A declaração de Cavaco sobre a lei do casamento gay é um exemplo acabado de vacuidade política
17:10 Quarta, 19 de Maio de 2010
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A declaração de Cavaco Silva em que anunciou a promulgação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, é, sob quase todos os pontos de vista, um exemplo acabado de vacuidade e irrelevância políticas indignas do estatuto presidencial. O Presidente, além de acentuar, desnecessariamente, as limitações do órgão Presidência da República, e respectiva impotência em certas matérias, usou um tom lamuriento que, no fundo, expressa a incomodidade pelo princípio da separação de poderes e pouco respeito pelas legitimidades próprias dos vários órgãos de soberania. Cavaco Silva, no fundo, disse-nos: "Eu queria vetar a lei, mas aqueles malandros vão aprová-la de novo e eu fico de mãos atadas! Não vale a pena!" E o que fica de substancial, da atitude do Presidente? A promulgação da lei. O resto é a desistência. O resto são suspiros, protestos vazios, despeitos mal disfarçados, e o duro sapo da democracia representativa a custo engolido. Mas se a declaração é inútil de muitos pontos de vista, ela é necessária do ponto de vista do candidato presidencial Aníbal Cavaco Silva. O Presidente promulga a lei ainda com as velas de Fátima quentes, depois da passagem de Bento XVI por Portugal.O Papa não se coibiu de, mais uma vez, defender o primado da família tradicional. E é a um presidente católico praticante que cabe o azar de ter de associar a sua assinatura ao que a sua consciência considera uma aberração. Cavaco precisava de se justificar, discursando para dentro do eleitorado conservador, e de controlar os danos de uma promulgação sobre a qual alguns não deixarão de lhe pedir contas. Basta ver as reacções logo expressas por activistas católicos em redes sociais como o Facebook para se perceber, que, mau grado o esforço, Cavaco vai precisar de fazer muito mais para se limpar.
Dito isto, não deixa de ser irónico que sejam aqueles que enchem a boca com o direito à diferença a querer ser precisamente iguais aos outros. Para a comunidade gay, qualquer evolução no sentido da união civil entre pessoas do mesmo sexo teria de desembocar na palavra "casamento". Tal e qual como as uniões heterossexuais. Sem direito à diferença... Na verdade, os que se reclamam do direito à diferença, o que sempre ambicionaram foi serem... iguais aos heterossexuais! Em vez de afirmarem a sua diferença com um estatuto jurídico diferente - e diferente terminologia - não senhor: querem ser... casados! Uma atitude complexada, própria de quem está inseguro da sua condição. Faz lembrar o vegetariano que, para vincar as qualidades da sua alimentação, nos pretende convencer de que, com o tempero adequado, um bife de soja parece... carne! Mas se se quer que pareça carne, porque não se come carne? E foi assim que a união homossexual passou a ser uma questão semântica. Todos, até a Igreja, concordam com ela. O pior é chamar-se casamento. Mas, senhores, tanta discussão por causa disso?
No meio de tudo, a Igreja Católica vive o seu próprio paradoxo. A Igreja considera o casamento um sacramento. Que se saiba, um casamento civil não é, canonicamente, um casamento. Portanto, não é reconhecido pela igreja. Mas, se assim é, que diferença fará à Igreja que tal união civil seja entre sexos opostos ou entre pessoas do mesmo sexo?
... que você não compreendeu: os homossexuais não querem ser iguais aos heterossexuais, apenas querem ter os mesmos direitos, como o reconhecimento legal de uma vida em comum entre duas pessoas que se amam. É assim tão difícil de compreender isto?
Meu caro FL, faço precisamente a mesma leitura que o que nos diz no seu comentário. O que fica para a história é que Cavaco aprovou. Caso tivesse vetado, a leitura seria precisamente o contrário. Para além disso, um PR, embora tenha a actuação limitada, terá que ser forte e deverá sempre agir com a sua consciência, o que me parece não aconteceu.
Cumprimentos
Nunca tive tanta vergonha em ser Portugues senao como um individuo com esta falta de nivel, de cultura, e de estatura como e o Anibal Cavaco (que faz bem juz ao seu nome), foi para Presidente da Republica.....
E e ele que vai festejar os 100 anos da Republica?????
E caso para dizer: antes 2 mil D. Carlos!!!!!!!
Mas a estes, nao ha ninguem que lhes meta uma bala.....
Um belo artigo, análise fria e bem estruturada! Mas no fim, essa análise casamento igreja,
«que diferença fará à Igreja que tal união civil seja entre sexos opostos ou entre pessoas do mesmo sexo?»
denota um desejo ‘cavaquiano de, vamos lá agradar a todos, que sou jornalista de todos, e os gays já são uma frente temível, e não quero que me chamem retrógrado... (riso).’
Não é só o Cavaco que cede, todos nós, se quisermos escutar no silêncio da nossa mente, também cedemos um cadinho. Ninguém resiste à força das televisões e Net, as nossas mentes não tiveram tempo de criar defesas, já não vão a tempo.
Quando penso em casamento, vem-me a palavra acasalamento, complemento, e isso é coisa com cânones da Natureza.
Aí rendo-me à coragem do Papa e ao templo, era bem mais fácil adaptarem-se ao mercado. Contudo é preciso algo haver que bata o pé ao comércio.
Decerto já ouviu a expressão popular: ‘Isto não casa! Este parafuso não é desta porca.
O ‘casamento’ gay não é casamento nenhum, é uma soma 1+1 = 2, e pára aí; o casamento, acasalamento, é um + uma = complemento, que se multiplica ao infinito.
Nós podemos alterar toda a ordem ingénita das coisas, viver no prazer, destruindo todo o sistema natural, mas depois os últimos vão pagar muito caro. Não é coisa de esquerda ou direita, é coisa de Gaia, que por sinal nada tem de gay.
O senhor Cavaco desiludiu-me, porque ainda cultivo uma certa ingenuidade, e acredito em dignidade.
Eu acho que o o amor entre pessoas do mesmo género é diferente do amor entre pessoas de géneros diferentes. Porquê? Porque o amor entre géneros diferentes pode gerar filhos e o outro não.
É um dado adquirido e incontornável. É a natureza e a ciência prová-lo à exaustão.
Quem tem relações amorosas com pessoas do mesmo género, sabe que jamais poderá gerar um filho desse amor. É uma realidade e tem que viver com ela, quer queira ou não.
Os casais de géneros diferentes são diferentes nesse aspecto e têm direito ... à diferença! Deixem-nos ser diferentes!
Ouvi falar de amor. Como sabem há muitos tipos de amor. O amor "per si" não é razão suficiente para o casamento. Ou será?
Que direitos a menos têm os que amam mais do que uma pessoa? Ou dos que amam menores? Dos que amam os seus animais?
Por outro lado, não só amor é justificativo do casamento. Pode haver outras razões, mesmo a de Estado, como a história tantas vezes nos mostrou.
Há muito quem case para ter filhos!
Há países em que as pessoas casam porque têm vantagens fiscais (o que não é o nosso caso).
As relações entre pessoas do mesmo género devem acautelar os direitos do casal que as constitui, observando naturalmente as diferenças que existem - quer queiram quer não.
Sr. Filipe Luís, é tão só isso, terminologia. Porquê criar um estatuto jurídico diferente no nome? O que se pretende são os conteúdos, se o Casamento já existe, porquê criar uma união de facto? Acredite que sendo homossexual não me insiro, por muito que opiniões como a sua insistam neste ponto, na "comunidade gay". Nunca me passou pela cabeça relacionar-me socialmente dentro duma "comunidade hetero", então numa "gay"? Perdia demasiado das pessoas.
É parvo este cisma em torno do sacrossanto Casamento. É estúpido um Estado ou uma Igreja reclamarem direitos de autoria pelo que desde sempre foi a união de dois seres humanos. O casamento já existe, é só uma questão de colocar os casais do mesmo sexo no mesmo barco.
Acredito que essa sua comparação com o vegetarianismo encaixe uns tantos activistas "gays", mas atente na seguinte comparação, algum heterossexual sentir-se-ia mais convicto da sua orientação sexual sabendo que podia casar? São evidências que deveriam falar por si...
Excelente artigo! Permito-me 3 notas, 1 por parágrafo:
1- Concordo com a figura de sendeiro que o Cavaco fez. E acrescentaria o seguinte: reparem que as únicas vezes que o tipo fez "comunicações extraordinárias ao país" foi a propósito dos Açores (90% dos portugueses a borrarem-se para o tema); das escutas (que vergonha); e o casamento gay (90% dos portugueses a borrarem-se para o assunto). Sobre os desafios de Portugal e sobre a Crise, manda uns bitaites no meio da rua, à porta do mercado ou coisa que o valha. Isso não merece uma "comunicação ao país"??
2- Caiu na ratoeira semântica e mistura conceitos de 'diferença' e 'igualdade' de forma parcial.
3- Mais do que apontar as incongruências da ICAR, que são muitas, seria interessante descorrer sobre o porquê dessas incongruências! Neste caso, saber porque é que sendo um casamento não canónico, a ICAR se mete ao barulho! Isso é que era interessante!...
Cavaco deveria ter assumido a sua real posição, que é aliás a posição da maioria dos portugueses: Todos achamos um disparate e uma palhaçada e um ataque ao verdadeiro sentido do «casamento».. mas se os paneleiros têm o fétiche do casamento.. é pró lado que eu durmo melhor...
FILIPE, hoje estive num workshop espiritista, e eles lá aceitam a união e Deus também diz sim a todos, não apenas aos heterossexuais, não vejo isso, ele diz mesmo TODOS.
Quero ainda te dizer outra coisa: acredito que o Cavaco o tenha feito para o PSD ganhar na próxima as eleições, porque os gays e lésbicas apoiaram o Sócrates, e se for ver quantos homossexuais existem em Portugal, saberá que essa diferença é grande em votos.
Eu vou dar sempre apoio a esta diferença, do mesmo modo que dou a quem é preto e amarelo, as diferenças não me fazem afastar as pessoas.
Eu até aceito ter amigos com doenças crónicas, sabe porque?
Porque eles ensinam-nos, e quando estamos por dentro delas, sabemos como lidar. Eu se um dia tirar o curso de medicina vou amar, sabe porque? Porque sobre doenças eu já sei tanto, mas tanto, que amo a medicina e nos planos está uma clínica com sócios para 2013.
Por isso Filipe, respeite a diferença, que a sua alma estará melhor dia após dia, e se não aceitar essa diferença, acredite, vai perder tantos risos na sua vida, mas tantos, que nem imagina.
Eu adoro pessoas bem dispostas e adoro respeitar o próximo como a mim mesma,tenho é medos de alguns muçulmanos e ciganos, e drogados, e violadores, de resto, estou bem e sinto-me bem em aceitar a diferença, e eu aceitar em ajudar as pessoas, até durmo mais feliz e sem pesos na minha consciência.
Sabe, as pessoas hoje não dizem olá ao próximo, nem falam qd estão paradas numa estação, isso faz mal há saúde d pax.
Do mesmo modo em as pessoas serem críticas e negativas, porque o seu interior nunca está em paz, nem a sua alma.
Filipe trabalhe a sua alma, a sua mente e o seu coração, porque eu desde pequena sempre os trabalhei imenso e daí defendo imenso todas as causas, que a minha irmã diz que sou altuísta e benigna demais, e de facto sou, e não me arrependo, não tenho pesos de consciência, nem dores, e orgulho-me dar com todas as pessoas.
Tenho é pena de muitas pessoas não serem assim, porque se elas tivessem 1 trabalho onde ganhassem numa empresa 3000 mil euros e se os donos fossem gays ou lésbicas, essas pessoas hoje não diziam não, porque está a ficar mal a pior e só com esse ordenado é que não se paga imenso ao estado.
Sabe que mais: até digo assim aos gays: metam-se em casas de luxo de sexo a ganharem 1500euros por noite, e acredite Filipe, que se eles o fizessem existeria gays que eram capazes de pagar esse dinheiro, não os portugueses, mas americanos e de outros países.
Quanto ao Cavaco sei que é mesmo pela política, porque ele é demasiado reservado, mas como ele soube que a Manuela Leite perdeu, por ser contra aos gays, agora está a fazer outra jogada e tem outro trunfo na manga.
A mim as pessoas não em enganam, que sei que estratégias elas fazem para obter o que querem.
Eu adoro estratégias, mas não as faço no amor, e na minha vida, apenas na profissional, sem pisar ninguém, porque o dinheiro não é tudo, mas sim a nossa mente, o nosso interior ou alma e o nosso coração.
O mais engracado agora, e que a direita toda esta contra ele, ate o Sr. Cardeal que o apoiou tanto e a Dona Maria, quando eram Professores na Catolica....
Se o Sr. Prof. Anibal tivesse 1 pingo de honra, nao se candidatava, e ia tratar dos netinhos, que ja e boa hora.....
A direita ficou completamente em polvorosa, O Tal Candidato da Direita teve um assomo de esquerda! Rs, e deixou a porta mais aberta à esquerda! Dessa vez vamos ter poesia em Belém! O PROBLEMA é que quantos mais são na reforma a viverem como reis, mais dinheiro emprestado o país tem de pedir!
Luísa Peluda
Bem, vamos lá ver se nos entendemos de uma vez por todas: em que é que ficamos, na crise, ou nos casamentos dos homossexuais?
O melhor é acabarem com os casamentos, seja de que sexo for, porque as pessoas d'agora, não sabem muito bem o que querem e não tarda nada, já querem casamentos de 3 pessoas, porque estão a confundir amizade com amor, enquanto andamos nesta onda, ninguém se entende! e a crise vai aumentando e andamos distraídos com coisas que pouco interessam; ninguém consegue viver junto com outro, para toda a vida, isso era d'antes, agora as pessoas cansam-se umas das outras e os divórcios aumentam todos os dias; então juntem-se sejam felizes e deixem-se de cerimónias... assim as crianças já podem ter um pai e uma mãe( que é mais comum), ou dois pais e uma mãe, ou duas mães e um pai e secalhar sentem-se mais felizes do que não terem mãe ou não terem pai, porque a criança não aparece do nada!!! deixem-se de disparates que prejudicam as crianças, pensem mas é em maneiras de fazer o país produzir, para que seja nosso para sempre (sem nos meterem as mãos nos bolsos), é abrir bem os olhos e não deixarem que façam dos portugueses um país de gente parva, para que os outros não se riam de nós!!!
Mau Caro filipe, o seu artigo , como de costume é manifestamente objectivo e levanta a tematica dum presidente que perfilha a posição contraria à aprovação e estava perante o dilema de o não aprovar, seria compulsivamente obrigado a faze-lo, pelos partidos que estiveram na sua genese legistaltiva.
Já se começam a perfilhar movimentos , expandidos pelos Media, desejosos de polemica ( que marivilhoso tema para alimentar as redacções durante uns meses...) a fazer crer que o Dr. Cavaco fez uma traição ao espirito da familia e aos principios da Igreja Catolica.Parece-me que a maioria do Povo Portugues, pouco lhe importa esta questão, tem outros problemas mais graves e se a malta quer viver junto OK, se querem ter os mesmos direitos dos casais casados legitimamente.., Ok, mas por favor meu Caro Filipe, mude o tema, que o seu tempo e capacidade merece outras coisas e nós gostamos mais de le-lo sobre a sociedade, e não sobre assuntos de minorias.
Como será agora, o Papa disse que era contra , o Presidente teve que aprovar sabendo que está contra, onde estará a etica politica , será que já não existe ? Seria razoavel vetar e depois aceitar recebe-la novamente para a aprovar , deixando no seu eleitorado a mensagem de que era contra ? Não será isso, uma prova de fragilidade deste actual Presidente ?
Aprovando e não vetando, terá perdido votos à direita ?