Como chegaram a Portugal os primeiros relógios portáteis
Em 1484, Martinho da Boémia (Martin Behaim) chega a Portugal. É da sua autoria um globo construído em Nuremberga que contém com bastante pormenor a costa ocidental africana.
Mas não é do mais conhecido dos Behaim que vamos falar. Somos defensores da tese de que a família Behaim teve uma importância crucial para a história do Tempo e da Relojoaria em Portugal.
A família Behaim era proveniente da região de Schwarzbach (Boémia), embora se tenha radicado em Nuremberga no século XIII, passando os seus membros a serem conhecidos pelos Behaim (boémios).
Está documentado que havia relações comerciais intensas entre Lisboa e Nuremberga nos séculos XVI e XVII. Entre as mercadorias que os Behaim compravam em Lisboa havia presas de marfim, trazidas pelos portugueses da costa de África. Esse marfim era depois expedido para Nuremberga, já na altura um importante centro de produção de instrumentos científicos, e usado no fabrico de relógios de sol, ampulhetas, etc.
Em Janeiro de 1507, por exemplo, Michael Behaim, irmão de Martin, escreveu de Nuremberga a outro seu irmão, Wolfgang, sediado em Lisboa, agente ou sócio comercial da família Hirschvogel, igualmente daquela cidade.
Na sua carta a Wolfgang, Michael fazia notar que a bússola que um tal Erhard Etzlaub estava a fazer seria entregue dentro de três a quatro semanas, sendo depois enviada para Lisboa. Wolfgang, o mais novo dos Behaim, tinha chegado à capital portuguesa alguns anos depois de Martin, mas morreria a 20 de Março de 1507,ainda em Lisboa, quatro meses antes do irmão.
Para uma História da Relojoaria em Portugal, o seu testamento revela-se um elemento precioso. "Schlagurlein" - relógios despertadores - são mencionados entre os artigos que tinham pertencido a Wolfgang. Como tinha deixado dívidas, os relógios tiveram que ser vendidos, para as pagar.
Os relógios a que se refere o testamento são os famosos "Ovos de Nuremberga", pela primeira vez instrumentos portáteis e mecânicos de medição do tempo, inventados poucos anos antes pelo seu conterrâneo Peter Henlein.
É, segundo as pesquisas que temos efectuado, a primeira vez que se encontra referência a este tipo de objectos em território português.