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Gestão de Fraude

Corrupção, Dívida Pública e as Garantias dos Políticos (e equiparados)

Mais uma crónica da secção Gestão de Fraude, desta vez da autoria de Glória Teixeira

11:18 Quinta feira, 8 de Abr de 2010
Corrupção, Dívida Pública e as Garantias dos Políticos (e equiparados)

Em Portugal, e na grande maioria dos países pobres ou subdesenvolvidos, escolher ou ter a sorte de exercer uma profissão de político (deputado, vereador, etc.) é melhor do que ganhar o euro milhões.

Se perguntarem a qualquer estudante universitário português o que querem ser quando forem grandes, a resposta é unânime: querem ser políticos. E de facto, presentemente em Portugal, é a melhor carreira ou profissão que se pode desejar pois são muitas as garantias e direitos e poucas as obrigações.

Se conseguirmos o apoio de um amigo influente, podemos iniciar a nossa carreira de deputado bem jovens, com um salário líquido de aproximadamente 4000 euros e ter direito a uma reforma por inteiro, após 8 anos de permanência nominal ou efectiva na 'cadeira' de deputado. De facto, melhor ainda que ganhar o euro milhões é possuir uma reforma certa e por inteiro aos 30 anos de idade e pode gozar a vida à custa do Orçamento de Estado português.

Partindo desta garantia básica, 'constitucionalmente protegida', de direito a pensão antecipada e apenas com meia dúzia de anos de trabalho efectivo (por vezes o número ainda é mais baixo), avançamos para outro tipo de garantias e direitos cuja listagem seria sempre incompleta e portanto limitamo-nos a indicar algumas:

a)      Ausência de regulação (não existe nenhuma entidade reguladora à semelhança das outras profissões);

b)      Ausência de avaliação de desempenho e apenas recentemente se iniciou o controlo de faltas (na minha última visita à Assembleia da República com os meus estudantes do 2º ano de Direito, constatei que 2/3 dos deputados liam jornais ou conversavam descontraidamente entre si...);

c)       Suspensão por tempo indeterminado dos contratos a que estivessem vinculados, se ligados à função pública, podendo regressar quando muito bem entenderem ou forem despedidos pelos 'barões' do partido, antes do prazo de atingirem a 'idade legal de reforma para políticos', etc. etc.

A lista seria extensa e o artigo tem de ser curto e portanto passo de imediato para as consequências ao nível de dívida pública.

Os trabalhadores portugueses, leia-se todos aqueles que não tiveram a sorte de serem políticos e portanto têm de trabalhar de 'sol a sol', sem garantias de uma reforma aos 70 anos, ouvem todos os dias dos políticos a defesa da 'Política da Verdade, Política do Sacrifício'. Apesar dessa política, a dívida pública não cessa de aumentar e a produtividade a diminuir: quem trabalha, tem cada vez menos vontade de trabalhar, e sonha com a sua hora: 'a hora do político'.

Recentemente muitos e variados comentários e críticas legítimas se têm ouvido a denunciar este estado de desigualdade, discriminação e corrupção.

É manifestamente inconstitucional e ilegal tratar desigualmente e discriminar os trabalhadores, conferindo garantias desproporcionais e abusivas a determinadas categorias de contribuintes. Em nenhum país civilizado os políticos têm direitos e prerrogativas como as que existem em Portugal, sendo escandaloso e apelidadas de corruptas, internacionalmente, as leis que conferem aos políticos reformas antecipadas bem como garantias do tipo acima enunciadas.

Sabem os contribuintes os custos passados e futuros para os cofres do Estado com as 'reformas antecipadas' dos políticos?

A injustiça é de facto flagrante quando o sistema começa, e bem, a ser impiedoso com as reformas antecipadas injustificadas.

Publicam-se listas de devedores ao fisco e à segurança social e pergunto-me se, em justiça e em defesa da verdade contributiva, não deveria publicar-se também a lista dos políticos (ou outras categorias de contribuintes objecto de favorecimento económico) a quem são atribuídas pelo Estado reformas antecipadas. Igualmente, a listagem de outros contribuintes a quem são atribuídos casuisticamente benefícios fiscais (contratos fiscais) deveria constar dos sítios da DGCI e DGAIEC.

A eliminação destas e outras garantias contribuiria para elevar o país e reduzir a dívida pública bem como aumentar a produtividade. O mau exemplo da classe política reflecte-se na restante sociedade e enfraquece o melhor e mais motivado trabalhador ou instituição.

Uma classe política competente e experiente gere bem um país e não o empobrece sistematicamente como acontece no caso português. Aqui, temos políticos (ou amigos de políticos) incompetentes, em demasia, a ocupar todo o tipo de chefias na administração pública, ministérios e empresas públicas ou participadas pelo Estado e o resultado está à vista: má gestão, dívidas sobre dívidas, desacreditação da justiça e novos casos de corrupção. Os políticos (ou amigos de políticos) estão em todo o lado que implique poder ou pagamento de excelentes vencimentos ou regalias. Saímos de uma ditadura e entramos noutra e o povo português permanece pobre. Ninguém tem dúvidas do contributo da União Europeia para o nosso desenvolvimento actual.

A classe política não deveria estar acima da Lei mas sujeita às mesmas regras dos restantes trabalhadores, em respeito pelos princípios da legalidade e igualdade. Estes princípios, nas situações aqui descritas, têm sido sistematicamente violados e pergunta-se se não teremos nós, contribuintes e trabalhadores, o direito a ser compensados pela discriminação a que temos estado sujeitos. Este argumento pesaria contra a arma 'da proibição da retroactividade da norma mais desfavorável' ou 'proibição da eliminação de direitos adquiridos' cuja insustentabilidade é por demais evidente. Leis corruptas devem ser eliminadas ou objecto de controlo pelas instâncias competentes. Tal não tem acontecido no caso português e por isso pagamos todos - incluindo também os políticos - uma factura cada vez mais elevada: a nossa esperança média de vida é inferior à dos países mais desenvolvidos da Europa (nestes, em média, os cidadãos vivem com qualidade até aos 85 anos de idade), possuímos mais doenças crónicas, vivemos com mais 'stress' e não temos direito a uma assistência social digna na infância, na adolescência, na invalidez ou na velhice (mesmo aqueles com 'reforma antecipada garantida').

Palavras-chave   Gestão de Fraude
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Eles são os maioes......
Maria Trindade (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 12:31 | Quinta feira, 8 de Abr
Esta crónica confirma o que todos nós cidadãos vimos a observar há vários anos, mas escrito assim numa revista de prestigio é outra coisa,esperemos que aqueles que ainda tem dúvidas em relação á classe politica acordem e pensem que temos de acabar com este escandalo. As leis devem ser iguais para todos, sendo os politicos funcionários publicos com mais responsabilidades, deviam estar enquadrados na Função Pública, e não terem criado o seu próprio estatuto de excepção que arruina o erário público, com o inconveniente de não merecerem as benesses porque governam mal
não defendem os interesses dos cidadãos e levam o pais á ruina, metade dos deputados da assembleia da republica cumpririam as obrigações do parlamento e poupava-se dinheiro ao pais.Tem de se criar uma nova mentalidade quem vai para a politica é um servidor público e não aspirante a milionário.
A política da verdade...
m.matos (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 18:23 | Quinta feira, 8 de Abr
Com o meu completo acordo a esta crónica esclarecida e bem escrita, que salienta o que desde há muito venho comentando noutro sector, só me resta apoiar todo o seu conteúdo pleno duma sagaz perspectiva da nossa incapacidade governativa.

É que enquanto estivermos a ser governados pelo actual regime político, estruturado na endémica base programática e ideológica dos partidos com assento no parlamento, a menos que se dê uma patriótica mudança do seu sistema, para uma genuína e franca tendência para a nossa idiossincrasia nacional, jamais conseguiremos movimentar as forças vivas da Nação para um projecto de unidade e de projecção com vista a uma sociedade mais justa e de necessária equanimidade.

As teorias importadas, tantas vezes contrárias à nossa forma de pensar e de sentir, desloca-se para uma irrealidade quanto às nossas congénitas inclinações sócio-económicas, normalmente desaproveitando o que de melhor se poderia fazer nos diversos ramos de actividade; tudo por uma falta de organização eficiente, honesta e responsável, nos diversos sectores e dependências do Estado.

Claro que por incidência, todos os restantes níveis quer públicos quer privados, da nossa sociedade vêm a sofrer da mesma enfermiça inoperância.

Esta crónica vem portanto, constituir uma boa contribuição, para trazer um alerta às personalidades que usufruam ou venham a usufruir do poder que a possam concretizar.
Não são só os deputados
mmmota (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 18:40 | Quinta feira, 8 de Abr
Cara Glória Teixeira,

Muitos parabéns, e o meu obrigado por este artigo que coloca a descoberto um conjuntos de benefícios de alguns político que são autenticas injustiças socias.

Concordo com tudo o que disse mas o problema maior talvez nem seja os dos deputdos apesar de ser muito grave! Na minha opinião existem todo um conjunto de outros políticoscom benefícios que representam um ónus muito elevado para a nação sem que por eles seja produzida qualquer contrapartida com valor económico significativo, a saber:

a) o elevado número de acessores, adjuntos e sei lá o que mais, que cada ministro, secretário de estado, presidente da Cãmara etc., tem que não fazem absolutamente nada recebendo um bom salário.

b) O conjunto de consultores, muitas vezes sem qualquer experiência para o serem, que orbitam á volta da cúpula de todos os organismos públicos.

c)O compadrio que se gera durante o permanência dos políticos nas funções públicas e que depois lhes permite o acesso a cargos no sector privado

d) a corrupção generalizada ( num relatório publicado hoje fal-se dissso evidenciando-se a sua incidência nas autarquias - desde o presidente ao porteiro!)

Enfim, tudo isto (naturalmente as reformas anteciadas dos deputados também) tem associado um custo para o país que depois é suportado pelos contribuíntes e um impacto negativo no nosso indice de produtividade.

Se toda esta gente fizesse um trabalho com valor económico o país seria outro.

Talvez desenvolvido..
opinando a propósito
Zé Cravinho (seguir utilizador), 2 pontos , 21:18 | Quinta feira, 8 de Abr
Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho
(86anos),concordo absolutamente com a autora desta crónica.
A propósito de reformas direi que quando atingi os 70 anos,pedi à
Caixa Geral de Aposentações a minha pequena pensão de velhice a
que tenho direito e ela foi-me negada por eu ter perdido a nacionalidade portuguesa,e isto baseado num Decreto de 1972,ano em que obtive a nacionalidade holandesa.Eu vendi ao estrangeiro a
minha fôrça de trabalho,mas não vendi a minha alma que continua
portuguesa até à morte.Os que desgovernam Portugal é que vendem ao Estrangeiro,os interêsses portugueses.Eu vim p'rà
Holanda com 40 anos de idade e para assegurar aqui a minha permanência,resolvi pedir a nacionalidade holandesa.Eu não perdi a nacionalidade portuguesa,Êles,os fascistas é que m'a tiraram.
Os Governos turco e marroquino,não retiram a nacionalidade aos seus súbditos,mesmo que êles adquiram outra nacionalidade.Quanto
às Reformas,pois se a idade é aos 65 anos,deve ser para todos os cidadãos de qualquer categoria social,excepto se por motivo de
doença ou incapacidade física confirmada pelos Médicos,é que
poderão ser antecipadas.Porém,todavia,contudo....
Com populismo e demagogia,
muita mentira,verdade parece,
mas em liberdade e democracia,
o Povo tem o Governo que merece.
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