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Crise financeira

Agencias de rating o escândalo financeiro da década

Não deixa de ser surpreendente que depois de mais de dois anos a tentar encontrar remédios para a crise em que vivemos nada ainda tenha acontecido a estas empresas de "rating

13:10 Segunda feira, 5 de Abr de 2010

O "rating" de Portugal baixou. Quem teve poder para isso foi a Fitch que o passou de AA+ para AA-. Através do seu responsável para os Mercados Emergentes, a Fitch afirmara recentemente que a comparação entre Portugal e a Grécia era demasiado simplista e o "rating" de Portugal significativamente superior.

As grandes agências de "rating" são americanas mas a Fitch é controlada pelos franceses da Fimalac. 

As agências de "rating" já ameaçaram os Estados Unidos, como o fizeram com Portugal e outros países da Europa, mas com os EUA vão ficar só pelos ameaços. O que as agências de "rating" pedem aos Estados Unidos é o mesmo que pedem a Portugal, ou seja, que gastem menos. Imagino que os países que compram a incessantemente crescente divida americana, e assim se tornam seus credores, também devem querer que os Estados Unidos gastem menos. A pergunta que fica é: porque é que então os Estados Unidos não gastam menos e ao contrário cada vez gastam mais?  

Como cidadão responsável, gostaria de não ter que ver uma baixa no "rating" dos Estados Unidos porque isso traria certamente o caos aos mercados financeiros. Os EUA são o maior devedor do mundo. Devem, inclusive, mais que todos os outros países juntos. Os impactos colaterais são incalculáveis, talvez o fim do mundo como o conhecemos, mas estar dependente das agências de rating... A notoriedade e relevância das agências de "rating" é totalmente imerecida, pelo que não é uma questão de regulamentação que pode resolver o problema, dado que é todo o modelo de negócio que é malicioso muitos dirão corrupto. 

Os escândalos começaram no início do milénio com a Enron, a empresa que a revista "Fortune" apelidou de "a companhia americana mais inovadora", durante seis anos consecutivos. Em 2000, cotava a 84 dólares, e um ano depois estava a 26 cêntimos. Foi à época a maior falência da história da América com activos de 65 mil milhões. As agências de "rating" foram acusadas de serem muito lentas a actuar, porque só o fizeram no último mês de vida da empresa, tendo argumentado com o factor "prudência". 

E foram-no em 2002 quando se deu o caso Worldcom, a segunda maior empresa de telecomunicações dos Estados Unidos. Em Abril, as agências de "rating" começaram a falar; em Maio, começaram a baixar o "rating"; em Julho, estava falida. Estava batido o recorde da maior falência da história com 104 mil milhões de activos. 

Ainda em 2002, as agências de "rating" fizeram uma alteração aos seus conceitos-base, que se tornou muito importante na análise aos bancos. Passou a ser considerado como valor para os bancos a noção de que os governos e os bancos centrais  (com a designação de intervenção externa)  não poderiam deixar cair os bancos mais importantes. Nesta peugada, os bancos dos diferentes países viram o seu "rating" melhorado.  

Nem tudo o que fizeram foi errado, porque, neste ponto, como se sabe estiveram absolutamente certas, houve efectivamente intervenção dos Governos. Onde estiveram erradas foi ao não terem previsto que alguns bancos poderiam vir a ser maiores que os bancos centrais dos respectivos países. Tal resultou na falência, por exemplo, do Banco Kaupthing Islandês, que era bem maior que o Banco Central da Islândia. Não serviu de nada o Kaupthing ter o maior "rating" possível AAA,  a falência foi o caminho.

2003 foi o ano em que as agências de "rating" descobriram a verdadeira mina que era o "subprime", ao colocar o seu selo de "aprovado",  enquanto transformavam produtos financeiros medíocres em produtos AAA. O prémio Nobel Joseph Stiglitz, professor na Universidade da Columbia, chegou a afirmar que via as agências de "rating" como o factor principal da crise produzindo a alquimia necessária para transformar produtos de investimento modestos em produtos de "qualidade". Segundo ele, os bancos não poderiam ter feito o que fizeram sem a cumplicidade das agências de "rating".   

Poderíamos falar da Fannie Mae, da Freddy Mack, empresas que segundo a Reserva Federal estavam bem capitalizadas em Julho de 2008 e "nacionalizadas" a 8 de Setembro, mês e meio depois. A seguradora AIG foi o episódio seguinte.

Não deixa de ser surpreendente que depois de mais de dois anos a tentar encontrar remédios para a crise em que vivemos nada ainda tenha acontecido a estas empresas de "rating". Não deixa de ser surpreendente que desde o início do ano retomem um protagonismo despudorado com incidência na divida soberana Europeia. A pergunta que se deve fazer, creio, é simples: estamos todos preparados para o futuro que nos espera sem o contributo das agências de "rating", ou seremos complacentes o suficiente para continuar a ser vítimas de sociedades de "rating", que vivem de um estatuto que claramente não merecem, independentemente do que nos possam dizer?  
Palavras-chave   Crise Financeira   wti   rating   escândalo
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Instabilidade Financeira
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 19:58 | Quinta feira, 29 de Abr

Será desta que os governos se decidem a cortar as vasas à Economia Financeira em prol da Economia Industrial e tratam de regulamentar a indústria financeira que se alimenta da instabilidade dos mercados? Está tudo à espera do Obama, já se viu. (Espero bem que o todo-poderoso 'mercado' o não mate como ao Kennedy...).

Mas que descaramento este o do 'mercado'... Antes atiravam-se às empresas, agora, perderam os limites: atiram-se aos Estados! Deixem que a Grécia vá à falência (como já sucedeu com a Argentina nos anos 80, do século passado) e os credores que arquem com uma parte dos prejuízos que fomentaram. Qual é o problema?
agencias de rating
leitor (seguir utilizador), 1 ponto , 17:41 | Quarta feira, 28 de Abr
Não podia ser mais actual, aliás antecipou até os acontecimentos de hoje. Porque será que as agencias de rating são tão boas a ver os problemas dos países europeus?
Os verdadeiros culpados são os politicos!
Cromio (seguir utilizador), 1 ponto , 18:37 | Quinta feira, 29 de Abr
Os politicos são as únicas pessoas capazes de criar problemas e ao mesmo tempo fazer campanha contra eles.
Como se compreende que estando todos os politicos contra o défice e o aumento de impostos, tenhamos aumento do défice e aumento de impostos.
Quem tem poderes para fazer o orçamento do Estado? Quem tem poderes para propor aumentos ou reduções de impostos?
Não são os eleitores que propõem a politica fiscal, são politicos que o fazem, não são os eleitores que decidem os subsidios são os politicos que o fazem, não são os eleitores que melhoram ou pioram a justiça, a educação ou a saude são os politicos que o fazem.
Na realidade é dificil encontrar um problema em Portugal que não tenha origem nos politicos e nos muitos juristas que constituem a classe politica.
Se a justiça não é justa certamente que é porque a não pretendem justa.
Se a fiscalidade não é equilibrada certamente que é porque a não querem equilibrada.
Se a saude e a educação não são melhores é porque não pretendem estes sectores melhor.
Se a segurança social está insolvente é porque a pretendem assim.
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