Acerca da repercussão política de rabos e recibos verdes
Esta pode ser a geração dos 500 euros porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca.
5:42 Quinta, 25 de Março de 2010
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Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo, um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo que foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama "a minha geração" passasse a ser conhecida por "geração rasca". Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por "geração dos 500 euros". O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquietante: é possível que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salários de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a "geração rasca" e a "geração dos 500 euros" coincidam: quem é rasca, em princípio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.
Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que as pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas a partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil e, às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas - chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de uma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É bem mais fácil deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros.
Eu um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho
(86anos)o que me resta dizer é que não tenho capacidade para dar
um parecer àcerca dêste assunto em que os comentários são de
gente académica.O que tenho para dizer é que enquanto estive em
Portugal,andei sempre à rasca,apesar de trabalhar no duro e até
mesmo depois de casado e de minha esposa também trabalhar numa Fábrica.Portanto para rematar direi:
A Pátria-Mãe p'ra mim madrasta,
empurrou-me p'rà emigração.
Maldita seja a Governação,
que Portugal p'rà miséria arrasta.
As gerações são apenas, e só, aquilo que lhes deixam ser. A pretensão que a juventude, ou melhor, a jumentude, tem algum poder real é uma ilusão juvenil. A minha geração é um conjunto de pessoas como as demais, são fruto da época e não deles (nós) mesmos. Os putos hoje são o mesmo bicho que os putos de sempre. Se fossemos putos hoje seríamos iguais a eles e vice versa. Não definimos o tempo, o tempo é que nos define a nós. Quanto à felicidade, enquanto não percebemos como funciona o ser humano não vamos saber tirar proveito dele. A crença no poder do dinheiro para realizar a felicidade, é apenas uma crença decorrente de uma época de ignorância do funcionamento humano. A idade moderna percebe tanto de felicidade humana como a idade média. A outra pensava que com a guerra conseguia alguma coisa, a de hoje acredita que com o mercado chega a algum lado em termos humanos. E resulta nisto, andam todos a tentar saquear o máximo para sobreviver ao mercado e depois não sobra tempo para mais nada, muito menos para a felicidade. A crença que activar a felicidade humana é fácil, basta dinheiro ou poder, é típica de quem não conhece o domínio da felicidade humana. Carpe diem
Nunca mostrei os meus fundilhos, mas participei em várias manifestações, algumas como líder estudantil e acho que não éramos tão conformados como esta geração que eu apelido de "à rasca". Agora, não fora atitudes como a do traseiro "au air", e muito provavelmente, esta geração à rasca, ou dos 500 €uros, seria a dos 350 €uros,...Quanto ao dinheiro,...bem,...eu não tenho qualquer tipo de ilusões, nesse em particular,...claro que traz felicidade e independência e conforto e outro modo completamente de estar e compreender a vida e só que não for honesto ou carregue alguma maleita mental,...ousará afirmar o contrário,...Bem Haja,...
...Felicidade?
Ao meu vizinho, cheio da papel, trouxe a Felicidade, que é a vizinha do 3º direito, a Esperança, que mora no 5º esquerdo, a Prazeres, que é do 2º frente e eu tive que mudar de casa, aproveitando o facto de morar no r/c e ele ter começado as *compras* de cima p´ra baixo!
É que... Nunca fiando!
Eu também sou da geração "R", nunca fui a nenhuma manif, pois naquela altura manifestava-se pelas propinas, e eu as minhas, que remédio, pois andava numa privada. Não tive os 18,2 para furar os nº clausus. Quem me tramou foi o Marx na especifica de filosofia e foi a PGA onde tirei 48%, e subi para os 70% depois de recorrer da avaliação. Parecido com o que se passa agora com as sentenças objectivas e inequivocas dos orgãos disciplinares da liga de clubes.
A geração "R" equilibrou o país. Sucedemos àquele pessoal que calçava lois e ouvia UHF e Salada de Frutas, que tinham por sua vez sucedido o pessoal do PREC. Nós fomos a junção de ambas as gerações, de uma intoxicada por uma atitude politica que não entendia, pá, e outra intoxicada por umas substâncias que eram novidade, meu. Nós tivemos acção politica sem incendiar sedes dos partidos, ao mesmo tempo que curtiamos a prosperidade do el-dorado cavaquista sem ouvir as doce. Eu acho que é melhor mostrar o rabo a uma ministra que incendiar a sede de um partido. Mas melhor ainda é ouvir Resistência e Quinta do Bill em vez de Taxi e Tonicha.
É verdade, o dinheiro não traz felicidade... traz mulheres, e as mulheres trazem felicidade.
O que falta a este país é espírito de união e seriedade, falamos, reclamamos, "choramos" que estamos mal, mas se conseguirmos passar por cima dos outros nem pensamos duas vezes.
Bem, e resta saber qual será a minha geração... gosto de olhar para ela apenas como a Geração de 90 (anos 90, não 90 euros, entenda-se), não raras vezes fundida com as gerações de 89 e 91, as quais constituem um trio ao qual, até à data, tenho relativo orgulho em pertencer (se é que faz sentido ter orgulho, de todo). Mas, e talvez isto não passe de mero saudosismo e falta de conhecimento de causa, mas olho para as gerações posteriores a virem ocupar as minhas antigas escolas e fico sempre com a sensação que em vários aspectos são piores do que a minha e do que as suas precedentes, o que é preocupante. Por outro lado, têm mais sorte em alguns aspectos (os putos de hoje em dia não têm de vestir aquelas roupas foleiras que se usavam há mais de 10 anos atrás, os putos agora logo têm computador e Internet...), mas continuo a achar que a melhor altura para ter vivido a minha infância e adolescência foi mesmo aquela em que vivi. Não gostava de ter vivido nas décadas anteriores, muito menos durante as de ditadura, e não gostava de ter tido a juventude que os meus pais tiveram, mas também não me frustra não ter tido tecnologia de ponta quando era miúda... não só não precisava, como o facto de não ter pc's e telemóveis para me distrair deixavam o meu cérebro mais livre e, consequentemente, mais ágil. Quanto ao futuro, e ao campo económico-financeiro em particular, não sei o que irá caracterizar a minha geração... mas até agora, foi bom ter-lhe pertencido :)
A minha geração é a mesma da tua, participei em manifestações contra a PGA, mas na escola que frequentei os alunos não mostravam o rabo, agiam até por convicção embora com muita rebeldia e espírito pouco construtivo, o rabo foi visto na televisão de apenas um aluno, e bastou para criar um rótulo numa geração, hoje são "a dos 500 euros", considero que quem cria estes rótulos, nem nunca ganhou 500 euros, quanto mais mostrar o rabo, não brinquem com injustiças profundas nesta sociedade, de quem tira um curso superior e é qualificado e depois é discriminado no salário e na sua dignidade. Qual é a felicidade implícita na criação destes rótulos nas gerações?Qual é o seu objectivo?
No que diz respeito a patrões, não me parece que a actual geração seja muito pior do que as anteriores: São todos «rascas». Basta ler o livro branco, onde consta que 74% dos patrões portugueses têm até ao 6º ano de escolaridade e 50% tem ou a 4ª-classe.. ou menos!
Pensando bém, é um milagre Portugal ter, ainda assim, uma economia. É que não só somos um país de analfabrutos como, ainda por cima, são os analfabrutos que mandam nesta xafarica.
Onde é que, nos zEstados zUnidos ou num qualquer país desenvolvido, um medíocre como o Sócrates que, a ter sequer estudado estudou em escolas de segunda e terceira categoria, teria alguma hipótese de chegar a primeiro-ministro? Olhe-se para os nossos autarcas, até mesmo para os nossos deputados.. gente rasca, senão por geração, por natureza mesmo!
Muito provavelmente eu sou da geração 500 euros. Pelo menos esse foi o salário mais alto que recebi e foi no mês em que fui dispensada. No entanto, não culpabilizo a geração rasca, pois a geração forreta também emprega muita gente. Ainda assim, a geração rasca é aquela que diz o seguinte: "queres um emprego? ainda se quisesses trabalho..."
Concordo, mas acho que a culpa é dum profundo atraso mental colectivo do povo Portugues. Acho que vivemos num regime oligarquico, em que 10 a 15 por cento da populaçao tem todo o tipo de benesses suportados pelos restantes, que têm direito a merda.Por exemplo o ordenado do "boy" Rui Pedro Soares dava para pagar 300 ordenados normais de empregados dum call center.Sera que ninguem mede a desproporcionalidade? conselhos de admnistraçao e ceo´s a orientarem-se á conta dos nossos impostos...tudo é permitido nesta libertinagem nojenta.Pegaram no conceito de economia de mercado para o ajustarem aos seus interesses.Mais valia um Fidel Castro ou um Oliveira Salazar a mandar.Pelo menos ou havia moral ou comiam todos.Deste modo é uma sociedade que na, pratica, tira aos pobres para dar aos ricos.Assim mais vale integrar-se esta merda na Espanha.
É bem verdade que o dinheiro não traz felecidade, porem, o que me traz felicidade é tudo muito caro!!!
Entre muitas outras coisas a saude em Portugal é cara, e sendo eu da geração dos 500€ é complicado para mim ser Feliz ou "lá o que isso seja"!!!!