Esta é a altura do ano em que os portugueses, depois de um ano de trabalho (os que ainda têm trabalho), pegam nas suas economias (aqueles que não tinham o dinheiro em bancos que faliram), e vão agora de férias (aqueles que podem dar-se ao luxo de ter férias)
3:28 Quinta, 1 de Julho de 2010
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Esta é a altura do ano em que os portugueses, depois de um ano de trabalho (os que ainda têm trabalho), pegam nas suas economias (aqueles que não tinham o dinheiro em bancos que faliram), e vão agora de férias (aqueles que podem dar-se ao luxo de ter férias). E vão, de certeza, com a sensação de que deixam o País arrumado. O Presidente da República diz que a situação é insustentável. Um antigo Presidente e um candidato à Presidência dizem que ele não pode dizer que a situação é insustentável. O primeiro-ministro diz que estamos muito bem. A oposição diz que ele não pode dizer que estamos muito bem. Portanto, podemos ir de férias descansados. E esclarecidos.
A primeira tarefa do cidadão que começa a gozar o merecido descanso é pagar a não menos merecida sobretaxa de IRS sobre o subsídio de férias. O cidadão sabe, porque já lho disseram, que andou a viver acima das suas possibilidades, e por isso chegou a hora de pagar. O cidadão, que tem a mania das grandezas, pensou que podia viver à tripa-forra, num desses países modernos que premeiam os administradores das suas empresas com bónus milionários. Não, caro cidadão. Tudo isso lhe deu status e qualidade de vida, é indesmentível. Mas não é gratuito. Quem quer viver numa sociedade assim, paga.
A segunda tarefa é escolher um destino de férias. Tanto os destinos mais baratos, como uma semana com tudo pago nas Caraíbas, como os mais caros, como um fim-de-semana com meia pensão no Algarve, parecem excessivos para o seu orçamento. Uma hipótese é meter a família no carro e, como recomendou Cavaco Silva, ir para fora cá dentro. Uma opção que traz alguns problemas. Primeiro, há que meter gasolina, o que não é barato. Depois, talvez seja boa ideia comprar uma água e um papo-seco para a viagem. Mas com cautela, na medida em que o IVA sobre os bens essenciais subiu um por cento. Os milionários que tiverem dinheiro para depósito cheio e farnel poderão fazer-se à estrada, embora conscientes de que mais cedo ou mais tarde vão passar numa SCUT, daquelas que não eram pagas mas entretanto passaram a ser. Antes disso, num semáforo, ainda são capazes de topar com o ministro das Finanças com um chapéu virado ao contrário a pedir nem que seja a moeda mais pequena, em busca de receitas extraordinárias. Em princípio, depois de percorrer 50 quilómetros, o cidadão já não tem dinheiro e tem de voltar para casa. Essa é a terceira tarefa. Boa sorte.
... vá para fora cá dentro, ou seja, montem a tenda no jardim e gozem férias à português. Mesmo assim já será puxado para alguns!
Enquanto os políticos escolherão um bom hotel cinco estrelas, algures no Pacífico, longe das SCUT’s e preços com o IVA em vigor, apenas para economizar!!!
E já agora, aposto que sabem quem paga as viagens!?!?!?!
Ora bem. Afinal até é simples. Existe uma publicidade que dá no radio que explica bem o método. É caro viajar? É simples, fica-se em casa. Estica-se uma toalha na varanda, se tiver a sorte de ter uma ou estica-se no sofá a ver TV ou a consultar a web com uma cervejola das mais baratas de preferencia da marca de uma cadeia de distribuição. E está feito. Uma ferias excelentes por um preço minimo.
Também há sempre a hipothese de ir andar a pé ou de bicicleta pela vizinhança. Faz bem a saúde e reduz a barriga e faz crescer.
Há tanta coisa a ver perto das cidades ou no meio das mesmas. Basta ver o lado positivo da coisa. Não há stress e pode-se gozar com os trabalhadores stressados ao volante.!! Hé Hé.
As verdades estão correctas e especialmente bem ditas só é pena que os nossos governantes não o leiam e o tomem um pouco mais a sério, sendo ele comediante, e dos bons.
Concordo ctg em algumas coisas, e adorei a crónica
Nestes dias fui começar a conhecer o Algarve, pois no ano passado não quis fazer, depois do que me passaram.
Mas este ano já fui a diversos lugares e um deles foi a Vila Real do Santo António, em que se as pessoas tiverem dinheiro para tal podem comprar apartamentos, que estão a fazer e passam a ponte e estão logo em Espanha. É uma das vantagens de viver junto ao mar e do rio e tentarem trabalhar em Espanha.
Até agora vi sempre parques de Campismo e alguns muito bons no Algarve, e quem não pode ir para aqui, sempre pode ir para o Centro para as praias dos Distrito de Coimbra, que as casas alugadas não são tâo caras, pelo Menos na Praia da Tocha.
Quanto a Caraíbas Ricardo, não vale a pena, é muito longe, para a beleza de Caraíbas prefiro Malta, e algumas zonas de Espanha, do que fazer uma viagem muito longa para obter mar e sol.
Recomendo-te a ires a Malta, vais adorar as ilhas e conhecer esse destino, se ainda não foste e é uma viagem muito perto com água quente.
Quanto aos políticos, eu trocava todos que estão no Governo, até porque um dia com a dívida que Portugal fica com o projecto do TGV, acaba por vender as regiões devagar, como Grécia vende por 1milhão as ilhas.
Sobre a Iva, bem sem comentários, o transporte este ano aumentou mais de 2 vezes, e sem se esquecer do preço da Gasolina e gasóleo, que é imenso, logo a malta tem que começar a andar a pé como eu, ou então a andar de bicicleta e ir de férias com as malas atrás da bicicleta, como antigamente.
Boas férias
Preciso da sua ajuda?
E como sei que tem bons conhecimentos, não dava para meter uma cunha para conseguir um desconto? é que aufiro a quantia de 52,20 por mês de salário numa entidade do estado, portanto não me posso alargar muito em despesas.
Desde já agradeço a sua ajuda.
Os profs não estão de férias - ao contrário de certezas profundamente arreigadas na sociedade portuguesa - estão ocupados a preencher milhares de papéis e a vaguearem pelas escolas como almas penadas, visto que falta lá o mais importante, os alunos. Os profs também não estão em estado de lidarem com alunos porque as derradeiras semanas de aulas levaram muitos deles à beira da loucura. Os profs precisam imenso de férias para voltarem a sentir-se pessoas e capazes de serem professores. Os funcionários públicos ressabiados que já não se encontram sentados nos seus gabinetes porque foram de férias, e que condenam os profs a preencherem relatórios e fichas sem nexo, por inúteis, deviam aproveitar a mobilidade e experimentarem ser profs assim. As outras classes profissionais que me perdoem mas não tenho capacidade para ter pena das náo-férias dos outros. Até porque tenho a minha filha de férias, em casa, desesperada à espera de emprego. Não há cremes do Mar Morto que resolvam tanto stress. Alguém que me explique o que é isso de férias.
Cavaco Silva não quis ir ao funeral de José Saramago, andava pelos Açores, " lá fora, cá dentro" a mostrar o arquipélago aos netos, enquanto vai havendo voos para lá. Mas durante o primeiro dia da sua passagem por Cabo Verde, "cá dentro, lá fora", ouviu citações, elogios e palmas para o escritor.
Na próxima encarnação quero ser Presidente; serve de qualquer coisa. Do Benfica, para ir até Londres numa boa; do Sporting, para poder separar as maçãs pôdres das não, para já, tocadas; do FCP, para poder festejar muitos campeonatos e viajar. Esta gente viaja muito mas é tudo em serviço. Quase nunca fazem férias, aquilo é sempre para o bem da Nação e o Porto é uma nação logo quem quiser mudar de nação tem que vir para o Porto, passar férias é claro, cá dentro porque se atravesarem a circunvalação já estarão no estrangeiro.
Qualquer dia, com o desemprego que esxiste e a miséria que se aproxima, estaremos todos de férias.
Boas férias para quem as conseguiu mesmo que tenha sido vigarizado por aquela empresa que faliu. Efectivamente é sempre assim, que compra ruim pano, compra todo o ano. Este mundo está mesmo a ficar uma merda.
Afinal o que são férias, é um conceito como outro qualquer ao qual se pode dar uma intepretação num sentido mais lato. Passo a explicar: Férias podem ser apenas mudar de ambiente sem ter todos aqueles privilégios que normalmente se exigem para que se chamem "férias".
Mas para mim férias tem pricipalmente a ver com uma mudança de hábitos radical e de rotinas . Fazer coisas diferentes. Que faz com que nos sintamos uma outra pessoa, que se revigora e até consegue pensar em ser um pouquinho feliz. Eu posso estar num lugar paradisíaco, maravilhoso com esplêndidas instalações e sentir-me muito infeliz, o que quer dizer que "férias" é muito mais um estado de espiríto do que muitas grandezas materiais. Mas é claro que se se puder juntar o útil ao agradável, tanto melhor!
Mesmo que tenha verbas disponiveis para as suas férias, nunca pague antecipadamente, porque mesmo assim é possivel ter que ficar em casa, sem férias e sem o dinheiro.
...sao ter um emprego de que verdadeiramente se gosta!
Ai, depois de uns dias de ferias (das outras), pode-se dizer que se vai descansar pro emprego...
Nessa altura do campeonato ainda nem se pensava que mesmo os que podiam ir de férias,podiam pagar,podiam não poder ir e acabar podidos...poda-se lá as férias!!!!!DRAGOMAD
Eu? Escrava das férias? Também? Abdicar da minha derradeira esperança? Era o que faltava. Vou procurar fazer o que me põe melhor, se calhar reduzi-las a dar a volta à minha casa toda e de uma vez por todas pôr tudo no seu lugar. Se calhar no fim vou ficar muito mais livre e feliz do que se as consumir a consumir a minha pele com o sol, para ao sentar-me na esplanada, aperceber-me encantada que aquele novo marido da minha amiga que bebeu 3 dedos a mais, atreveu-se a deter o rabo do olho em mim 3 segundos a mais. E de que ninguém percebeu. Mas... e eu, será que percebi bem ou foi ilusão?? Ai!
Ou na mesma roda de amigos, alguém, homem ou mulher, dizer-me alto e bom som: "Lorena, estas óptima! O que é que fazes para estar assim?" Ou simplesmente declarar: "A Lorena É QUE está sempre bem!". Com sorte: "A Lorena está cada vez melhor!".
E vou para casa a chorar porque dá-se o caso de que eu até concordo ardentemente, estou cheia de vida e de juventude, mas ninguém dá valor. E fico triste em vez de contente. Serão isto as Férias? A trabalhar (para o bronze) para ouvir um par de piropos? Que não passam disso nem disso? Credo!
Desculpa, Ricardo, eu adoro-te, mas a mim deu a impressão que escreveste o artigo à pressa... para ir de férias. Vai-se a ver és tão habilidoso também a escrever que o escreveste em cima do joelho... ao volante a caminho do Algarve (isto já sou eu a sonhar contigo), tu mais a famelga mais a baby-sitter. Mas antes, ela: Sr. Ricardo, Sr. Ricardo, ligaram a pedir o seu artigo! "Ah, é verdade, porra, até nisso me distraí por causa da porcaria das férias, olha, vou escrever sobre isso mesmo, sobre as férias. Olha, menina, estou sem tempo, podes juntar aí os jornais mais recentes?" Concerteza, Sr. Dr. "Não me chames doutor, estou distraido mas não tanto, estou rico mas não tanto, linda menina". Popopois. "Olha menina agora tira uma frase daqui outra dali, e fa-lo tu, boa menina... boa". Falo? Não percebo...Ricardo!! "Pois, ai, ela que só lê revistas de auto-afirmação, Marias e Vips, sabe de certeza o que é falo, só me faltava esta confusão!! "Não é fa-lo, percebeste mal, é faz-e-o, fágio, percebes? (assim vai perceber)". "Fágio, fágio, hurra, é fágio, não é plágio!". Assim o menino continuou um bom menino, e ficou na boa com a menina boa. E não é plágio.