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CDU

As barbas da novidade

O PCP quer ser um "elemento novo" na governação do País. As "chicotadas" são todas para Sócrates

Alexandra Correia, no Distrito de Setúbal
16:35 Segunda, 21 de Setembro de 2009
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As barbas da novidade
José Caria

Está um elefante na sala da família comunista. À semelhança do que sucede na metáfora, o anfitrião aparenta ignorá-lo; mas o "elefante" do Bloco de Esquerda não deixa de ser uma presença incómoda. "Corro o sério risco de me cansar", suspira Jerónimo de Sousa, quando os jornalistas voltam a fazer-lhe perguntas sobre o partido de Francisco Louçã.

Estava à porta da Autoeuropa, distribuindo abraços, palmadinhas nas costas cansadas, desejando "força" e "saúde" é no contacto pessoal que Jerónimo brilha mais, não desfazendo o sorriso. Há quatro anos, recorda o secretário-geral do PCP, sentia ali o frio da recepção. Agora, é tudo mais amigável. Embora nem todos os operários caiam nos braços do "partido dos trabalhadores", fugindo àquele final tumultuoso da jornada, com as câmaras apontadas aos torniquetes.

"O Bloco não é o nosso inimigo, mas sim a política de direita", responde Jerónimo. Há quatro anos, na campanha das legislativas, chamava ao BE "depósito geral de adidos", por integrar, nas suas listas, renovadores comunistas, essa "gente zangada com a vida". Mas, agora, a estratégia é a de não hostilizar o partido que, nas eleições europeias, ultrapassou a CDU. Pelo menos através das declarações de Jerónimo de Sousa, porque Francisco Lopes, cabeça-de-lista por Setúbal, não hesitou em classificar o BE como "auxiliar do PS contra a CDU".

VENHAM OS JOVENS

No último fim-de-semana, a caravana comunista pisou terrenos simpáticos à esquerda, onde PS, PCP e BE se acotovelam pelos votos. Em Évora, frente-a-frente com o templo da deusa Diana a da caça, Jerónimo deu início ao período oficial da campanha.

Por pouco não encontrava José Sócrates, que ali participou num comício, no mesmo dia. Mas esse não é de esquerda, segundo o candidato da CDU, porque "passou os quatro anos do seu Governo a atacar os direitos sociais de toda gente que vive do seu trabalho".

A Charanga Huga, da Moita, dá música popular à caravana, nas ruas de Almada.

"Ainda há pessoas a pensar que Sócrates é diferente de Ferreira Leite", diz Odete Santos, sobre os perigos do voto útil.

"A CDU pode ser a novidade, o elemento novo", garante Jerónimo, no palanque.

Frase que repete por onde passa. Cada acção de rua termina com um discurso, numa praça. Nesta, de Almada, um membro da comitiva chamava os jovens: "É importante que a juventude apareça e se ponha aqui à frente para evitar situações como as que aparecem..." Essas situações descreve-as João Faim, presidente da Junta da Moita.

"Farto-me de ver jovens nas iniciativas e a televisão mostra só os de mais idade", diz, queixando-se da "mensagem gasta" segundo a qual o PCP está a "definhar".

A CDU não só não quer definhar, como pretende alcançar "mais votos e mais mandatos". Tenta mostrar-se como uma "novidade", mas carrega sempre as suas "barbas" os "muitos anos de luta" e o "pão que o diabo amassou" que os seus militantes engoliram, como recorda Manuel Cadeireiro, 76 anos, que espera a chegada de Jerónimo às festas da N.S. da Boa Viagem, na Moita, terra de touradas.

Pelas ruas, os altifalantes, indiferentes à polémica espanhola do momento, brindam o povo com flamenco andaluz.

 

>> Pontos altos

São quatro os "grandes momentos" da campanha da CDU, dos quais dois já se realizaram. Faltam os comícios no Palácio de Cristal, no Porto (dia 20), e no Campo Pequeno, em Lisboa (dia 24).

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