A última edição do "Sol" revela as conversas decorridas no final de Junho entre Fernando Soares Carneiro, administrador da PT em representação do Estado, e Armando Vara, ex-vice-presidente do BCP, sobre negociações de bastidores envolvendo a emissão de obrigações pelo BCP ("perpétuas", como são referidas nas escutas).
O empréstimo destinava-se a garantir liquidez àquele banco e a financiar o plano para o controlo dos meios de Comunicação Social, designadamente através da compra, pela PT e pela Ongoing, da TVI e do "Correio da Manhã".
O BCP preparava-se assim para substituir a Caixa Geral de Depósitos (CGD) como banco financiador, já que, segundo Soares Carneiro, o banco público "não está a ajudar", apesar de inicialmente ter dito que "daria apoio".
O interlocutor na CGD era o administrador Jorge Tomé que, mais tarde, em Outubro, viria a demitir-se das funções que exercia na PT, em ruptura com Soares Carneiro. Em causa, estava a aplicação de dinheiro do Fundo de Pensões da PT na Ongoing, seu accionista. A VISÃO traçou então o perfil dos protagonistas dessa polémica.