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Aprender com os erros

A reconstrução deve promover a segurança e os interesses dos madeirenses e não alimentar vaidades

4:47 Quinta, 4 de Março de 2010
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Nestes dias em que a cólera da natureza reduz a arrogância dos homens à sua infinita pequenez, é tentador apaziguarmos a angústia e o sofrimento no embalo doce, mas perigoso, da resignação. Ora é isso que está a acontecer em relação à tragédia da Madeira. Não falo daquela resignação que consiste em cruzar os braços e paralisar perante a adversidade, que a essa os madeirenses já deram a devida resposta, começando, logo no próprio dia, a reerguer a sua ilha encantada. Falo daquela tendência muito portuguesa de não tirar lições do passado nem aprender com os erros, como se a vida fosse um fado acabado, em que cada um prescindisse de escrever o seu próprio destino.

Ora, um dos aspectos para o qual fomos alertados pelos trágicos acontecimentos do passado dia 20, na Madeira, foi a gravidade dos problemas existentes no ordenamento do seu território. Digo alertados, em termos de opinião pública, pois as autoridades regionais conheciam perfeitamente a situação, os perigos dela decorrentes e estavam de posse de um conjunto de recomendações capazes de ajudar a minimizar os efeitos deste tipo de ocorrências. Estava tudo no anterior número da VISÃO - relatórios, depoimentos de especialistas, a história dos últimos 17 anos consubstanciada em quatro estudos elucidativos, mas ignorados ou arquivados por quem de direito. Relatórios elaborados por técnicos altamente qualificados de instituições idóneas como o Instituto Superior Técnico e avalizados pela União Europeia, que não podem ser qualificados como "canalha" ou "abutres", conforme ainda há dias fez Alberto João Jardim. Ninguém de boa-fé dirá que tudo estaria bem se as recomendações dos técnicos tivessem sido seguidas. Mas pode e deve exigir-se que quem tem responsabilidades políticas tudo tenha feito para evitar consequências tão dramáticas de fenómenos perfeitamente tipificados. 

Ao que tudo indica nem a perda irreparável de tantas vidas vai levar os governantes madeirenses a arrepiar caminho. Alberto João Jardim, e é ele que dá o mote, já mostrou não ter aprendido nada. Na entrevista à RTP, a semana passada, foi claríssimo: vai reconstruir tudo tal qual estava, porque a sua obra era perfeita, o que caiu vinha do "tempo da outra senhora". Nenhuma humildade, zero de consciência. Aliás, a reforçar este extraordinário egocentrismo, Jardim anunciou, esta semana, que, afinal, talvez se recandidate pela enésima vez. Por causa da reconstrução...

Por estes dias, é tentador confundir Jardim com os madeirenses. Mas nem a Madeira é sinónimo de Alberto João Jardim nem a solidariedade que devemos aos madeirenses tem obrigatoriamente de estender-se a quem os governa. É preciso saber resistir a essa confusão ainda que os mais de 30 anos que Jardim leva a liderar o arquipélago propiciem essa espécie de osmose que o próprio promove, alimenta e de que ardilosamente se tem servido, ao longo da sua interminável vida política. E é por isso que, no momento em que se torna urgente ajudar os madeirenses a reerguer a sua terra, é obrigatório assegurar que essa reconstrução será feita para garantir os seus interesses e a sua segurança e não para promover vaidades ou alimentar egos. Vamos aprender com os erros.

 

Palavras-chave  opinião, áurea sampaio
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Manuel dos Santos (seguir utilizador), 1 ponto , 20:16 | Quinta, 4 de Março de 2010
Já escrevi na Visão sobre o tema.
Não confundo oa madeirenses com AJJ. Nunca gostei do estilo dele, variável ao sabor das ondas, sem limites de carimbos a pessoas e incluindo o titular do mais alto cargo da magistratura.
Todavia, (i) todo o período de governação dele resulta do livre jogo democrático, ao menos formal, pelo que se tem de concluir uma maioritária identificação com os eleitores; (ii) que tal democracia formal não deve afogar a liberdade em nenhuma corrente da ribeira, pelo que se tem de indagar as restições à liberdade nos precisos termos seguidos no continente, incluindo a asfixia da imprensa.

Isto dito: ou ele mudou, ou dá uma imagem disso, só ele sabendo a durabilidade desta nova fotografia. A diferença política melhor se assegura com elevação. Com pluralidade.
Dos Açores, veio um político do anterior regime, estimado pela generalidade dos cidadãos.

Veremos. Espero que a nova foto perdure.

E a jornalista? Já deixou aqui o pedido de desculpas ao PGR?

Ou o apelo a justiça de rua, tipo bomba no Iraque que só faz vitimas inocentes, continua? Não leu o comunicado do CSMP?

Ou é sua vontade demitir todos?

Não dou conselhos, mas sugestão: use a inteligência com isenção e probidade. Não finja. Peça desculpa.

E com isso, vire a página... tem direito ao futuro...
    Re: Virar a página   
navegador (seguir utilizador), 1 ponto , 13:39 | Sexta, 5 de Março de 2010
Falar e dizer pouquíssimo...
navegador (seguir utilizador), 1 ponto , 13:35 | Sexta, 5 de Março de 2010
"Dos Açores, veio um político do anterior regime, estimado pela generalidade dos cidadãos. "
Parece-me que mal informado. Esse politico demitiu-se... da Presidencia do governo regional dos açores, ninguem quiz saber os motivos... (Por conveniencia ou por parceria??)
Esse político exerceu pressão sobre os meios de comunicação dos Açores... para além de ter conetituido um "Clã" próprio...
Esse político político fez como o Guterres - saiu e abandonou o pantano que tinha criado...
A memória não deve ser apagada, só porque nos dá prazer...
Madeira.......
still (seguir utilizador), 1 ponto , 18:52 | Sexta, 5 de Março de 2010
Bem, este texto já parece a chuva da Madeira.Mais do mesmo. Mais um texto sobre a tragédia da Madeira visto pelo angulo da leviandade e do lugar comum.
Pq será que ninguem escreve sobre o que estava bem na ilha? Ou estava tudo errado? Pq ninguem encara a situação de forma natural - pq a catastrofe foi natural -sem atirar pedras do alto da sua perfeição?
Sim pq os articulistas quando escrevem sobre a tragédia na ilha são uns mais que perfeitos que descarregam a sua vasta sapiencia para que os leitores de ocasião se maravilhem com tamanha eloquencia.
Eu nem vou rebater as vulgaridades escritas no texto.
Apenas digo que não ha ordenamento que resista ao verificado na Madeira.
Mais, nada garante que da proxima vez, pq vai haver proxima (há um historico nessas desgraças), a agua que caia não seja em dobro (desejo que não) e que a perfeita reconstrução não se revele minimamente capaz de a suster.
Mas deixo-lhe uma nota que pode aproveitar como melhor lhe aprouver.
É o seguinte:
Lisboa está construida em cima duma falha sísmica.
Lisboa tem erros crassos em termos de ordenamento territorial.
Porque não alerta já as entidades competentes para que arrasem Lisboa e a reconstruam de forma perfeita e assim minimizar os efeitos dum possivel terramoto?
Cumprimentos
    Re: Madeira.......   
igor_23 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:57 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: Madeira.......   
igor_23 (seguir utilizador), 1 ponto , 2:10 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: Madeira.......   
igor_23 (seguir utilizador), 1 ponto , 2:18 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: Madeira.......   
still (seguir utilizador), 1 ponto , 19:41 | Terça, 9 de Março de 2010
    Re: Madeira.......   
igor_23 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:23 | Terça, 9 de Março de 2010
Aprender, apreder, aprender
Rui Gonçalves (seguir utilizador), 1 ponto , 22:28 | Terça, 9 de Março de 2010
Mais uma vez o texto de Áurea Sampaio toca num ponto nodal... da nossa política!
No essencial, o texto não é mais do que um puxão de orelhas, um protesto contra aquilo que de politicamente grotesco ainda sobrevive neste mísero País... que não sabe escolher o sítio para onde apontar os holofotes. Cabem na mesma mira a seriedade de Cavaco Silva e despreparo e a boçalidade de AJJ. A incompetência e a falta de lisura (ética) de Sócrates e alguma autenticidade que se deixa ver em Alegre... Enfim, um País que elege AJJ, F Felgueiras, mais os senhores de Oeiras e Amarante (ou elegeu em tempos)... merece ser o que é: um País medíocre (como dizem os do Norte, o primeiro dos PIGS -Portugueses, Italianos, Gregos e Espanhóis- que vergonha! (um conselho: apostem mais na ESCOLA (RIZAÇÃO) para que a maioria, pelo menos, veja o óbvio)
Regeneração?
alaurens (seguir utilizador), 1 ponto , 2:18 | Terça, 16 de Março de 2010
Não deve demorar muito para estar a espumar palavrões contra técnicos e ambientalistas. A fúria dos interesses do betão são superiores a ele e a muitos outros.
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