Viseu, 04 fev (Lusa) - António Borges Silvestre não esquece os tempos áureos da Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, distrito de Viseu, mas aos 92 anos já não tem esperança de a ver transformada num museu dedicado ao cônsul Aristides de Sousa Mendes.
"Estavam mais tempo no estrangeiro do que cá, mas quando vinham era uma gente que respeitava todas as classes. O pobre e o rico para eles todos tinham quase o mesmo valor", recordou à agência Lusa o idoso, referindo-se aos tempos em que o cônsul passava férias na companhia dos 14 filhos e da primeira esposa.
O cônsul que em Bordéus (França), em 1940, salvou milhares de refugiados do Holocausto acabou na miséria depois de Oliveira Salazar o ter "castigado" por não cumprir as suas ordens, expulsando-o da carreira diplomática, mas António Borges Silvestre prefere lembrar os "tempos de luxo", como o do casamento de uma das suas filhas.