas, alguns destinos popularizados num passado recente. A Costa do Sauípe, no estado da Bahia onde agora me encontro é o último deles em data e, porventura, o exemplo mais conseguido do que pode ser um local especificamente vocacionado para férias na acepção comum do termo.

Do resort para o mundo Situada a menos de 80 quilómetros de Salvador e do seu aeroporto internacional (ligado a Portugal por voos directos e diários da TAP), a Costa do Sauípe é um resort cuja "primeira pedra" foi colocada há cinco anos e que hoje é já o maior e mais completo empreendimento deste género de todo o Brasil. Nesta época de globalização e banalização anglófona, também a própria palavra resort entrou no vo-cabulário corrente como sinónimo de qualquer coisa como "centro de férias", havendo a tendência para se esquecer a sua acepção primária de "refúgio" ou "esconderijo". Num país como o Brasil, em que o fosso social entre o infinito mar de miseráveis e a reduzida elite rica (infelizmente com ten-dência para se aprofundar) está na origem de uma violência descontrolada, as características de resort são condição necessária para que um local possa acolher forasteiros em período de descanso.

Mas, atenção, isto não implica que se deixe de olhar para o vasto mundo que rodeia o dito resort e de fazer incursões nele sempre que possível. É essencial que o Brasil enquanto tal recupere o (importante) lugar a que tem direito no imaginário cultural português. Local excelente para passar férias ditas "de sonho", a Costa do Sauípe pode e deve ser também uma base de onde se pode partir para o reconhecimento do palpitante pedaço de Brasil que a rodeia.

Quem aterra no aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, e é aguardado por um mini-ônibus que o conduzirá directamente ao empreendimento turístico não chega a entrar na capital do estado da Bahia, essa cidade de forte personalidade e exótica projecção mundial (entre nós conhecida sobretudo por "Baía") que foi também a capital pioneira do Brasil, fundada em meados do século XVI pelo primeiro governador-geral da colónia, Tomé de Sousa. Efemeramente ocupada pelos holandeses no século seguinte, a cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos, de seu nome completo, viria a libertar-se num decidido gesto de vitalidade. Entretanto, o nosso veraneante o melhor que tem a fazer, enquanto é transportado para norte pela estrada dos Coqueiros, é agendar na cabeça encontro para breve com este local carregado de história, nem que seja no próprio dia do regresso a Portugal, contando para isso com a necessária antecedência relativamente à hora de comparência no aeroporto. Mas o ideal é alugar um carro e dedicar um dia à exploração do bairro do Pelourinho, o centro histórico da cidade (que normalmente é comparado a Lisboa mas que talvez se assemelhe mais a uma Évora ampla e povoada de igrejas majestosas), contando com cerca de uma hora para a viagem em cada sentido.

Na cidade, é ainda indispensável uma visita ao mercado Modelo, na parte baixa (ligada à alta pelo elevador Lacerda), talvez o mais completo repositório comercial de arte popular do Nordeste, apenas equivalente, porventura, ao distante mercado de Manaus, lá no fim do mundo, este obviamente vocacionado para o fascinantemente selvagem artesanato amazónico.

A cor do trópico Antes desse encontro com Salvador, e enquanto é levado pelo ônibus da equipa de acolhimento (é muito feliz a recuperação pelos brasileiros da palavra latina omnibus, já usada em Portugal, que signi.ca "para todos" e define idealmente um transporte colectivo), convém que o viajante abra bem os olhos para os lados da estrada e se deixe mergulhar na concha tépida desse trópico lusitano.

O solo é avermelhado, as palmeiras explodem contra o céu de chumbo, o calor é viscoso e o cheiro a húmus chega a ser intenso de mais para quem não está habituado a senti-lo. E começam a suceder-se as construções de tijolo sem reboco nem pintura, típicas da faixa de planeta entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio e especialmente recorrentes no Brasil, as tabuletas características, os letreiros engraçados numa periclitante letra manual: "Busca Vida, material de construção", "Vende grama em tapete", "Eucalipto tratado", "Bar do Cabelinho", "Silva, consultoria imobiliária", "Campo de futebol aluga-se", "Escolinha Tia Mariza: inglês, teatro e dança"... Por entre as frágeis edificações baixas e rudes bamboleiam-se jovens mulatas cor de canela e um ou outro homenzinho escanzelado de calções pardos e tronco nu e o inevitável boné "americano" que ultimamente invadiu as traseiras do mundo. Que no estado da Bahia há mais mulheres do que homens é visível num simples relan-ce. Do mesmo modo que estendendo a mão na atmosfera se apalpa a densa espessura do lazer militante e da desmoti-vação para tudo o que não seja a busca permanente e desenfreada da felicidade imediata e obviamente efémera... De repente, para lá de uns muros e de uns gradeamentos, avistam-se casas de grãfinos; se o guia estiver atento explicará que ali, naquele condomínio fechado, moram Daniela Mercury e Ivette Sangalo. Os dois brasis coexistem separa-dos por uma frágil vedação de violência e medo.

"Alemanha" baiana Umas duas dezenas de quilómetros antes da Costa do Sauípe, no sentido de Salvador para norte, fica a praia do Forte. O nome deve-se à existência no local das ruínas de uma moradia acastelada do século XVI, mandada erigir para sua residência pelo português Garcia de Ávila ainda hoje considerado o maior latifundiário da Bahia. Esta "Polinésia brasileira", como lhe chamam os folhetos de promo-ção, foi turisticamente descoberta em 1970 por um tal Klaus Peter, filho de um imigrante alemão de São Paulo, que comprou ao estado 12 quilómetros de costa, mandou construir um hotel perto do local onde havia uma pequena aldeia de pescadores e passou a atrair anualmente milhares de turistas germânicos. Ach so, os negros de olhos azuis made in Brazil que ali se vêem são na origem uma criação dos "laboratórios" Peter. A aldeia turística da Praia do Forte, desenvolvida junto da igrejinha branca do areal, tem de qualquer forma uma respiração genuína, com a sua arrumação desordenada, as tendas de folha e bambu, o cheiro a fritos e a aparência natural da ocupação humana.

Sendo o litoral baiano uma das mais importantes áreas de desova de tartarugas do Brasil, ali funciona também um dos centros do projecto Tamar/Ibama, de protecção e desova desta tão ameaçada espécie animal. Para levar a cabo o trabalho, uma equipa de seis pessoas, chefiada por um biólogo, vasculha diariamente uma faixa de 15 quilómetros de praia que vai da foz do rio Imbassaí até ao Clube dos Pescadores, na localidade de Porto Sauípe. Uma boa notícia: desde o arranque do empreendimento, já ali nasceram mais de 60 mil tartaruguinhas sabendo-se embora que, de acordo com as leis naturais, a esmagadora maioria delas não vinga. Mais uma atracção da região, a não perder.

Uma estada na região do Sauípe pode servir de aperitivo a um regresso em força ao imenso Brasil. Quem conduz (ou é conduzido) pela estrada do Coco e tiver imaginação suficiente para enxergar para além da espessura do que resta da Mata Atlântica, para esse interior disforme sem nome nem contorno, não deixará de lobrigar na distância próxima do mundo dos sonhos mais reais uma fermentação de mistérios e de lendas, por onde perpassam os fantasmas dos antigos bandeirantes, os espectros dos velhos garimpeiros de unhas inflamadas, a alegria inconsciente mas intensa de um povo que canta e dança com a mão na barriga esfomeada, a guerra diuturna dos sem-terra, os mistérios dos índios da floresta e o mito das cidades perdidas na es-pessura da folhagem.


Planear a viagem

A TAP voa diariamente de Lisboa para Salvador. A partida é por volta das 10 horas e a chegada entre as 14 e as 15, hora local. O regresso é às 16 e 30, com chegada cerca das 6 da manhã. Do aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães até à Costa do Sauípe são exactamente 76 quilómetros, pela rodovia BA 099 (continuação da estrada do Coco), que um autocarro percorre em cerca de uma hora. Ao desembarcarem do avião, os viajantes são acolhidos por uma equipa de recepção que os conduz à Sala VIP e seguidamente ao serviço de transfer até ao resort. Para deslocações extra a Salvador podem ser alugados carros, por telefone, à empresa Forte Rent-a-Car, sedeada na praia do Forte; a viatura é entregue e recolhida no nosso hotel à hora combinada. Informações mais pormenorizadas podem ser obtidas em qualquer agência de viagens ou no site www.costadosauipe.com.br


Quando ir

Na Costa do Sauípe (e no Nordeste brasileiro em geral) pode fazer-se praia todo o ano, mas a estação ideal é o Verão, que coincide com o Inverno europeu. A partir de agora é boa altura para ir. O pino da estação estival é Fevereiro.


O que deve saber

FORMALIDADES Para o Brasil, apenas é necessário o passaporte.

IDIOMA Toda a gente sabe que no Brasil se fala português, mas, por favor, não complique as coisas falando demasiado depressa, fechando muito as vogais ou "exigindo" que os interlocutores percebam as expressões que não são correntes entre eles, como por exemplo "autocarro" em vez de "ônibus". A propósito de "perceber": não use este verbo; diga antes "entender".

MOEDA A actual divisa brasileira é o real. A cotação é de cerca de um terço do euro. Para facilitar as contas rápidas de cabeça para pequenas despesas, um real equivale a 60 e poucos dos velhos escudos.

CLIMA Tropical, ou seja, quente e húmido. Quem não conhece os trópicos pode julgar que lá o céu é sempre azul, como na região mediterrânica. Engana-se: em regra é esbranquiçado.

DIFERENÇA HORÁRIA Nesta altura do ano, menos três horas do que em Portugal continental.

PRECAUÇÕES Embora não se trate de uma regra de oiro, não é muito aconselhável beber água da torneira fora das principais zonas urbanas europeias e norte-americanas.


Para dormir (e comer)

A Costa do Sauípe possui cinco hotéis e seis pousadas. Os primeiros, administrados pelas cadeias hoteleiras mundiais Accor, Marriott e SuperClubs, são os seguintes (indicando-se entre parêntesis os números telefónicos das respectivas centrais de reservas): SuperClubs Breezes Costa do Sauípe (08007020203); Costa do Sauípe Marriot Resort & spa (08007031512); Renaissance Costa do Sauípe Resort (08007031512); Sofitel Costa do Sauípe (08007037003); Sofitel Suites Costa do Sauípe (08007037003).

O SuperClubs Breezes Costa do Sauípe foi o primeiro hotel no Brasil com sistema Super-Inclusive, em que todos os consumos, sem limite, estão incluído na diária: alimentação nos cinco restaurantes e bebidas nacionais e importadas nos seis bares, além de entretenimento diurno e nocturno.

As pousadas, com arquitectura e decoração inspiradas no Nordeste brasileiro, e todas com piscina própria, são temáticas: Pousada Agreste: evocação do sertão nordestino.

Pousada Aldeia: reconstituição de uma vila de pescadores.

Pousada Torre: evocação do Castelo Garcia d'Ávila, na Praia do Forte (ver texto pricipal).

Pousada Carnaval: inspirada no Carnaval da Bahia, com os seus trios eléctricos.

Pousada Pelourinho: evocação do bairro histórico do Pelourinho, em Salvador.

Pousada Gabriela: homenagem à obra de Jorge Amado. O número da central de reservas comum a todas as pousadas é o 08007074004.


Para actividades de lazer

A Costa do Sauípe dispõe de: Centro de Ténis: 15 courts de ténis, 4 de paddle e 2 de squash.

Golf Links: 66 hectares e 18 buracos; aulas e aluguer de equipamentos.

Centro Polidesportivo: futebol de salão e de praia, voleibol de praia.

Centro Equestre: mais de 70 cavalos, para passeios nas matas, nas dunas e na praia.

Centro Náutico (na lagoa artificial da Vaca Tonta): remo, canoagem, caiaque, gaivotas, mota de água, body board, pesca, etc.

Kid's Club: actividades para crianças.

Existem aulas e aluguer de equipamentos (e, em alguns casos, venda) para a prática de todas as actividades.


Para compras

A aglomeração comercial designada por Vila Nova da Praia reproduz o clima de uma pequena localidade do interior baiano. Possui diversos restaurantes, boutiques, barzinhos, banco, correio, lojas de artesanato e decoração, agências de viagens, etc.

Efectuam-se diariamente espectáculos de diferentes estilos musicais e com a presença de nomes consagrados do mundo do espectáculo, como Margareth Menezes, Olodum, Gil, Araketu, etc.

O Centro Ecuménico, projectado segundo as recomendações da comunidade Taizé de Alagoinhas, reverencia o sincretismo religioso baiano mas permite aos hóspedes do resort cultivar as suas crenças, possuindo elementos que simbolizam os diferentes cultos.


Para mais informações


Além do já indicado site www.costadosauipe.com.br , pode ser contactada por telefone todos os dias, incluindo sábados, domingos e feriados, entre as 8 e as 20 horas locais (11 e 23 horas em Portugal continental, não esquecer), a Central de Relacionamento da Costa do Sauípe. O serviço pode ser utilizado para obter informações sobre hospedagem e período mais adequado em função da agenda de eventos culturais e desportivos, entre outras, além de funcionar como um atendimento ao cliente.


 

Publicado na edição número 9 da Revista Rotas do Mundo, de Dezembro de 2005

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