Se o ser humano é, como tem sido entendido, uma criatura de hábitos (D Hume) então, é desde a infância que lhe têm de ser incutidos os bons hábitos: pelo seio parental e pela escolaridade da comunidade.
Se é assim, e parece que há um consenso alargado sobre esta questão, porque há bullying? Porque o seio parental não cumpre a sua missão? Porque a comunidade cuida que assim seja e não dá bons exemplos? Deve ser nestas perguntas que reside o cerne do problema: as comunidades não cuidam ou não querem cuidar dos seus cidadãos. Não faz parte da sua cultura efectivar a assimilação de todos os seus elementos sem restrições, embora clamem o contrário. Falta-lhes esse chamar a si, o atrair pelo lado positivo o interesse latente nos cidadãos por serem melhores. Todo o homem - as poucas excessões só confirmam a inferencia - quer ser se não o melhor pelo menos melhor.
Esta tendência é imanente de toda a natureza. Mesmo de todo o Universo onde ela está inserida. Darwin, quando defende a evolução natural, e aceite pela comunidade cientifica mundial, está exactamente a dizer isso: toda a natureza tende a melhoar a aperfeiçoar-se. Leiam-se as descobertas arqueológicas onde as diversas ciências veêm um evolucionismo no sentido da melhoraria as espécies.
Portanto, o que é que está errado na civilização que não conseguiu ainda superar a questão da educação? Dolorosa lacuna das sociedades hodiernas que apesar de reconhecerem a importância da educação para a felicidade dos povos, pouco sucesso tiveram. Talvez porque não se tenham esforçado o suficiente?
As sociedades sempre pretenderam perpectuar-se como poder - como autoridade disciplinadora e controladora dos bens que a natureza gratuitamente disponibiliza aquem sabe cuidar dela - e, talvez por isso, mal concedem soluções que incluam a liberdade, a igualdade e a fraternidade entre os cidadãos. Procuram antes escalonar os povos em hierarquias de poder económico, não em hierarquias de saber.
Que fazer, então? A resposta parece relativamente simples: conceder aos cidadãos meios concretos que facilitem a evolução natural para o melhor e não normas que obstaculizem esse movimento. Por exemplo: providenciar que todas as familias tenham meios que possibilitem a sua estruração e união numa residência, aspecto decisivo para desenvolver a harmonia entre os membros e criar assim um ambiente favorável à aprendizagem dos jovens. Permitir o livre acesso a todos os níveis do ensino. Organizar os meios de produção para satisfazer as necessidades dos cidadãos de maneira a todos terem uma ocupação.
Tudo isto é possível. Basta fazer as contas e ver como o PIB criado se justamente repartido satisfaria todos os cidadãos. E ainda sobrava muito.
Enquanto assim não for, bem podem continuar a bradar aos quato ventos... uns clamando contra a miséria e o abandono a que o sistema os lança, outros clamando porque o excesso de que desfrutam ainda não lhes é suficiente.
O poder, entre estas duas clamações atende sempre os mais fortes...
Para ser educado é necessário ser rico? É a primeira pergunta que me ocorre.
Quantas famílias estruturadas, conforme o modelo que aponta no seu texto...são pessoas mal formadas e infelizes.
Já se apercebeu que nas familías pobres [e leia p.f. o comentário de hoje de mmota (17.16H)] faltou-lhes muita coisa, mas não a EDUCAÇÂO. Não a sua estrutura como família. Aliás este tipo de famílias costumam ser bem unidas e muitas vezes saem das famílias pobres grandes homens e mulheres que ocupam lugares relevantes na vida.
O dinheiro, o poder económico não tem nada a ver com educação.
Há quem tenha uma mesa feita com uma tábua colocada em cima de caixotes e onde a partilha de uma refeição é uma alegria, onde se ri, conversa e existe respeito.
Muita gente pobre trata os seus filhos com carinho e amor, dedica-lhes tempo, não grita com eles, não fala alto... e não precisa dinheiro para conseguir isso.
E os mais fortes nem sempre são os que tem mais moedas(mais poder aparente) ! Olhe que isso é um engano. Conhece palavras como solidariedade, união, laços de afecto que são mais fortes que as moedas dos ricos!
Abordou o problema do bullying. Mas não é por este prisma, a meu ver, que ele existe. É uma questão de valores, de educação.
Achei este artigo interessante mais pelo tema que aborda do que pela perspectiva em que o faz.
Naturalmente que a questão da capacidade económica e financeira das famílias se coloca sobretudo quando ela não consegue ser a necessária para satisfazer as necessidades básicas de uma família.
No entanto muito mais importante do que a capacidade económica de cada família ou a instrução (sim porque neste artigo se fala de instrução como se fosse educação) é a educação! Essa pouco tem a ver com a capacidade económica de cada família mas tem muito mais a ver com a educação dada em família e dada pela sociedade (televisão: vidé telenovelas, séries notícias ou exemplos: corrupção dos políticos, actuação dos responsáveis das instituições etc:). na verdade aquilo que ensinamos quer através do exemplo quer através da transmissão de valores e princípios é que está em causa. O aspecto ecomómico dificulta ou facilita esta tarefa (tenho dúvidas que uma boa capacidade económica seja significado de boa educação!).
Eu tenho 7 irmãos (48 anos) e viviamos de uma pensão de reforma de um policia, não foi por isso que nos faltou a educação. Nem todos tiiraram um curso superior? sim é verdade, não pudemos ter todos a instrução desejável MAS NÃO NOS FALTOU A EDUCAÇÃO!
Talvez estejam a pensar que não tinhamos assim tantas dificuldades económicas... pois uma sardinha dava para 2 ou 3, conforme os dias, e um tigela de sopa complementava o jantar...
Parece-me surreal essa sua descrição das famílias disfunicionais a serem enviadas, como se de cobaias se tratassem, para uma residência cujas específicações não referiu, mas onde certamente haveria no hall de entrada (sim, teria um hall de entrada) uma mesinha de apoio onde repousaria um maço de notas de 100€ (será que chega, 200 talvez?).
O problema da educação em Portugal, não passa pela literacia ou numeracia. Está sim ligado à consciência relacional das pessoas e de pouco adianta estendermos o ensino gratuito a todos e a tudo, quando os estudantes, os jovens, futuros adultos, não crescem emocionalmente, vindo muitos deles a tornar-se em pobres pais. E digo pobres não porque o Estado ou a riqueza da sociedade em que vivem está mal distribuída, mas pobres porque não viveram, não amadureceram, não se demoraram nas tramas da adolescência, não conviveram com a diferença, e quantos! não tiveram tempo sequer para serem crianças.
Concordo consigo quando diz que as pessoas são precipitadas e vehementes no julgamento dos outros, que os pais que acusam o sistema, são os mesmos pais que constituem o sistema. No entanto esta sua solução harmoniosa da justiça económica que tudo cura, como se a própria contemplação da prosperidade tornasse os mais incivilizados em pessoas de aprazível afabilidade, parece pertencer à compilação das mil e uma noites.
Dignidade e bom senso, não estão cotados na bolsa, e pobres são mais nobres do que qualquer metal.
O bullying escolar é uma realidade que se instalou na sociedade moderna aquando da liberalização dos sistemas escolares. Passamos pelo período "ditadorial" em que todas as acções dos alunos (púpilos então) eram supervisionados pelos adultos, mesmo no recreio, em que era feita uma separação, tendo como base o género e o escalão social. Modelo que correspondia ao socialmente imposto e exigido. Depois da liberalização dos comportamentos sociais e individuais, o bullying é uma realidade decorrente, a meu ver, não só da decadência de determinados valores, mas do alto nível de concorrência instalado na sociedade, da necessidade de se afirmar perante o próximo para se ser aceite.
Quem pratica bullying até pode ter tido uma edução exemplar e em contexto familiar (ou outros) não apresentar qualquer tipo de violência.
É uma realidade a ser analisada. Vejam o filme "Seize the Day" onde este assunto é muito bem retratado.
Quando escreve no seu comentário que os ilustres opositores que discordaram de si e desistiram de continuar a dirimir os seus argumentos....
Terá questionado a razão?
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Não posso responder pelos outros comentadores, que nem conheço, nem posso adivinhar as razões deles.
Mas posso dizer-lhe a minha:
É que num diálogo, mesmo escrito... a forma, a diplomacia com que usamos as palavras é muito importante.
Para defender o seu argumento... deverá usar o respeito pelos outros. Respeito no trato, na forma como tentou impor os diálogos.
Escreve que vai publicar o exemplo do que se faz na Finlândia, transcrevendo um testemunho vivo...
Deveria antes de mais analisar as assimetrias entre um país como a Finlândia e Portugal. Deveria falar de quanto ganha um trabalhador na Finlândia, o sistema de educação, de protecção social, tudo...o sistema de ensino e aí sim teriamos concerteza um artigo e um debate de ideias interessante.
Repare como termina o seu comentário: "por aqueles que se arvoram em defensores dos portugueses e do país.
Sabe por muito mau que seja o país é aqui que a maioria das pessoas que comentaram o seu artigo vivem. É aqui que trabalham. Foi aqui que estudámos. É aqui que educamos os nossos filhos. Não nos podemos "todos" mudar para o País dos nossos sonhos...
O estilo do seu último comentário tornou-e mais provocador, talvez esteja convencido que isso lhe dá razão ou superioridade sobre as pessoas que comentaram o seu artigo.
Essa arrogância intlectual não lhe traz só por si qualquer vantagem antes pelo contrário.
Por outro lado também não é dessa forma que consegue manter o interesse das pessoas que estão evntualmente interessadas em comentar os temas que partilha connosco.
Discordo do que pretende transmitir no seu artigo. Se fiz boa leitura do que escreveu, penso que educação nada tem a ver com poder económico nem com formação.
Ilustres opositores discordaram, legitimamente, dos pontos de vista que desde o meu lugar defendi convictamente. De tal modo que desistiram de continuar a dirimir os seus. Como democrata (no seu sentido mais amplo hoje raramente utilizado) tenho o maior prazer em levar ao conhecimento dos interessados o exemplo do que se faz na Finlandia em matéria de ensino escolar. O curto espaço concedido neste forum não me permite transcrever um testemunho vivo e identificado de 1500 palavras . Quem estiver interessado envie-me mensagem para emsf70@gmail.com. De qualquer modo e para os mais indecisos tentarei publicar aqui, se me for permitido, aquele testemunho em partes, de modo a todos lhe terem acesso. Não se vão arrepender. Afinal tudo se pode fazer quando o dinheiro não é mal gasto por aqueles que se arvoram em defensores dos portugueses e do país.
Cara Sara, depois de vários textos meus ainda não reparou no género masculino dos mesmos? Voltei porque cita como medida de avaliação algumas diferenças entre a Finlandia e Portugal, como os salários. Mas é essa a razão das nossas trocas de textos! A razão está na escolaridade! E também na alma latina. Convido-a à leitura da história da Finlandia, por exemplo. Cito-lhe os nórdicos vickings: saiam a saquear as aldeias ao longo do Tamisa e quando voltavam espunham na sua aldeia todos os objectos do saque, para que todos soubessem dos bens recolhidos e a distribuição começava pelos alimentos e tecidos eplas mulheres, depois pelos artesãos das peças necessárias aos seus oficios, depois as armas e só no fim o capitão escolhia alguma coisa para ele. É claro que esposa já tinha lervado a sua parte. Mas repare-se na indiferença do 'chefe'. Ele tinha tudo, nao precisava de amontoar bens. Que fazem os latinos (falo destes que somos nós) ? Além de todos as mordomias, ainda acumulam bens inuteis, prédios, ouro, que deixarão quando morrerem. Esta a diferença que explica toda a prosperidade nórdica e a servidão latina. Não é um libelo contra os latinos é a análise fria dos factos. Temos coisas excelentes, mas infelizmente tanto excelencias como pobrezas. Toda a história dos povos mediterrânicos gira em redor da injustiça da partilha. Consultem-se as respectivas histórias.
Vejam-se os jazigos dos Prazeres: «túmulos bonitos por fora mas que só encerram podridão» diz na Biblia.
I.
Se há causa há efeito. Tal como se há vida há semente. Todavia, a semente só germina sob determinadas condições. Por isso a natureza que cria a vida e lhe determina as condições é, absolutamente, endogénica. Se este raciocínio está certo, então, é licito perguntar-se:
Neste sistema, onde se situa o fenómeno do bullying?
É um fenómeno humano endogénico e portanto natural? Ou, pelo contrário, é um fenómeno endogénico comunitário uma vez que a escola e a sociedade são exteriores a si e à natureza?
De facto, o ser humano cria muitos fenómenos não observados na natureza. A escola é um desses fenómenos. Construídos para a inclusão na comunidade contêm em si mesmos a possibilidade de desenvolver fenómenos tanto endógenos como exógenos.
Creio que o bullying é um fenómeno endogénico comunitário que começa na família e se estende pela escola e pela comunidade.
II.
Se considerarmos o bullying um fenómeno endogénico, onde cresce? Se o ser humano nasce ignorante de si e do mundo e que só pela aprendizagem se transforma em cidadão, é porque não traz consigo as sementes da agressão, do poder, do ódio e por diante. O sucesso da aprendizagem sobre de si e sobre o mundo é determinado pela abundância ou escassez das explicações recebidas sobre o significado dos fenómenos que observa e de como regular os impulsos e as sensações relativamente a eles. Uma vez absorvidos esses ensinamentos a que junta as tendências que o impulso de sobrevivência em debate permanente com a razão lhe vai dando, só posteriormente, pelo comportamento, se revelará o grau de harmonia alcançado. Portanto, não só não podemos colocar o bullying como fenómeno endogénico do ser humano, como a razão nos força a aceitar a origem exógena do mesmo.
Nota adicional: Metáfora de ‘Os Cinco Macacos’
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio da jaula, uma escada, e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para apanhar as bananas, um jacto de água fria era lançado em cima dos que estavam no chão.
Depois de um certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros pegavam-no e batiam-lhe seriamente. Com mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, da qual foi retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo já não mais subia a escada.
Um segundo macaco, veterano, foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e, afinal, o último dos veteranos, foram substituídos.
Os cientistas, então, ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse apanhar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam naquele que tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
"Não sei... Mas, aqui foi sempre assim..."
Seja o bullying ou outra manisfestação qualquer sempre há por detrás um a causa... O bullying é grave e deve ser tratado com seriedade.
Bom dia Sara. O meu trabalho é escrever. Não li o CM. Também não me estranha essa decisão, porque o poder, não cria, não edifica, não produz, só faz aquilo que sabe: penalizar.
O H congeminou esta sociedade a partir de um paradigma de muitos padrões, que todos os dias remenda… porque a pirâmide do poder é sagrada. Esta realidade é contrária ao anseio do Ser humano.
A questão primordial é saber portanto, qual a capacidade da pessoa em lidar com o fenómeno da realidade. Não é tão colorida como gostamos de pensar e por isso a religiosidade, que diria visceral: não me refiro a igrejas, mas ao sentimento inato que no H o move pró alto. Os indígenas tb se manifestam assim. Porquê?
Por ignorarmos o que somos e para que servimos. Esta a brutal realidade da metáfora dos macacos.
Os pilares da vida conhecida são três: procriação, alimentação e descanso. Pf investigue e diga-me em qual destas áreas o poder não penaliza.
Se a sociedade foi criada em benefício do ser humano, então, porque é tão injusta, frustrante e infeliz?
Porque só serve os interesses das castas da pirâmide. Este fim-de-semana o meu neto trouxe trabalhos da escola, cujo tema é a importância das hierarquias entre os gatos. Como é possível falar em hierarquias na natureza? Que escola temos!? Na natureza não há hierarquias nem castas, apenas UMA autoridade num bando e este dentro de cada uma das espécies!
Com estes ensinamentos qual é o objectivo da escola?