A República Madeirense e o governo regional do continente
Que Portugal estava confrontado com o Cobrador do Fraque já se sabia; que tenha ainda de suportar o Cobrador Fantasiado de Shaka-Zulu acrescenta enxovalho ao que já era embaraçoso.
Ricardo Araújo Pereira
5:38 Quinta, 1 de Setembro de 2011
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Este ano, excecionalmente, Alberto João Jardim começou o ano político a pedir dinheiro ao governo. Alguma vez tinha de ser. A crise toca a todos, e a prova é que até um homem conhecido por se contentar com o orçamento de que costuma dispor - que, além do mais, é acanhado - dá por si com falta de liquidez. Quer isto dizer que Alberto João Jardim está endividado, como boa parte dos portugueses? Não. Quer apenas dizer que Alberto João Jardim está endividado. Mas endividado à sua maneira, com uma dignidade e um sentido de Estado que as dívidas dos seus concidadãos não possuem.
Talvez os leitores incapazes de distinguir as dívidas normais das dívidas patrióticas não compreendam a diferença sem uma explicação adicional. Felizmente, Alberto João Jardim forneceu-a. Disse que aumentou a dívida da Madeira para se defender do "ataque financeiro"
constituído pela lei das finanças regionais, aprovada pelo governo anterior. "Com este rombo nas finanças da Madeira, eu só tinha duas hipóteses: ou fazia como no boxe, jogava a toalha ao chão e desistia
(...) ou então enfrentava-os como enfrentei e aumentei a dívida da Madeira." E acrescentou que optou pela "derrapagem financeira" para "resistir à agressão socialista (...) e agora poder negociar com o Governo que é liderado pelo PSD". A explicação é cristalina, mas talvez fique ainda um pouco mais clara se vertermos algumas expressões para um português mais simples. Quando diz que, perante a lei das finanças regionais, podia ter feito como no boxe e lançado a toalha, Jardim quer dizer que podia ter optado por cumprir a lei, mas isso seria uma mariquice equiparável a desistir de uma boa zaragata; quando diz que enfrentou o governo anterior e vai negociar com o atual, quer dizer que usou o nosso dinheiro indevidamente e agora chegou a altura de pagarmos a conta. Que Portugal estava confrontado com o Cobrador do Fraque já se sabia; que tenha ainda de suportar o Cobrador Fantasiado de Shaka-Zulu acrescenta enxovalho ao que já era embaraçoso.
No entanto, trata-se de um embaraço merecido. O povo português endividou-se por inconsciência, irresponsabilidade ou laxismo; Alberto João optou por contrair dívidas porque é corajoso, rebelde e arrojado.
É apenas justo que quem se endivida da maneira errada pague também as dívidas de quem se endivida da maneira certa. Eu próprio tenho algumas dívidas, mas são todas da responsabilidade do governo anterior. Para enfrentar José Sócrates, tive a presença de espírito de me endividar.
Creio que ele já aprendeu a lição. Assim que o povo português acabar de pagar as dívidas de Alberto João Jardim, faça o favor de pagar as minhas.
O Sr. Pereira decide esta semana presentear-nos com um autêntico artigo de análise politica, merecedor de publicação na Visão.
Já não era sem tempo: as infantilidades e bimbalhadas das últimas semanas estavam a encher a paciência dos seus leitores mais honestos e esclarecidos.
Quanto a Jardim, governante eleito legitimamente pelo povo madeirense (só os obtusos radicais lhe podem chamar ditador ou usurpador), não há muito a dizer: o homem é honesto; tentou desenvolver a sua (nossa) Ilha da Madeira à custa de milhões de investimento público; aproveitou a condescendência dos nossos primeiros-ministros que sempre lhe deram aval para aumentar a divida (certos de que o dinheiro não seria roubado mas sim investido em infra-estruturas – lembrar Jaime Gama); Jardim é também grosseiro, arrogante e agressivo para os opositores o que é lamentável.
O grande equívoco do timoneiro da Madeira foi não ter invertido a sua politica de gastos públicos excessivos, estando agora numa situação caricata e tem dado explicações lamentáveis para a bancarrota que se aproxima.
No mesmo erro caiu Sócrates e foi corrido. Resta ver se o mesmo irá acontecer a Jardim.
Portanto, Sr. Pereira, estou de acordo consigo e dou-lhe os parabéns pelo texto.
Como obtuso radical que sou é uma obrigação opinar sobre o ditador Dr. Alberto João Jardim e pela mesma razão comentar a sua característica de usurpador.
É realmente um ditador eleito pelo povo madeirense que não tem alternativa senão votar em AJJ. Porque se não o fizer há muitos empregos que vão à vida. E as pessoas não querem perder o emprego.
A administração pública no continente é um peso pesado nas contas do Estado. Vamos então fazer uma análise à Administração Pública madeirense e chamaremos o quê. Estado obeso? Trata-se de um ciclo. Dá-se empregos para manter o poder. Detem-se o poder porque se dá emprego.
É usurpador porque controla toda a comunicação social da ilha, paga com os dinheiros do Estado; porque faz as suas campanhas para a conquista do poder à custa do endividamento descontrolado; porque mantém o seu séquito eleitoral através da concessão de favores a empresários que acabam por ser o sustentáculo do poder.
Chamar honesto a este senhor é defender uma causa perdida ou manter uma cegueira política propositada.
Sócrates endividou o país pelo investimento público e é um gatuno. Alberto João endividou a Madeira e o País e é um gajo porreiro.
Alberto João não aproveitou a condescendência dos nossos primeiros-ministros. Alberto João abusou das prerrogativas de uma lei permissiva para se endividar, endossando agora a responsabilidade do pagamento para os “mouros”. Isto é honestidade?
AJJ não lançou a toalha ao chão porque se não fizer mais do que utilizar excessivamente os dinheiros alheios perdia o seu apoio eleitoral e seria apeado.
Se não fosse Passos Coelho, pessoa de quem AJJ nem podia ouvir falar há algum tempo e que agora põe a capinha sobre o Capitão da equipa madeirense (veja-se que PPC até teve a lata de dizer em Madrid que o buraco da 400 milhões deste ano já tinha sido previsto nas contas para manter o défice em 5,9…À custa dos 50% do subsídio de Natal dos papalvos, e da diminuição dos direitos das famílias nos campos da educação e da saúde).
Está tudo previsto com este governo. Padrinhos e afilhados não faltam.
Depois de anunciarem em grandes parangonas o maior corte na despesa dos últimos cinquenta anos, a montanha pariu um rato, porque enquanto as outras medidas sobre a receita têm pagamento imediato, o efeito sobre a despesa é ao retardador.
Porque tirar regalias aos afilhados…é obra.
Imaginemos que se punham quatro patas e um rabo a todos – eu incluso – desde o articulista ao último comentarista e ao visado Alberto João. Uma artéria de bairro pobre ou mediano, uma rua comprida, uma pequena quinta de um lado, um quintal com ferro velho do outro, podemos acrescentar um melro numa figueira, (ainda não começou a caça da Ministra), o Tiosérgio com uma bebedeira razoável a falar sozinho, e nós todos de rabo no ar e quatro patas no chão por ali pelo lixo fresquinho que a Tiamélia, muito amiga da bicharada, acabava de deixar ao lado do contendor do despejo.
De repente, contas mal geridas nos ossos, um de nós começa a arreganhar o dente ao Alberto João. Já se sabe o que de seguida vai acontecer, a criatura está gorda, velha cansada, gasta, vai-se abaixo e todos lhe caem em cima à dentada.
Lembram-se ainda do ditado: ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão? Que andámos ‘nós’ todos por cá a fazer? Porque são os ladrões tão bem tratados?
De acrescentar, sem qualquer ofensa ao maior amigo do homem, àquele que a nós mais se adapta, e não é por acaso essa adaptação, em certos comportamentos somos alma gémea. Um articulista não pode estar à espera que os outros mordam para morder também.
Deem uma ajuda nos melros:
http://maisumchato.blogsp...
"Quer apenas dizer que Alberto João Jardim está endividado. Mas endividado à sua maneira, com uma dignidade e um sentido de Estado que as dívidas dos seus concidadãos não possuem. "
Trouxe-me à memória uma parte do último discurso que ouvi a esse sr. e que me deixou de queixo caído pela lata monumental. Será que ele ainda embala os Madeirenses? Ou será o medo? Os ditadores estão em saldo. Eu se fosse a ele deixava crescer a barba e a seguir punha-a de molho.
blá blá blá ... Os madeirenses e os açorianos são muito feios (são culpados de tudo, até das minhas dívidas), o Alberto João é um aldrabão (como todos os políticos portugueses, principalmente os presidentes de Câmara), em Portugal só existe incompetência (tudo feio), a Margem Sul e o Benfica são muito bonitos (Jorge Jesus é um Deus), Braga, Porto, Sporting e companhia são desprezáveis (e muito feios), a PT é maravilhosa, mesmo muito bonita, etc. etc. blá blá blá, obrigado por mais um texto esclarecedor.
No passado já fui seu crítico duro, hoje dou-lhe os parabéns!...É uma crónica com humor, ironia e intelegência!... tocou muito bem numa ferida incómoda para muita gente... continue, sempre que for independente e honesto, terá o meu apoio!...
Mais uma grande crónica do RAP! As que visam a classe política em geral e o Alberto João em particular são das melhores, sem dúvida. Palavra de obtuso radical e - já agora, Jorge Duque, se me permite - extremista, pois para além de considerar AJJ um grande ditador e usurpador, acrescento ainda que também é um grandessíssimo burgesso, provavelmente o adjectivo que melhor se lhe adequa!