Embora ouça repetitivamente o Governo dizer que o PEC não representará uma subida de impostos, a verdade é que Portugal é desde já o 3.º país que mais carga fiscal vai aumentar até 2013.
1. Estimados leitores começo esta crónica, dando-vos conta da minha inquietação e noites mal dormidas, devido ao caso da actriz/deputada Inês de Medeiros.
Tenho pensado muito. Tenho acordado a meio da noite a pensar como é que a Dr.ª Medeiros sobrevive com o "ordenadito" de deputada e, um suplemento de actuações em palco nas horas vagas. Vai daí e, estou tentado a escrever uma carta à D.ª Elza Pais, pedindo-lhe a maior celeridade para resolver esta tamanha "injustiça social" quanto ao pagamento das ajudas de custo da deputada Medeiros, dado que Jaime Gama andará por esta altura "atulhado" em pareceres jurídicos, que possam fundamentar este "equívoco na lei" e que segundo o próprio já afirmou: "é um caso excepcional e não faz "jurisprudência" para o futuro.Ou seja, não é com base neste despacho que se multiplicarão os casos de deputados a requerer viagens para casa, se tiverem residência no estrangeiro. Outra conclusão: para resolver, de vez, o problema é preciso rever o regimento da Assembleia".
Segundo o que consegui perceber, os custos das deslocações da deputada a Paris estão a ser suportados - imagine-se - pela agência de viagens que arranja os bilhetes de voo para esta (oxalá tivesse sido a Marsans). O processo arrasta-se pelos corredores da Assembleia da República, desde que a Dr.ª Medeiros "actua" no plenário e tem que fazer o favor - a todos nós - de vir a Portugal para trabalhar (e participar afincadamente nas comissões de inquérito de óculos de sol na cabeça) voltando a Paris para descansar. Mas, até agora ninguém pagou as deslocações da deputada socialista.
As facturas ainda andam pelo Parlamento, à espera que haja uma decisão da AR. A dificuldade da decisão está em interpretar uma lei criada por nós e, para nos reger a nós mesmo. Todo o deputado que se desloque entre o Parlamento e a sua residência (par além de outras regalias, imagine-se) tem direito a um "chorudo" subsídio para abastecer o seu "fiat panda allroad V6 a gasolina" num qualquer posto da Galp. Aqueles que moram para lá da fronteira lusa, não têm enquadramento legal. E imaginem só, parece-me que é o caso da deputada Medeiros. Então vejamos: alguém que estava no estrangeiro; não residia em Portugal; não fazia os seus descontos em Portugal; não pagava o IVA da gasolina, de um café e gelado, num posto de abastecimento português; não pagava o IVA numa farmácia portuguesa; não pagava o IVA numa qualquer portagem portuguesa; não pagava o IVA dos iogurtes com fibras que comprava no supermercado do Sr. Ginestélio, enfim, a Dr.ª Medeiros quase que deixou de ser portuguesa e vai daí alguém se lembrou que dois ou três aviões A320 carregados de votos compunham o gráfico eleitoral das últimas eleições.
Quanto às ajudas, pedida uma explicação, a deputada diz: "não sei quem paga, nem quanto custa a viagem. Nada disso passa por mim, apenas me limito a telefonar e encomendar os bilhetes".
Ó Dr.ª Medeiros e muito já faz a senhora. No entanto, fica desde já a saber que a TAP faz o percurso em classe executiva Lisboa/Paris/Lisboa por uns meros 1.200 euros. Ainda vai a tempo de mudar a morada para perto do seu local de trabalho, poupando assim uns trocos aos seus telespectadores.
2. É mera coincidência, mas Ricardo Roque (departamento património do IEP) tem uma máquina de café "quase" igual à minha. A primeira diferença é que a minha Nespresso é automática. A segunda e grande diferença é que a minha foi paga do meu bolso.
Entre 2002 e 2007, o empresário "sucateiro" Manuel Godinho ofereceu prendas de Natal, no valor de milhares e milhares de euros. Entre elas estão meras canetas Montblanc, relógios Rolex, uma máquina de café Nespresso (que por sinal tiram óptimos cafés), garrafas de whisky 12 anos, decantadores em prata, cantis da Vista Alegre, centros de mesa (esculpidos em madeira exótica), jarras de prata, tudo oferecido a personalidades já mais que conhecidas entre nós, como António Mexia, Armando França, Ana Paula Vitorino, José Américo, Armando Vara, Ricardo Roque, Jorge Coelho, José Penedos, José Sócrates, Miguel Horta e Costa, Braancamp Sobral, a GNR de Canas de Senhorim, entre outros. Em 2009, questionadas algumas destas ilustres pessoas, nenhuma disse que conhecia Godinho. José Sócrates, pessoalmente, não recebeu nenhum presente. Pode muito bem ter sido a governanta do seu "loft" a fazê-lo. Ana Vitorino, também não e, acrescenta que sabe quem lhe deu as duas ou três Montblanc que tem. Jorge Coelho chega mesmo a roçar o ridículo: " nunca tinha ouvido falar desse senhor; não sei se recebi ou não algum presente dele; recebo inúmeras prendas todos os Natais e canetas Montblanc devo ter recebido umas 200".
Meu caro Jorge todos os anos por essa altura, a nossa felicidade não deixa de ser parecida. Só que a minha contenta-se com dois pares de boxers e três de peúgas.
3. Embora ouça repetitivamente o Governo dizer que o PEC não representará uma subida de impostos, a verdade é que Portugal é desde já o 3.º país que mais carga fiscal vai aumentar até 2013. Compreendo agora o desabafo que um desconhecido me fez num almoço de há uns dias atrás. Dizia ele que mais tarde ou mais cedo, vamos acabar por pagar aquilo que se andou a fazer. Talvez quisesse dizer, que os impostos e as contribuições que andou a pagar à segurança social vão representar 35% do PIB, dentro de três anos irão representar quase 38%. Claro, vamos lá às comparações. Sim, só a Grécia e Espanha estão acima de nós. Ainda há gente para além de nós, que se vê mais grega. Vamos ter também um escalão de IRS a rondar os 45% para todos aqueles que sejam bafejados com 150 mil euros de rendimentos/ano (todos, menos os que ganham por "fora", aqueles que o apliquem em offshores, aqueles que não os declarem, enfim.....); reforços nas contribuições à segurança social com a introdução do novo código contributivo para o próximo ano e a criação de novos tectos para as deduções e benefícios fiscais.
A vida continua a custar muito a todos. A uns mais. A outros menos.
Gostaria de Comentar o seu Artigo mas por ter encontrado tantas e tantas ^Verdades" e todas elas "Embrulhadas num Papel de Humor Negro digno de Seres Intelectualmente Evoluídos", sinto-me incapaz de fazer comentários.
Somente quero que saiba que e lamentavelmente a inexistência ou pouca quantidade de pessoas que possuem esse seu Dom fazem com que a maioria dos Escritos não sejam entendidos.
Recordo-me - não sou a favor da Censura - que quando ia a Lisboa ia sempre assistir à 2ª. Sessão de uma Revista no Parque Mayer e depois Ceava no Gambrinos, porque era para mim DELICIOSO aperceber-me de tudo aquilo que o Autor pretendia dizer do então Regime Salazarista mas com um "palavriado entendível" para os mais atentos.
Parabens pelo seu comentario, muito realista mas muito triste pelas realidades escritas.
A meu ver a vida custa mais às pessoas que vivem à custa do trabalho dos outros pelo simples facto de terem a liberdade de se pronunciarem livremente por esse Portugal fora gritando aos quatro ventos, nós gerimos o país, nós poupamos em tudo que é material menos nos nossos gordos salarios que são muito nossos.
Não nos fassam perguntas sobre como nos preocupamos para vos sacar os euros para gozarmos a nosso belo prazer.
Que país de desavergonhados. Que imagem estes individuos dão sobre as nossas pessoas para o exterior.
O PEC não vai aumentar imposto, palavras ditas pelos governantes, já ouviram alguma verdade deste governo? Será que esta será a primeira? Também só acredita quem quer, penso eu.