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Programa de Estabilidade e Crescimento

Afinal, havia impostos

Veja a Banda Desenhada da VISÃO desta semana, na qual se acompanha, de forma divertida, a evolução desde as promessas da campanha eleitoral até à dura realidade das medidas impostas pelo Governo Sócrates no PEC

22:45 Sexta, 26 de Março de 2010
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Ensina-nos a sabedoria popular que "todo o burro come palha, a questão é saber dar-lha". Em política, nada mais certo. Mas quando os portugueses começarem a receber menos do reembolso do IRS, vai ser preciso muita "palha" para os convencer de que os impostos não subiram... como sempre prometeu o Governo de José Sócrates.

Se a carga fiscal aumenta, como alega a oposição, ou não, como insiste o Governo, é uma questão para a retórica parlamentar. Segundo o fiscalista Diogo Leite Campos, "é evidente" que existe um aumento de impostos. "E muito significativo. Não estamos a falar de tostões, mas sim de centenas de milhões de euros", acrescenta. "Há duas maneiras de fazer subir os impostos: uma é aumentar a taxa e a outra é alargar a matéria colectável, em prejuízo dos benefícios fiscais", esclarece. Tal como acontecerá na maioria dos escalões de IRS.

Miguel Frasquilho, do PSD, diz que o Governo toma os portugueses por "tolos". Porque o facto é que se vai pagar mais IRS, por via da redução dos benefícios fiscais e das deduções à colecta. Assim manda o PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento, sendo esta medida uma das que mais contribuem para a poupança orçamental: 0,26% do PIB, por ano, até 2013.

Esta redução afectará todos os que ganhem mais de 517 euros por mês (ver caixa Carga fiscal aumenta), mas segundo o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, dos 4,6 milhões de agregados familiares, 3,5 milhões (o número de contribuintes que ganha até 7 250 euros anuais e parte do terceiro escalão do IRS) não serão abrangidos. Leite Campos tem uma tese diferente: "Os salários mais baixos também sofrerão penalizações por não estar prevista uma actualização fiscal de acordo com a inflação, o que reduzirá o poder de compra dos contribuintes. Disso não tenho dúvidas. O PEC vai afectar toda a gente."

Teixeira dos Santos, por sua vez, defende a justeza da redução dos benefícios fiscais: "Os contribuintes não pagam o que deviam pagar em impostos, porque o Estado lhes dá a possibilidade de pagar menos. O Estado abdica dessa receita. Mas a forma como está repartida esta vantagem deve ser mais equitativa", explicou, na terça-feira passada, no Parlamento. Mas a oposição não pareceu convencida e o deputado comunista Honório Novo falou em "aumento brutal da carga fiscal".

Alternativas procuram-se

A resolução sobre o PEC será votada esta quinta-feira, dia 25, na Assembleia da República, por iniciativa do PS. Mas apenas o PSD a deverá viabilizar, abstendo-se. É essa a posição do seu líder parlamentar, Aguiar Branco, e candidato à liderança do partido. Uma posição não partilhada pelos outros candidatos, Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel e Castanheira Barros, que defenderam o voto contra. Mas as críticas não têm origem apenas na oposição...

No PS, o documento também não é de digestão fácil. Começando em Mário Soares ("Não compreendo como é que se vai privatizar os CTT, uma companhia de bandeira como é a TAP, ou outras companhias assim"), passando por Manuel Alegre ("Há um custo social excessivo que vai recair sobre a classe média e média baixa), continuando em João Cravinho ("O PS entrou numa deriva à direita que vai ser muito difícil fazê-la regressar sem que haja grandes alterações na própria direcção do PS") e terminando em outras figuras como Ana Gomes ou Paulo Pedroso. E José Sócrates lá vai dizendo que nunca esperou unanimidade. Mas, afinal, outro PEC é possível?

"Vejo muita gente a criticar o PEC, mas não vejo ninguém a apresentar uma alternativa", diz Diogo Leite Campos, que só vislumbra como alternativa credível às medidas impostas pelo Governo a subida de IVA em 1 ponto percentual, que, segundo garante, "daria uma receita da ordem dos 500 a 600 milhões de euros".

Exactamente o mesmo valor que Francisco Louçã quer ir buscar ao IRC. Como? "Se os bancos pagassem a taxa normal de IRC, só isso serviria para arrecadar 500 milhões de euros", avança o bloquista, que propõe, igualmente, uma taxa de 25% sobre todas as transferências para offshores. Do lado da despesa, o BE pouparia dinheiro renegociando as parcerias público-privadas e limitando os serviços de consultoria jurídica externa. E para reanimar a economia, apostaria no investimento público na "reabilitação de casas desocupadas e degradadas, recuperando 200 mil casas e criando 60 mil postos de trabalho directos".

"O combate ao défice começa agora. Os próximos tempos serão decisivos para avaliar a capacidade de resposta destas medidas [do Governo] ao esforço de contenção orçamental fixado e, sobretudo, para determinar se os objectivos de crescimento económico não ficam seriamente comprometidos com o impacto que as medidas terão nos bolsos dos portugueses", considera Jaime Esteves, partner da consultora PricewaterhouseCoopers.

Dinheiro perdido

É que se os salários não crescem, o poder de compra fica comprometido. E isto já a CGTP diz há muito tempo. Outro PEC é possível e desejável, alega a maior central sindical portuguesa. Há ali "graves pecados" que a CGTP não perdoa, com destaque para as privatizações ou para os cortes nas despesas sociais como o subsídio de desemprego ou o rendimento social de inserção (ver caixa Prestações sociais encolhem). O estabelecimento de tectos para as prestações sociais (do regime não contributivo) e a respectiva diminuição, permitem ao Estado poupar, por ano, uma média de 0,43% do PIB (cerca de 700 milhões de euros). Mas vai deixar de fora portugueses que a elas teriam direito.

Arménio Carlos, dirigente da CGTP, preferia poupar noutras coisas. "Devia acabar-se com o outsourcing ou limitá-lo muito. O ano passado, foram gastos mais de mil milhões de euros a encomendar serviços aos privados, havendo, no Estado, pessoas capazes para os assegurar", diz. Ainda assim, não haveria sempre necessidade de congelar os salários da função pública? "Nada justifica isso", responde o sindicalista, "é preciso melhorar o poder de compra para dar ânimo à economia". Os funcionários públicos não vão deixar passar este PEC sem luta e já agendaram para Maio uma manifestação nacional.

Outras medidas necessárias, para Arménio Carlos, passariam pela identificação dos responsáveis pelas derrapagens nas obras públicas (fazendo-os pagar por isso), pelo assalto às offshores e pelo combate à fraude e evasão fiscais.

Foi justamente este último ponto que Vítor Bento, economista e presidente da SIBS, a sociedade que gere a rede de multibanco, realçou esta semana, numa conferência promovida pela Faculdade de Direito de Lisboa. "Se conseguíssemos reduzir a economia paralela de 15% para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), íamos buscar 2 pontos percentuais do PIB", afirmou.

E não só. A melhoria da máquina fiscal poderia ser outra solução eficaz. Diogo Leite Campos garante que existem actualmente 43 mil processos de litígio entre contribuintes e o Estado "parados" nos tribunais de 1ª instância, que "envolvem valores da ordem dos 13 a 14 mil milhões de euros". Se atendermos ao facto de 40% a 45% deste tipo de processos serem resolvidos a favor do Estado, a aceleração destes casos na Justiça poderia proporcionar um "encaixe da ordem dos 6 a 7 mil milhões de euros" aos cofres públicos.

Um valor muito idêntico ao que o Executivo pretende realizar com a privatização de várias empresas públicas. Com a Justiça portuguesa a funcionar, talvez o Estado ainda pudesse conservar alguns dos seus anéis empresariais. São muitos "ses" a ter em conta. Mas, para já, é com este PEC de José Sócrates que teremos de nos governar nos próximos quatro anos.

Palavras-chave  impostos, pec, BD, sócrates
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Estado de má fé...
spitzer (seguir utilizador), 4 pontos (Interessante), 23:58 | Sexta, 26 de Março de 2010
O Estado só ganha 40% a 45% dos processos em litígio?????

Significa que mais de metade desses processos só estão nos tribunais por culpa do Estado que, não tendo razão, decide ainda assim tentar cobrar nos tribunais aquilo a que não tem direito.

Um commum cidadão pode desconhecer a Lei, não estar habituado a lidar com determinada situação.. ser casmurro e pensar que tem razão e ir para tribunal. Mas que desculpa tem o Estado para não ter razão em mais de metade dos processos de origem fiscal em tribunal? Supostamente, a administração fiscal conhece a Lei. Ou alguém a conhecerá.. afinal, é o Estado que faz a Lei e até em Portugal seria estranho que o próprio legislador não conhecesse a Lei.

Além de fazer a Lei, é também o Estado que a aplica. A administração fiscal não só conhece (ou tem obrigação de conhecer) a Lei como também tem prática na sua aplicação. Concretamente, tem acesso a jurisprudência. Contrariamente ao comum cidadão, o Estado não pode alegar desconhimento da Lei ou falta de habito na aplicação da mesma. Como se explica então a taxa de insucesso dos processos em tribunal?

Se o Estado, que tem obrigação de conhecer as Leis que faz e os meandros das Leis que aplica, persegue até aos tribunais contribuintes que até têm razão, então porque os presegue? Será má fé da administração fiscal?
    Re: Estado de má fé...   
kizzaka (seguir utilizador), 3 pontos , 12:48 | Sábado, 27 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Sábado, 27 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
kizzaka (seguir utilizador), 3 pontos , 15:53 | Sábado, 27 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 2 pontos , 13:05 | Segunda, 29 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 14:08 | Segunda, 29 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 21:25 | Segunda, 29 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 22:16 | Segunda, 29 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
jcc_pt (seguir utilizador), 1 ponto , 21:13 | Sábado, 27 de Março de 2010
    Re: Estado de má fé...   
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 22:05 | Sábado, 27 de Março de 2010
Ai os Malandrins...
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 12:57 | Sábado, 27 de Março de 2010

Afinal havia impostos? Ai é?! Olha que espanto... num país em que a maioria dos cidadãos faz gala na fuga aos impostos; (não fora a Função Pública...); em que os empresários gostam correr riscos com a segurança do Estado; em que todos acreditam que se pode ficar rico sem trabalhar; desconfiam da Educação, estavam à espera de quê? Milagres? Nem a senhora de Fátima nos vale...
Não dinheiro paea uns...
spitzer (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 14:25 | Sábado, 27 de Março de 2010
O espantoso é que não há dinheiro para a educação, não há dinheiro para as pensões nem para os salários, não há dinheiro para a saúde, não há dinheiro para o cheque-cirurgia para operar velhota... mas há sempre dinheiro para aparar os golpes dos empresários de sucesso.. como o Dias Loureiro...
Burro
Joaquimalbertodias (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 15:14 | Sábado, 27 de Março de 2010
Será impressão, minha ou estão aqui um sem número de propostas onde seria possivel poupar na despesa, e limitar os aumentos encapotados nos impostos?
Leva-me a pensar que o nosso (des)governo acha que somos burros, mas não pode mexer com interesses instalados, nem com os boys contratados para assessorias, que não sabemos , mas até podem ser fictícias. Porque ninguém me garante que o estado não terá assessores competentes, sendo por isso necessário recorrer a serviços externos, inflacionando imediatamente os custos.
Será que o jornalista que escreveu o artigo é mais inteligente que todo o nosso (des)governo?
  Acredito que sim.
Só espero que a nova liderança do PSD traga algo de novo e alguma esperança para a economia, e que não sejam sempre os mesmos a pagar pelos erros de governação.
    Re: Burro   
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 18:24 | Sábado, 27 de Março de 2010
    Re: Burro   
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 18:28 | Sábado, 27 de Março de 2010
    Re: Burro   
abenjas (seguir utilizador), 1 ponto , 0:05 | Domingo, 28 de Março de 2010
SUBIDA DE IMPOSTOS EM BANDA DESENHADA
JOAQUIM DIAS (seguir utilizador), 1 ponto , 17:02 | Sábado, 27 de Março de 2010
CLARO QUE NO FIM DO ANO,QUANDO FIZERMOS AS CONTAS E DESCONTARMOS MAIS DE IRS QUE DESCONTARÍAMOS SE O PEC NÃO FOSSE APLICADO,CHAMEM O QUE QUISER, MAS NÃO VALE DEITAR POEIRA PARA OS OLHOS DOS PORTUGUESES, ISTO É SUBIDA DE IMPOSTOS.
JÁ AGORA PARA FINALIZAR O BONECO DO SOCRATES DEVIA TER UM NARIZ DE PINÓQUIO.
JOAQUIM DIAS
Beco sem saída?
Lightning bird (seguir utilizador), 1 ponto , 9:34 | Domingo, 28 de Março de 2010
Porque que não se favorece mais o maior número populacional desfavorecido, para que se possa produzir e encontrar-se mais formas de subsistência sustentáveis que tanta falta nos farão no futuro? Porque é que além do premente PEC não se promove já uma economia menos industrial, mais equânime, de maior cooperação a nível local e regional, para que mais iniciativa e actividade possam surgir com melhor suficiência tanto na produção, como na educação, saúde, cultura e arte, em vez de se continuar na ilusão capitalista de gestão financeira que favorece principalmente os grandes grupos económicos e Estado, ao mesmo tempo apertando o cinto ainda mais àqueles que na realidade são os que mais trabalham e produzem, a classe média? Os pobres mal se conseguem mexer e os "grandes" vivem em "impérios" inflados pelos "pobres". Socialmente é isto. Porque é que em anos idos de subsídios da CEE, se desperdiçaram tantos milhões, se beneficiou maioritariamente os grandes e não se criaram condições técnicas a nível nacional, local e individual, para que as pessoas pudessem brotar com mais iniciativa própria, dando mais liberdade à população, em vez de tornar as pessoas dependentes do sistema e de grupos particulares económicos? Porque é que se descaracterizou o nosso potencial agrícola, florestal, textil tradicional e que mais verdadeiro sustento interior de características e recursos únicos, por uma competição de lucro exclusiva?
Eis o resultado da política que só vai secar ainda mais o terreno.
Impostos ou «em postos» ?!
Manuel Portugal Pires (seguir utilizador), 1 ponto , 19:42 | Quinta, 15 de Abril de 2010
Talvez o Sr. Sócrates não quisesse dizer «que não haveria mais impostos», mas quereria dizer «que não haveria mais em postos», isto é que iriam diminuir os postos de trabalho («não haveria mais em postos») e é isto o que está a acontecer!

Manha tem ele muita, o espertalhão! ...
Impostos? Venham eles!
MFigueiredo (seguir utilizador), 1 ponto , 10:02 | Segunda, 10 de Maio de 2010
Venham os impostos para combatar a rebaldaria do Estado que em ano de apertar (mais do que o normal) o cinto, dá tolerância de ponto a quem já não produz para o que ganha e vamos nós todos pagar mais um desperdício! Para estes casos o meu lema é "TOLERÂNCIA 0". Assim não há imposto que nos valha. Por um acaso não querem o meu ordenado? Posso sempre ir prás ruas pedir e roubar uns super-mercados, quiçá!
    Re: Impostos? Venham eles!   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 10:21 | Terça, 11 de Maio de 2010
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