Que os índices de desenvolvimento estagnem, ou até regridam, não me choca nem surpreende. É habitual. Mas que as actividades ilícitas andem, elas próprias, nas ruas da amargura, deixa-me deprimido
8:00 Quinta, 5 de Novembro de 2009
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O que se oferece a quem já tem tudo? Um cheque de 10 mil euros é uma boa hipótese. Há ofertas que sabem sempre bem, e um cheque de 10 mil euros é simultaneamente prático e elegante. É elegante por ser, no fundo, uma mensagem escrita num tempo em que as pessoas já não escrevem umas às outras, o que é desde logo comovente. É prático, porque ninguém se queixa de já ter um igual e, na hipótese remota de não gostar, trata-se de um presente que se pode trocar em qualquer altura. Nomeadamente, por bens no valor de 10 mil euros.
Dito isto, e por muitos méritos que as hipotéticas ofertas de 10 mil euros possam ter, é forçoso assinalar que o caso Face Oculta embaraça, e de que maneira, José Sócrates e o partido socialista. Ainda há pouco tempo, figuras importantes do PSD foram enredadas num escândalo que envolvia milhões desviados da banca. Quando militantes destacados do PS aparecem ligados a crimes, o melhor que conseguem é uma suspeita de pagamento ilícito de 10 mil euros, levado a cabo por um sucateiro. De um lado, o glamour social-democrata da alta finança, das off-shores, dos grandes grupos económicos; do outro, a falta de estilo do ferro-velho e do lixo. Estamos perante corrupção pelintra, que é um oximoro difícil de compreender: na origem da corrupção costuma estar a ganância. Aceitar subornos de 10 mil euros ao mais alto nível é como ser depravado a dar beijinhos na testa.
Quando surgiu, o caso Face Oculta foi justamente recebido por todos com algum entusiasmo, pelo contributo que dava para desenjoar os portugueses dos escândalos do Freeport, do BPN, do BPP e dos submarinos, entre outros. Era um caso cujo processo seria interessante acompanhar, desde o momento inicial da investigação até ao dia em que, vários anos depois, uma prescrição ou um vício de forma acabe por absolver todos os arguidos menos o mais pequenino. No entanto, quando começaram a ser conhecidos os pormenores, o caso passou de simpático a aflitivo. Se se confirma que administradores de grandes bancos recebem 10 mil euros em troca de favores, quanto receberá, hoje em dia, um vereador corrupto, um administrativo gatuno, um vulgar funcionário vigarista? Eu sou do tempo em que fechar ilegalmente uma marquise custava mais do que 10 mil euros só em luvas. O que está a acontecer ao meu país? Que os índices de desenvolvimento estagnem, ou até regridam, não me choca nem surpreende. É habitual. Mas que as actividades ilícitas andem, elas próprias, nas ruas da amargura, deixa-me deprimido. Falhar onde nunca fomos bons não é novidade; fraquejar onde sempre fomos grandes, mói um bocadinho.
Caro Ricardo,
O problema nem são os 10 mil euros, porque isso não é negócio de homens sérios é mais do tipo "pilha galinhas". As pensões de miséria que neste país se pagam aos mais idosos, depois de uma vida de trabalho,...enquanto estes corruptos "de face oculta" se servem dos meandros da política para se governarem.
Temos a casa desarrumada. Com estes exemplos como poderemos querer ser fortes na consolidação da Europa e ser participativos na sua construção. Sim... e a nossa angústia aumenta quando vemos que este estado de coisas tende a piorar.
Parabéns pelo seu texto. Sara
Sempre fomos um povo de favores. De empenhos, de pedidos, de atençõezinhas. Porque para andar para a frente, mesmo para a frente, sempre conveio dar a tal palavrinha à pessoa certa. Ter um padrinho, isso sim, é que fez sempre muita falta.
“Queres trabalhar na Vila? Fala com Fulano, que não te há-de faltar, verás. Vais recomendado. E leva-lhe um salpicão.”
Mas tudo muda, evolui, supõe-se. Já ninguém pretende ir para a Vila, e muito menos para trabalhar. Agora trata-se mais de negócios, ou talvez, de negociatas. E aqui, os padrinhos não são apenas recomendados (não sendo eles mesmos sempre recomendáveis), são decisivos. Não fazem atenções, nem intercedem pelo amigo da sua terra, negoceiam e exigem. Pouco nos importa a nós quanto pesa o saco. Não cheira de certeza, a salpicão.
Eu acho graça é que depois estes mesmos pilha galinhas e seus bajoladores,quando Medina Carreira vem dizer que isto é 1 circo, isto é tudo uma grande negociata,que o zururu que se ouve em época de eleições não é mais nada do que eles a ver quem volta á fonte do Dinheiro para se aproveitar e para dar aconchego aos seus amigos.
POr acaso agora dá-se o caso de ser o Dr A.Vara mas a coisa não fica por ai...
Uma investigação de fundo,que é coisa que nenhum deles quer,iria trazer á tona a podridão que é tanta que mais uma vez as pessoas iriam recusar,como se recusam a aceitar a verdade.
Os nossos partidos não há 1(talvez o menor seja o Pcp) que se aproveite..todos eles utilizam o estado como motor de fundo para suas negociatas,enrriqueçem e fazem enrriqueçer,toda uma corja que anda á volta do estado como empresarios que forneçem ou são fornecidos pelo estado.
E esta é que é verdade....Por isso é que finaciamentos de partidos,casos BPN,Sobreiros,submarinos,FreePort e outros,nunca dá em nada...pois o nucleo disto é tudo estado e conselheiros de estado.
Ora então iria-se mandar uma investigação a fundo...claro que não.
A partir de Presidente de Camara para cima,quem não alinhar no jogo é assasinado politicamente....não há hipotese.
Só resta a malta,quando os vê a passar na rua....ir a correr para lhes dar beijinhos...e abraçinhos.
Pois só assim...é que continuaram a encher a fartazana.
E depois Medina carreira,Marinho Pinto...são populistas e demagogos !!
A “endémica pandemia” da corrupção instalou-se em Portugal,
tal como uma lapa que se agarra à rocha.
Neste pequeno País de forma rectangular virado para o mar e quase a naufragar, a CORRUPÇÃO tomou proporções gigantescas, disseminando células maléficas e malditas encontrou um Estado amorfo e impotente para a debelar em terreno fértil que não pára de aumentar.
Geograficamente, somos um pequeno território num ficheiro compactado dum passado rico e histórico, por essa razão não podemos continuar a consentir que a mancha vergonhosa
da CORRUPÇÃO continue a denegrir além-fronteiras a honra da nossa imagem nesta ditosa Pátria à deriva e quase anarquicamente selvagem.
Dia 20 de Dezembro de 2009, participa na campanha:
“Não à CORRUPÇÃO”,
exibe algo no vestuário de COR ESCURA, “dissemina” patrioticamente esta mensagem pelas tuas amigas e amigos, vamos contribuír para uma sociedade mais justa, transparente e HONESTA.
Os corruptos sem pudor que lesam o Estado e lapidam os impostos dos contribuintes lesados, só podem ser “honrados” com a prisão por não serem dignos desta que foi uma nobre Nação.
Pois é Ricardo, é como dizes: os elementos do PSD , a ser verdade, sempre têm mais glamour. 10 mil euros, de facto é "corrupção" pelintra, que deixa evergonhado o mais reles corrupto deste país. Pois a ser-se corrupto que o seja com algo que valha a pena, pois se houverem eventuais consequências penais, o que dúvido, já muita "boa gente" está garantida. E bem garantida, diga-se. Ressalvando o facto, é claro, de os alegados corruptos se presumirem inocentes, até que haja comprovação judicial definitiva em contrário. É o sistema, como alguém dizia, referindo-se a outro tema por todos nós conhecido.
Que já houve quem tenha conseguido fazer obras maiores que fechar uma marquise pelo preço de uns ténis Adidas. Isto em Oeiras onde os favores são mais baratinhos, daí ser o melhor concenlho do país.
A obscena IMORALIDADE da impúdica rainha da HIPOCRISIA continua a reinar, quando a FOME, o DESEMPREGO, o drama e o desespero IMPERA!
E os heróis anti-corrupção são abatidos, ou anestesiados com lugares pomposos e dourados para ficarem em silêncio.
Aos bebés untamos a chupeta com açúcar ou mel.
Salazar caíu da cadeira que entretanto apodreceu com o caruncho, tal era o vício de não a largar, ou seja: a ditadura caíu de podre!
Dizem que morreu sem fortuna, ele sabia que não a podia levar
no caixão, mas os predadores desta Democracia convenceram-se de que são eternos e tudo fazem para amealharem ao máximo até ao vómito, até à exaustão.
Muito embora o partido no poder esteje legitimado pela Democracia, a verdade é que bateu a maratona e a cadeira já adquiriu a forma de quem lá se sente ... já passados tantos anos, eu sei que eles não dirão: "daqui não saio, daqui ninguém me tira", mas perante um pobre povo preocupado com os cêntimos e com baixa literacia, é fácil a qualquer ignorante, ou mesmo inculto, mas que saiba esgrimir (manhosamente) a retórica das palavras arrastar multidões para o voto.
O que me revolta mesmo é assistir à injustiça da justiça.
Em tempos, uma pobre e velha senhora "roubou" algo insignificante num supermercado e foi condenada, ao contrário desviam-se milhões "na boa", com o maior à-vontade disfarçados pelos altos lugares que ocupam e quando corre mal, têm se necessário um batalhão de advogados.