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A ululante vuvuzela chachateia

Portugal reduziu a Costa do Marfim à dimensão de Cabo Verde, que também já tinha humilhado com igual empate a zero bolas

2:39 Quinta feira, 17 de Jun de 2010
A característica mais saliente do campeonato mundial de futebol da África do Sul é o facto de todos os jogos decorrerem dentro do reactor de um avião que está no meio de um engarrafamento de camionetas com a panela do escape rota, camionetas essas que levam dois milhões de lenhadores, cada um deles munido de duas motosserras. O espectador que arrisca acompanhar as partidas tem a sensação de estar uma hora e meia com uma varejeira do tamanho de um caniche junto de cada ouvido. Sendo que essas varejeiras também estão munidas de motosserras. Nesse sentido, o Costa do Marfim-Portugal principiou com uma falsidade: ao contrário do que os jogadores portugueses cantaram, não se sentia a voz dos egrégios avós. Em geral, não se sente a voz de ninguém, que as vuvuzelas não deixam. O que se perde em paciência, ganha-se em aprumo disciplinar: muito dificilmente um jogador será expulso por palavras, na África do Sul. Os árbitros não ouvem insultos nem que o Placido Domingo lhos grite aos ouvidos. Talvez não seja mau passar a avaliar os países candidatos à organização do torneio, tendo em conta o seu instrumento nacional. Países em que haja apreço musical por tubas, violoncelos e pianos de cauda dão bons anfitriões. Tudo o que não possa ser transportado para a bancada de um estádio deve ser valorizado.

Entretanto, apercebo-me de que fiz referência ao Costa do Marfim-Portugal e o leitor, se calhar, nem sabe que houve jogo. É tão raro haver uma notícia, um comentário, uma análise, um especial de quatro horas e meia sobre o Mundial que, quem não estiver com atenção, perde a maior parte das informações. Imagino o leitor a rebolar no chão, convulso de riso, por causa deste belo naco de ironia. Na verdade, é mais fácil uma pessoa esquecer-se de que o Natal calha a 25 de Dezembro do que ignorar que Portugal jogava com a Costa do Marfim no dia 15 de Junho.

E a tensão em que esperámos pelo dia da estreia de Portugal no Mundial, a indignação com que vituperámos o ligamento que deixou de aconchegar a clavícula do Nani, a expectativa com que acompanhámos a partida do autocarro da equipa, o interesse com que seguimos a chegada do autocarro da equipa, o orgulho com que assistimos ao estacionamento do autocarro da equipa - tudo valeu a pena. Portugal não perdeu. E reduziu a Costa do Marfim à dimensão de Cabo Verde, que também já tinha humilhado com igual empate a zero bolas.

Sobre o jogo propriamente dito, creio que não tenho qualificações para me pronunciar. Infelizmente, sou um rústico incapaz de captar as subtilezas do verdadeiro futebol de qualidade. Só para o leitor ficar com uma ideia de quão primária é a minha perspectiva sobre o jogo, devo dizer-lhe que prefiro aquelas partidas em que os jogadores fazem boas jogadas, no fim das quais enfiam mesmo a bola na baliza dos adversários. Já houve um tempo em que a selecção nacional jogava dessa forma bruta e pouco sofisticada mas, segundo me informam os especialistas, agora é que a equipa de Portugal está a ser treinada como deve ser. Por um professor, e tudo. No entanto, no fim do jogo, e antes de entrar no autocarro (cuja partida voltou a emocionar-nos) Deco criticou o estilo do futebol definido por Carlos Queirós. Nani já tinha deixado críticas implícitas e Ronaldo teve a desfaçatez de recordar Scolari, na última conferência de imprensa. Tudo isto se torna mais grave por ocorrer nas vésperas do nosso encontro com a Coreia do Norte. Será o embate entre a selecção do Querido Líder e uma equipa cujo líder é tão pouco querido. Pode ser perigoso.

 

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20 comentários
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Adeus Rui Santos e companhia
Diogo de Freitas (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 4:52 | Quinta feira, 17 de Jun
Por favor metam este homem a comentar futebol na televisao!! Já ninguem pode ouvir os toinos do custume.
    Re: Adeus Rui Santos e companhia   
IsaCota (seguir utilizador), 2 pontos , 16:58 | Quinta feira, 17 de Jun
    Re: Adeus Rui Santos e companhia   
Ana C. (seguir utilizador), 1 ponto , 21:24 | Quinta feira, 17 de Jun
    Re: Adeus Rui Santos e companhia   
igor_23 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:11 | Sexta feira, 18 de Jun
    Re: Adeus Rui Santos e companhia   
Ana C. (seguir utilizador), 1 ponto , 13:13 | Quinta feira, 17 de Jun
Se um Elefante Incomoda Muita Gente...
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 12:57 | Quinta feira, 17 de Jun

... dois elefantes incomodam muito mais!!!

Pois é, as vuvuzelas, com o seu característico som que imita o barrir do elefante, ganharam cosmopolitismo como objecto de culto deste mundial de futebol. Sociólogos, antropólogos e psicólogos têm neste fenómeno social imenso pano para mangas:

Insuportávelmente ruidosas? Etnocentricamente insuportáveis (aos ouvidos dos ocidentais)?

Quem deve estar a esfregar as mão de contente é a China, que as fabrica, bem como quem as vende. Na Bélgica, num site da internet, vendem-se às dezenas de milhar por dia, à razão de €9.80, com um lucro líquido de €4.00 (crise, qual crise?!). Entre os clientes, contam-se já sindicalistas - vá-se lá saber porquê...

Peço aos deuses que as autoridades resistam à tentação de proibi-las. Há que evitar o verdadeiro massacre resultante da atracção do 'fruto proibido' em que transformariam as vuvuzelas.
E vão sete..
bluelizard (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 0:52 | Quarta feira, 23 de Jun
Pessoalmente não sou daqueles que amo o garrafão, sou mais de garrafa e se for Borba tanto melhor, embora haja bem melhores; um Pêra Manca, branco ou tinto, um Barca Velha, e tantos, mas tantos outros. O pior é que são coisas para mexias e companhia, tá a ver?
Na relação dos 3 apontados, se for bom o conteúdo, honestamente a única coisa válida é de longe o garrafão. Ali mora um amigo que nos salva quando a selecção ganha, perde, vence ou é eliminada. Da mesma forma quando a religião deixa de ser a nossa base de sustentação, o nosso refúgio, porque cansa tanta promessa sem cumprimentos, o garrafão ali está, espera-se que cheio, e do bom, para nos ajudar a ultrapassar as agruras da vida e as injustiças dos governos PS e de todos aqueles que como eles por lá se andaram a governar. Com o amigo garrafão choramos de alegria e de tristeza e faaz-nos dormir como anjos.
De modo que, tem toda a razão, dos três, o garrafão é de longe o mais amigo, o mais fiável, o mais fiel, como o bacalhau.
Ah, mas não convém deixá-lo azedar, tornar-se-ia muito pior do que os outros dois.
Cumprimentos pela sua conclusão.
    Re: E vão sete..   
ritinha (seguir utilizador), 1 ponto , 10:12 | Quinta feira, 1 de Jul
De facto,...
Piorquemao (seguir utilizador), 1 ponto , 19:50 | Quinta feira, 17 de Jun
Com a era "queirosiana", tudo o que de positivo tinha sido construído antes, foi-se,...desde a empatia criada, à condução dos atletas passando pela blindagem aos que durante anos usaram a selecção como se da sua casa se tratasse. O povo está agora distante,...o escolhido não é um líder, criou antipatia com o povo, deixa transparecer que a condução dos atletas afinal mais faz parecer os hostis ambientes de outrora e last, but not least,...a blindagem foi-se,...passou toda uma época sentado ao lado de um determinado "dirigente" galego, dos tais que durante anos mandaram naquilo tudo,...infelizmente parece que o pesadelo de anos que tinha ficado para trás,...está de volta,...Que alguém nos ajude,...Bem Haja,...
Também gostei...
PJ (seguir utilizador), 1 ponto , 22:11 | Quinta feira, 17 de Jun
Também gostei de ver o autocarro da selecção a ser sobrevoado por helicópteros no percurso até ao piquenique...oooooooooops, "mega piquenique" - assim é que se diz e escreve na nossa comunicação social - do Modelo, e a parar numa estação de serviço da Galp, mais os infindáveis directos a propósito de coisa nenhuma...
  Se bem se lembram, o seleccionador disse após o empate com Cabo Verde que havia ficado satisfeito com a defesa, pelo que se viu no jogo com a Costa do Marfim, foi o único sector que funcionou, faltou foi treinar outra coisa, aquele momento em que a equipa tem a bola, creio que chamam a isso "ataque", que para o Queirós se resume a tentar passar bolas para o Cristiano para ver no que dá... 90 minutos de jogo, 2 remates enquadrados com a baliza... 4 jogadores Norte-coreanos estão desaparecidos, pode ser que desapareçam mais uns quantos até ao jogo com Portugal...
Queiroz pouco querido e pouco mestre.
CAfonso (seguir utilizador), 1 ponto , 23:06 | Quinta feira, 17 de Jun
Quando a selecção chega a um mundial com um desempenho tão mediocre, para mim, já é um grande feito participar no maior acontecimento mundial de futebol, nunca pensei que fossem capaz, depois de tanta asneira desenhada pelo professor que não tem culpa de não ter nascido para a função que desempenha. Agora passar aos oitavos de final? Isso era uma lotaria, sinceramente não acredito, embora tenhamos jogadores bons e de qualidade, não temos é liderança, nem equipa forte e competitiva.E não gostava eu de Scolari..."E o burro sou eu"?lembraste Ricardo?
Só disparate
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 15:44 | Sexta feira, 18 de Jun
Meu caro RAP, mais um artigo seu sem qualquer conteudo. Entre as vuvuzelas, concordo irritantes, e comentários de jornalistas sobre os jogos do mundial, sem perceberem nada de futebol, o que aliás deve ser o seu caso, ainda vou pelas vuvuzelas.
    Re: Só disparate   
ritinha (seguir utilizador), 1 ponto , 10:13 | Quinta feira, 1 de Jul
    Re: Só disparate   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 16:00 | Quinta feira, 1 de Jul
    Re: Só disparate   
ritinha (seguir utilizador), 1 ponto , 16:10 | Quinta feira, 1 de Jul
    Re: Só disparate   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 16:28 | Quinta feira, 1 de Jul
    Re: Só disparate   
ritinha (seguir utilizador), 1 ponto , 17:05 | Quinta feira, 1 de Jul
E falta falar sobre o reanimar da nossa sociedade!
igor_23 (seguir utilizador), 1 ponto , 22:15 | Sexta feira, 18 de Jun
Fico com vontade de rir com aqueles que dizem que Portugal sairia da crise e do fundo mais facilmente se a nossa selecção ganhasse algo! Pode até ter um fundo de verdade, mas porra somos portugueses e somos inteligentes! Precisamos é de líderes que nos puxem para cima, não de resultados desportivos!
Aliás o Benfica foi campeão e não notei diferenças...
E vão sete...
bluelizard (seguir utilizador), 1 ponto , 15:10 | Segunda feira, 21 de Jun
Qualquer Povo que se preze tem direito a um fartote de qualquer coisa. Desta vez foi um fartote de golos e nalguns casos de cervejas. Por cá bebe-se para festejar ou para esquecer. É por isso que nalguns casos se tem que pagar primeiro. Hoje festejamos, quer dizer, eu nem por isso, já não vou em futebóis nem em politicas e a religião, não por proibição médica, mas por automedicação, já a deixei faz imensos anos. Tudo o que causa dependência e stress, achei por bem deixar de consumir. O que custa é no começo, como deixar de fumar, mas depois, com o tempo a gente habitua-se e passa muito bem sem a lengalenga quer dos padres quer dos politicos quer dos professores de futebolês. Então o familiar da Drª Ferreira Leite esse fala pelos cotovelos. Para ele mais uns dois ou muitos, o futebol é a ciência mais exacta que Deus ao mundo botou; e falam, falam, falam - para esta gente há imenso tempo de antena, para as coisas sérias e importantes nunca há...porque será? Ora hoje foram 7, amanhã, contra o Brasil, sabe-se lá. Ontem eramos uma equipa sem valor, disseram muitos, durante os próximos dias seremos uma equipa formidável. E vamos ter que gramar a pastilha uma data de dias seguidos ou que desligar rádios, televisores ou computadorses pois eles, os tais professores e treinadores de bancada ou de balcão, politicos ou não, entram por todo o lado. Isto é uma praga. Exageramos em tudo.Também com politicos assim o que nos vale é a selecção, a religião?? ou o garrafão.
    Re: E vão sete...   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 17:24 | Terça feira, 22 de Jun
20 comentários
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