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A realidade

Não sei se já perceberam que, em Portugal, os políticos não mentem. A realidade é que muda. O que é muito conveniente, como se sabe

15:40 Quarta, 19 de Maio de 2010
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Não sei se já perceberam que, em Portugal, os políticos não mentem. A realidade é que muda. O que é muito conveniente, como se sabe.

Ora, para os políticos continuarem a dizer verdades e só verdades é preciso que alguém leve com a realidade pela frente. Ou seja: nós.

Neste País, como seria de esperar, a realidade é uma senhora cara: gosta de mudar de guarda-roupa mais vezes do que as estações e gasta acima da conta. A realidade vive acima da realidade e o País adora pleonasmos. A realidade, de facto, dá uma despesona.

Sobretudo aqui em baixo, que é onde vivem aqueles que lhe sustentam o cartão de crédito.

Os políticos, esses, com medo de serem apanhados a mentir - coisa improvável e impensável - avisam-nos sempre que a realidade é o que é. E não há forma de fugirmos dela. Eles, atentos e previdentes, enfrentam-na. Para o nosso bem, claro.

Esta originalidade atlântica explica muito da nossa história democrática.

A seguir ao 25 de Abril, por exemplo, todos os partidos, mesmo os mais improváveis - com excepção do CDS, talvez - inscreveram o socialismo nos seus programas eleitorais (tenho exemplares, se precisarem). Mas depois a realidade mudou. E eles com ela. Não mentiram, claro. A realidade não queria nada com revoluções, embora a realidade também tenha tido as suas excitações revolucionárias (fervuras do momento, diz-se). E a orquestra lá foi tocando a mesma música, ora fazendo par com o FMI, a CEE ou a Moeda Única, pois, como se sabe e a realidade demonstra, para dançar o tango são precisos dois. A tanga, essa, é outra cantiga: precisa de um País inteiro a dançar e amigos lá fora.

Na entrevista à RTP, Sócrates não desafinou nem trocou os passos à tradição.

Das embrulhadas em que alegadamente se meteu, só sabe que nada sabe. Nisso, é muito socrático, valha a verdade. Quanto ao resto, crê que sabe. Ora, como explicava Hipócrates, há duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A primeira é ciência, a segunda ignorância. Mas não sei se ele sabe.

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Despesona
IsaCota (seguir utilizador), 2 pontos , 18:58 | Quarta, 19 de Maio de 2010
Muito bom artigo, parabéns.
Acho-o muito bom pois concordo. Acrescento talvez, que nestas coisas de saber falar de maneira a não nos entalarmos, talvez seja uma maneira de "desenrascanço" à maneira Lusa.
Não se faz aquilo que é preciso, mas faz-se o aquilo que doi, para mostrar que se faz, não se podendo por isso dizer que não se fez.
Talvez confuso, mas acho que não falhei. Também tenho a nitida sensação (atenção: sensação porque não é certo!) que há muitos anos que se faz disto na política, ora da parte do governo (independentemente do partido) ora da parte da oposição. Pois se na oposição não há argumentos para mentir, também é verdade que pelo sim pelo não, mais vale dizer o que a Sra Realidade nos parece dizer.
Cumprimentos
IsaCota

É óbvio
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 18:14 | Quinta, 20 de Maio de 2010
Nunca mentem porque a verdade nunca se consegue apurar.
Descrédito
Agridoce.Lx (seguir utilizador), 1 ponto , 15:34 | Terça, 25 de Maio de 2010
Eu bem vou tentando ler novos cronistas para ver se vou descobrindo alguma coisa interessante, mas não é o caso...
1- Para o cronista, a realidade não muda, acabei de saber!...
2- Os politicos são pessoas como as outras e mentem como os outros e pelas mesmas razões de TODOS nós. Não vejo a anormalidade disso. Vejo anormalidade em quem acha que os politicos são alguma espécie de divindades desprovidas de caracteristicas humanas...
3- Os politicos mentirem só é uma 'originalidade atlântica' na cabeça do autor. Se disser o nome de um politico, atlântico ou pacifico, que nunca tenha mentido, dou-lhe um caramelo...
4- Fazer do Sócrates o bode espiatório da crise é ridiculo, depois de se ter gasto rios de tinta, durante anos, a falar do MONSTRO. É do MONSTRO que se está a falar e quem o criou não foi o Sócrates!
Infelizmente, CORPORAÇÕES como a dos jornalistas não o deixaram combater mais o MONSTRO, PERSEGUINDO-O justamente por isso! Esta classe, por exemplo, nunca perdoou ao PM ele ter acabado com os privilégios do sindicato dos jornalistas na sua Caixa de Previdência e tratado os jornalistas como a generalidade dos portugueses - coisa que eles acham não ser porque se acham superiores e o baluarte do regime...
Não sejam é parvos...
spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 10:51 | Sexta, 28 de Maio de 2010
Os político portugueses têm muitos defeitos.. mas não me parecem particularmente mentirosos. Os eleitores é que não sabem ouvir

Quando um político está em campanha é preciso «ouvir» o que ele está a dizer. Quando o passos Coelho, agora na oposição, defende «cortes na despesa pública» as pessoas têm de ser minimamente inteligentes e perceber o que ele quer dizer: cortes no estado social. Por isso, que ninguém se espante se Passos Coelho, depois de eleito, desmantelar o sistema nacional de saúde, aumentar as propinas e acabar com as reformas estatais. É isso que ele anda a defender e a prometer e quem espera outra coisa está a enganar-se a si próprio.

Da mesma forma, se olharmos seriamente para a campanha de Sócrates temos a obrigação de perceber quais as suas prioridades. Para mim sempre foi claro que o socialismo de Sócrates não tem como prioridade o fim dos recibos verdes ou o reforço da Segurança Social. Eu sempre esperei um PEC de Sócrates e nunca tive dúvidas qual seria a escolha de Sócrates perante a «difícil» escolha de cobrar impostos aos amigos ou aos contribuintes.

Será que sou «zandinga» ou são os eleitores que simplesmente não querem perceber e insistem em ver nos políticos aquilo que eles não são?
A realidade é muito mais que isso
Gurefe (seguir utilizador), 1 ponto , 13:55 | Sábado, 29 de Maio de 2010
O comentário está interessante mas falta uma pequena grande coisa .
A linguagem dos políticos e estamos a falar principalmente dos que querem alcançar ou manter o poder, tem forçosamente de ser uma linguagem especial, adequada aos sistemas ditos democráticos .
Há que convencer, que falar, para uma população maioritariamente incompetente para avaliar as várias estratégias de governação de um país .Trata-se de uma meta linguagem cuja finalidade é provocar a aderência do maior numero possível de votantes .
É utilizada não só por Sócrates como por todos os outros políticos que, ou querem constituir poder ou aumentar o seu score .
O maior artista neste momento na utilização dessa linguagem chama-se Paulo Portas, honra lhe seja feita .
Dito isto, acrescente lá mais esta realidade, para perceber melhor porque as coisas são como são e não aquilo que parecem ser .
Que cada português procure perceber, quantos mais melhor, porque determinado político diz o que diz, sabendo que não está a falar só para si mas para uma multidão de pessoas a quem quer agradar .
Este é o desconto de muitos por cento que tem que ser descontado à realidade . E o resto é conversa, conversa morna .
Absurdo....
simonal (seguir utilizador), 1 ponto , 19:25 | Domingo, 30 de Maio de 2010
Realmente o seu artigo levanta a celebre questão !!!!, onde está o Pais de Esquerda ? É que a pratica do Povo é de direita,mesmo que a maioria dos votos seja de esquerda..., supostamente deve ser algum complexo, pelos traumas que ditadura lhe deixou.
É realmente Absurdo ver a politica e os politicos, falarem de tudo menos do que o Povo supostamente queria quando votou neles e os elegeu.
Já agora , a MODA é falar do Socrates, pelos vistos , tambem por cá ( visão) ficou o lema, falem mal , mas falem...
Não vale a pena falar verdade
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 1:21 | Segunda, 31 de Maio de 2010
O que é verdade hoje, amanhã é mentira!
Eles não mentem, a realidade é que muda!
Realidade mutante!
Realidade mentirosa!
Realidade à velocidade da mentira!
A verdade só é possível à velocidade da luz!

«Não vale a pena falar verdade, à velocidade a que a realidade avança, tudo é uma grande mentira!»
(Fico-me com esta! ‘riso)

Adorei, só é pena não ter trabalhado o título!
    Re: Não vale a pena falar verdade   
Gurefe (seguir utilizador), 1 ponto , 22:38 | Segunda, 31 de Maio de 2010
Mais grave...
alaurens (seguir utilizador), 1 ponto , 0:14 | Terça, 1 de Junho de 2010
... mais grave mesmo é que não prestam e ninguém lhes prega um grande susto. Disso é que deveríamos falar.
fiscalizar
palmado (seguir utilizador), 1 ponto , 15:29 | Terça, 8 de Junho de 2010
deveria ser criado um organismo, onde os partidos, antes de começar a campanha eleitoral, depositariam o seu programa, que seria fiscalisado durante os 4 anos de vigência do mandato. Todo e qualquer desvio ao programa em questão, o respectivo partido seria confrontado com essa alteração (mentira). A ideia é maluca, mas se calhar não tanto assim.
    Re: fiscalizar   
kizzaka (seguir utilizador), 2 pontos , 17:33 | Terça, 8 de Junho de 2010
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