Visão - Homepage
Faça aqui o seu
Subscreva dos feeds RSS da visão.pt
RSS
Assinaturas: Papel | Tablets e Vouchers | Digital
Convite aos Leitores: Deixe aqui a sua Opinião
Página inicial  >  Actualidade  >  Sociedade  >  Como eles se (des)gostam

Futebol - Liga Sagres

Como eles se (des)gostam

Domingos Paciência e Jorge Jesus vão lutar pela liderança do campeonato. Será um mata mata pessoas, entre dois homens que fazem questão de hostilizar. Uma guerra à margem dos escaldante Sporting de Braga-Benfica deste sábado

Miguel Judas
15:30 Sexta, 30 de Outubro de 2009
Partilhe este artigo:
Como eles se (des)gostam

Na apresentação do plantel do Braga para a presente época, o treinador Domingos Paciência, 40 anos, atirou a primeira pedra: "Esta equipa pode fazer mais e melhor." Jorge Jesus, 55 anos, o técnico visado, que se transferira para o Benfica, não ofereceu a outra face. Semanas passadas, diria não estar surpreendido com a liderança do Braga na 1.ª Liga, uma vez que fora ele a escolher o plantel. Domingos acusou, então, o colega de estar com "estratégias para desmoralizar a equipa", que considerou "ridículas". Depois, veio o episódio da contratação, para a Luz, do futebolista do Braga César Peixoto. O jogador, alegadamente, terá recebido um telefonema de Jorge Jesus, a convencê-lo a mudar de campo. Enfim, fora das quatro linhas, já está em ponto de rebuçado o Braga-Benfica do próximo sábado, 31, jogo que vale a liderança do campeonato.

Em 1991, quando Jorge Jesus conseguiu o primeiro feito da sua ainda curta carreira de treinador, ao fazer subir o modesto Amora à Liga de Honra, Domingos Paciência era já um dos maiores craques do principal campeonato português, como avançado do FC Porto. A exemplo de outras glórias dos dragões, mesmo depois de ter pendurado as chuteiras há quase uma década, Domingos Paciência não se livra da imagem de um técnico à Porto. Na segunda época como treinador da União de Leiria, e após ter derrotado, por 1-0, o clube onde viveu quase toda a carreira de futebolista, foi parco em festejos. Mas a surpresa maior surgiu no final da partida, quando afirmou não ter visto uma entrada dura de Quaresma, a então estrela portista, sobre um jogador leiriense, junto do seu banco, por estar "a olhar para o chão". Duas semanas depois, contudo, não teve pejo em atirar-se ao árbitro de um jogo na Luz, após ser derrotado pelo Benfica.

Foi, de resto, da forma mais azul e branca possível que Domingos Paciência iniciou a carreira de técnico: a treinar os escalões de formação do FC Porto, primeiro, e, depois, a então recém-criada equipa B. Em 2006, foi convidado por João Bartolomeu, presidente da SAD da União de Leiria, para se estrear na 1.ª Liga, onde deixou boas indicações. E, a seguir, assumiu o comando da Académica, onde permaneceu dois anos, levando o clube ao 7.º lugar, o que não sucedia há décadas. Pelos resultados e também pelo futebol praticado, Domingos conquistou o coração dos adeptos da Briosa, que chegaram mesmo a lançar uma petição para que ficasse mais um ano. Entre os atletas que com ele já privaram, as opiniões são maioritariamente positivas. O médio Nuno Piloto, por exemplo, evoca um técnico "muito meticuloso", que "conseguiu criar um notável espírito de grupo". O futebolista, agora ao serviço dos gregos do Iraklis, destaca, também, a metodologia de treino, "com sessões curtas, mas muito intensas".

Do esquecimento ao topo

Jorge Jesus é outra história. À excepção de uma fugaz passagem, como futebolista, pelo Sporting (ver caixa), não deixou grandes recordações. Já como treinador, agigantou-se. À prometedora estreia com o Amora, seguiu-se o Felgueiras, que, sob o seu comando, subiu à I Divisão - feito que viria a repetir, mais tarde, com o Setúbal. Após algumas épocas esquecido na II Divisão, regressaria ao escalão principal, em 1998, substituindo Fernando Santos, no Estrela da Amadora. Os dois oitavos lugares que então conseguiu elevaram--no, de vez, a treinador de topo, lançando jogadores como Miguel ou Jorge Andrade. Este último, defesa-central, lembra--se bem de Jesus: "Apanhei-o na minha segunda época de sénior e a primeira coisa que me disse foi que não sabia defender. Pôs-me a jogar no meio-campo e a verdade é que evoluí bastante." Agora com 31 anos, Jorge Andrade recorda os "métodos de trabalho muito avançados" de Jesus, aliados a uma "extrema exigência" nos treinos. "Um jogador que não tenha mentalidade forte não funciona com ele", diz. Jorge Andrade acompanha a carreira de Jorge Jesus - mas já com poucos contactos pessoais. "Agora que está no Benfica", afirma, divertido, "é mais difícil falar com ele; se calhar, ficou mais vaidoso..."

Amigo pessoal do treinador do Benfica, o presidente do Amadora Clube de Futebol (antigo Estrela) refuta o mau feitio que é apontado a Jesus. Para José Luís, 38 anos, o técnico apenas "é muito exigente e competente e, por isso, não admite falhas ". A maioria dos jogadores que Jorge Jesus treinou dão-lhe razão. José Pedro, capitão do Belenenses, é um deles: "Na primeira época, ficámos em 5.º lugar, fomos à Taça UEFA e chegámos à final da Taça de Portugal. Foi a minha melhor temporada. A nível táctico, é dos melhores com quem trabalhei. Fazia uma média de quatro golos por época e, desde então, passei a marcar o dobro. Uma vez, disse--me que tinha pena de não me ter conhecido mais cedo. Eu também tenho..."

O médio, de 31 anos, destaca também a relação de Jorge Jesus com os jogadores: "É muito emotivo nos treinos - havia colegas que estavam sempre com as orelhas a ferver [risos]. Mas, depois de uma derrota, por exemplo, é muito meigo - entende a nossa frustração." A obsessão pelo trabalho é outra característica apontada a Jesus. "Lembro-me de que, ao domingo, mal acabava o jogo, já tinha um DVD com o adversário da jornada seguinte", diz José Luís. Mas a verdade é que o actual técnico do Benfica tem angariado anticorpos em colegas de profissão. Augusto Inácio, por exemplo, treinador da Naval, diz que Jesus é "um bom treinador e um mau homem". José Luís, o amigo, contrapõe: "Nesta altura, até o Benfica começa a ser pequeno para ele."

Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
 
 
Aumentar texto  Aumentar texto Diminuir texto  Diminuir texto ImprimirImprimir Enviar por emailEnviar por email
Partilhe este artigo:
 
 
1 comentários
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Domigos +(mais) / Jesus - (menos)
navegador (seguir utilizador), 1 ponto , 17:35 | Sexta, 30 de Outubro de 2009
Domingos Paciencia pode não ganhar o jogo, mas efectivamente o seu perfil é muito mais consistente.Pessoalmente considero que Domingos Paciencia é profissionalmente muito competente.
O Braga é uma equipa que se vem intrometendo no seio dos ditos grandes.
Não sendo adepto de nenhuma das equipas, julgo que se o Braga marcar primeiro... o Benfica pode perder. Tudo depende da forma como os Bracarenses vão abodar o encontro e como se vão portar os elementos da equipa de arbitragem... sempre tão amigos dos ditos grandes. O Benfica tem nesta altura, maiores hipoteses...
Jorge Jesus é um bom treinador... ( com niveis de comportamento de baixo valor). Falta - lhe humildade, desportivismo e solidariedade humana, além de espelhar uma vaidade que o vai desgastando...
Importa dizer que está tudo em aberto ... e se tivesse de apostar, assinalava um X ( de empate)
A verdade é que o campeonato está no inicio... e o futuro não é claro.
Acredito que até Janeiro a classificação vai sofrer alterações e são os ditas equipas médias e pequenas, que vão provocar dissabores aos 3 primeiros da actual tabela de classificativa.
Refira-se que alguns meios de comunicação (bem como comentadores e jornalistas) tentem levar o Benfica ás costas ...
Estamos aqui para ver...
1 comentários
Página 1 de 1   
PUB
 
Grupo ImpresaACAP