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Página inicial  >  Opinião  >  António Lobo Antunes  >  À noite os sons

À noite os sons

Em matéria de má-criação possuo um currículo e peras, davam-me notas de mau comportamento no liceu. Vinham a encarnado e tudo, no fim do papel

3:25 Quarta, 2 de Junho de 2010
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À noite os sons, ainda que longe, parecem tão perto de nós: um cão, no horizonte, mesmo aqui ao lado, a queda do galho de uma árvore, a respiração da terra. A água no fundo do poço que não se aquieta, não se aquieta. O choro de uma criança, na rua de baixo, junto ao meu ouvido. As crianças magríssimas do interior de Angola, de barrigas enormes, não choravam. Também não me lembro de ver um adulto chorar. Ou queixar-se. Uma ocasião, numa cubata, uma mulher encheu-me o corpo de pó de talco e depois não fiz nada, vim-me embora. Havia trapos, galinhas, um bebé a dormir e vim-me embora de pura vergonha. Recordo-me de tropeçar numa garrafa de cerveja caída e de crocodilos num rio. Mas ao falar dos sons não me referia a África, referia-me aqui, em Lisboa. Pingos de torneiras longínquas a tombarem-me no interior da cabeça. Estalos de mobília. O zunzum de conversa dos retratos, que não se calam nunca. Pergunta

- Estás aí?

uns aos outros. Às vezes respondo por eles

- Está aqui

e o silêncio espantado imaginando quem será aquele que falou. A gente olha as molduras e os retratos procuram na memória

- Qual é este?

não acham, pensam

- Devo ter envelhecido

e esquecem-nos. É terrível ser esquecido por um retrato: só quem passou por isso é que sabe. A gente

- Avô a gente   

- Tio

e nada. Acreditem: é terrível ser esquecido por um retrato. Só muito tarde percebi que o passado e o futuro existem no presente, o que fomos e o que seremos estão connosco agora. Aquele miúdo sou eu, aquele velho sou eu

- Mais uma colher, tio António

comigo de manta nos joelhos a abrir a pobre boca obediente, não boca-boca, os papelinhos dos lábios e, entre os lábios, uma linguíta pálida, ao mesmo tempo que, de calções

- Deixa o animal em paz

tento cortar o rabo a uma lagartixa quase a sumir-se num intervalo de tijolos, ou estou na cama, com tuberculose, no dia em que o meu pai faz trinta e três anos. É engraçado, não sinto sofrimento, sinto ganas de ser malcriado com as pessoas. Em matéria de má-criação possuo um currículo e peras, davam-me notas de mau comportamento no liceu. Vinham a encarnado e tudo, no fim do papel. A minha mãe ia conversar com os professores, pedir que me pusessem na primeira fila para andarem de olho em mim. E notas negativas a dar com um pau, faltas. A professora do primeiro e segundo achava que eu era um génio a escrever, fadado para altos voos, mas o professor do terceiro, quarto e quinto afirmou que as minhas redacções não valiam um chavo:

- Isto é sujeito, predicado, complemento directo e ponto, não quero cá fantasias, levas um medíocre e vais com sorte

de maneira que durante três anos não passei do medíocre e fui com sorte. Entregava-me o ponto todo riscado

- Anda-me com metáforas, este

mandava-me dividir Os Lusíadas em orações

- Não me interessa a versalhada, interessam-me as oraçõezinhas

e a mim interessava-me a versalhada, azar o meu. Pior que azar: estupidez minha:

- És burro ou quê?

e era burro de certeza porque as frases querem-se como deve ser. Por exemplo: eu sou português, frase como deve ser. Por exemplo: caminho da virtude alto e fragoso, adjectivos a mais, patetices. Mas não era nisto que eu estava, era nos sons à noite: um cão, junto ao horizonte, mesmo aqui ao lado, a queda do galho de uma árvore, a respiração da terra. A água no fundo do poço que não se aquieta, não se aquieta. A tua voz a dizer o meu nome. Já agora há quanto tempo não dizes o meu nome? Apagaste-me de vez? Nunca pensei que me apagasses de vez, tive esperança de ser, ao menos, uma luzinha vacilante mas teimosa em qualquer ponto da tua memória, que se pode ignorar mas não se esquece, uma silhueta, mesmo difusa, um fragmento de cara, a gente pensa

- Qual é este?

e depois um

- Ah

desiludido, só cá faltavas tu. Fui um chato, não fui, quezilento, desconfiado ou então ausente, noutro mundo? Se eu dividisse Os Lusíadas em orações, com rapidez e eficiência, correria melhor? Fiz-te a vida negra, ignorei-te, apareci-te maquilhado e com cinto de ligas? O que falhou, explica-me? Escrevo isto e o choro de uma criança, na rua de baixo, junto ao meu ouvido. Se por acaso o escutares não ligues: apenas um choro, mais um, o que não falta para aí são choros. Choros e pingos de torneira longínquos a tombarem-nos dentro da cabeça. Pelo menos na minha.

Queres tu ver que são lágrimas?

Daqui a nada vou-me deitar. Sozinho mas rodeado de ecos. Ecos de mim, de ti, das ondas de uma praia onde nunca estivemos e não sei onde fica, de um farol de nevoeiro a lastimar-se. A professora do primeiro e segundo anos acreditava no meu talento, tinha um sorriso bondoso. No último trimestre do liceu encontrei-a por acaso à saída:

- Ainda escreves, Antunes?

perguntou-me ela. E, em lugar de responder, fugi. Claro que escrevia mas às escondidas, com vergonha, cheio de incertezas. E, no entanto. E, no entanto, uma ova. Não quero falar disso. Foi mais ou menos por essa altura

(tinha dezasseis anos)

que te vi pela última vez. Nunca chegámos a conversar. Nem sequer tenho a certeza de como te chamavas. Nunca arranjei coragem para te esperar à saída do colégio de freiras. Se te encontrasse agora não te conhecia, mas não há perigo, não nos encontraremos: somos outros e de certeza que nem deste conta de um palerma de franja a espiar-te na outra ponta da sala num baptizado qualquer.

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Bonito texto
gaivota 49 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:52 | Quarta, 2 de Junho de 2010
Bonito texto,cheio de memórias...
No fundo não passamos disso mesmo,somos memórias de nós.
Crónica a crónica
Luísa Peluda (seguir utilizador), 1 ponto , 11:58 | Quarta, 2 de Junho de 2010
«Uma ocasião, numa cubata... não fiz nada...»

Francamente, isso não é coisa que se faça com pó de talco. O europeu, poucos europeus o sabem, não notam, quando mal-lavado, falta de um banho, cheira a cadáver. É o equivalente ao cheiro africano de catinga. Esses cheiros são provocados por bactérias que na nossa pele absorvem a humidade e expelem a sobra (mais ou menos isto), o que resulta num pivete. A menina, a ser verdade o relatado do cronista e à falta de sabão e água, tentou anular o fedor a cadáver com pó de talco, rsss. Um vizinho meu contando a sua ida às meninas, cá, também o mandaram tomar banho. Rsss. Depois dizem que vida de puta é vida fácil. Experimentem e vão ver! Também não custa nada um banho antes de ir dar uma queca, porra!
«vim-me...» Afinal sempre se veio? Ah, veio-se embora! «de pura vergonha» Da preta lhe chamar porco por cheirar a cadáver? E lhe dar um banho de pó de talco? E pagou alguma coisa à mulher pelo pó de talco? Ou fez como aqueles que não pagam nada em tais situações?

Gente fina é outra coisa, sons de retratos, sons de pingos longínquos, estalos de mobília... Que luxo! Venha morar num lusófono bairro pró-africano, pró-brasileiro e vai ver o que são sons!
Cuidado com esses pingos longínquos a pingarem-lhe na cabeça... com ecos... Muita gente famosa começou assim...

«A água no fundo do poço que não se aquieta, não se aquieta.» Bela pincelada de criatividade, pena não ter dado mais destaque.

É uma tentativa de crónica a crónica, uma brincadeira, se não gostarem da graça, malhem-me à-vontade que depois a Luísa Peluda bota pó de talco!
    Re: Crónica a crónica   
NÃO TENTO (seguir utilizador), 1 ponto , 12:23 | Sábado, 5 de Junho de 2010
Um currículo e peras...
vera bgs. (seguir utilizador), 1 ponto , 20:08 | Quarta, 2 de Junho de 2010
Memórias bonitas do passado... afinal tão parecidas com as memórias de qualquer um de nós... apenas a escrita lhe confere um tom mais suave, mais impetuoso, mais delicado aqui e ali.
O passado são " memórias" no presente... que sempre nos hão-de acompanhar. Porque hoje é presente, onde quer que estejamos...
Gostei da sua crónica
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:36 | Sábado, 5 de Junho de 2010
Antunes, nem sempre quando se é mau aluno em algumas fases da vida, se é um homem de insucesso.
Se pesquisarmos sobre si, vimos isso, por isso orgulhe-se sempre da sua infância.
Eu por exemplo sou capaz de críticar imenso as escolas, porque para eles o melhor mesmo é saber só escrever bem a nossa língua, quando o raciocínio das pessoas, não é todo ele verbal, o meu é mais para o criativo ou espacial, como para estratégias, e adoro inovação, criatividade e tudo que fizer quero apresentar o meu forte aí,e criar certas coisas em certos desportos que não se vê, como certos eventos.
Lembro-me de 1 amigo meu da 3ª classe que detestava a professora como eu, mas eu ainda fazia o tpc, ele como não gostava da professora e com razão, que ela é hipócrita e falsa e só se interessava pelos alunos ricos daquela altura, ou filhos de doutores; ele 1 dia não as cópias e nos outros também não e, ela deu-lhe ao todo 12 réguadas.
Esse rapaz hoje tem o curso superior em Eng.Informática, e ninguém pode dizer que os alunos são burros, porque não são, os professores é que não se interessam pelos alunos, só olham para quem vive melhor.Eu vi isso, pq o meu vizinho é filho do meu padrinho médico e estudei com ele,e sabe que mais?
Ele era bom aluno na primária,mas nunca terminou o 12º ano até hoje e ela achava-o brilhante aluno.
Aquelas pessoas que ela dava mais apoio,não seguiram pr a universidade e os outros que ela pisou e humilhou seguiram.
Já Richard Branson é1exemplo desses e hj é milionário
cont
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:50 | Sábado, 5 de Junho de 2010
e os professores diziam que era um péssimo aluno, e ele desistiu naquela altura, e começou a investir em negócios e hoje é das pessoas mais faladas e com maior prestígio.
Por isso é que eu digo, nem sempre uma média, nem sempre o modo como a pessoa escreve, diz o valor desse aluno, porque há dons que existem nas pessoas, e não nas médias nem na avaliação dos professores.
A diferença é que ele estava num país, onde se paga bem, e cá nem por isso, na altura que ele começou.
Mas ele é um exemplo para dizer a muitos portugueses que valorizam o dr, prof, sr dr, eng, e outros, que não é isso o mais importante, mas sim o modo como as pessoas agem no que amam fazer.
Este mundo com certos julgamentos, nunca cheguerá a nenhum lado por isso.
Há talentos escondidos e haverá ainda muitos, porque muitos deles são pobres e não têm modo de mostrar o seu talento.
Bem espero que continue sempre a escrever, e não esconda como eu fazia também quando era mais nova dos meus pais, porque na escola e no liceu,tinha uma das minhas professoras de português de Cantanhede que ainda lá está,que me dizia isto:
"tu escreves no lugar de todos os teus amigos e colegas",pq ela disse que quem lhe quisesse escrever poesia e história que podia.
Uma delas foi de terror,e ela ficou chocada,então depois como a vi assim, no outro dia escrevi 1 história que a fez rir e ainda por cima me fez ler perante a turma que fartou-se de rir com a minha criatividade,que o meu forte foi sp esse e,levantar o astral.b-f-s
PÓ DE TALCO PARA UM LOBO TRISTE
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 15:43 | Domingo, 6 de Junho de 2010
O Lobo Antunes casou, com uma mulher, nada de confusões, e como é tão transparente na sua tristura e peras, esperava notar aqui a influência desse amor, mais cor, mais alegria...

Mas não, só se vislumbra a sua desilusão, muito bem focada pela Luísa Peluda, por ter apanhado um banho e peras de pó de talco.
— Ó Luísa, Por onde tem a menina andado, O que tem feito para saber dessas coisas todas?

O que não esperava era, por o António se ter casado com uma mulher, perdesse alguns comentaristas tão assiduamente devotos. Espero que não passe de má impressão minha, e que o motivo seja apenas a tal ponte de feriados.
Não deixem de tomar os banhos literários, que fazem muito bem aos poros mentais, e as crónicas do Lobo Triste são sempre um bom exercício.

— Ai... Apetecia-me tanto um banho de pó de talco, Mas sem pó de talco, Só com a... ‘Como se chama a dita cuja que dá esses banhos? Isso, Com essa mesma!
nostalgia
furtado (seguir utilizador), 1 ponto , 19:24 | Domingo, 6 de Junho de 2010
O que dizer do que já foi dito? Nada. Ou melhor, quase nada. É que apesar de tudo da crónica do ALA perpassa mais do que o som dos sons, o efeito do talco, o silêncio dos retratos ou a mediocridade das notas (estive vai que não vai para dizer dos professores, mas enfim). Das suas palavras (ou melhor, por baixo delas), fica essa dor constante da nostalgia. Peças soltas de saudade avulsa. Um pano estampado de melancolia tecido a partir de fios dessa magoada tristeza que é a vida. Que foi a vida. Uma vez mais a nostalgia de ALA veio vestida de palavras como se de uma segunda pele se tratasse. E tratou.
    Re: nostalgia\Já tudo foi dito   
Luísa Peluda (seguir utilizador), 1 ponto , 20:51 | Domingo, 6 de Junho de 2010
é sempre presente...
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 22:54 | Domingo, 6 de Junho de 2010
"o passado e o futuro existem no presente", correcto o passado não nos larga, ele existe sempre (hoje), em nossa memória; de olhos fechados, eu vejo-me com 15 ou 20 anos, as professoras ainda lá estão, junto do quadro a ensinar-me, tive professoras formidáveis, eram autênticas, não vinham na playboy! como as de hoje... ainda me lembro de uma professora de francês, que em temporadas de ópera no S. Carlos, ela dormia pouco e ia para as aulas com os sapatos que não condiziam um com o outro, era um festival de riso, não havia caneta nem borracha que não caísse ao chão para espreitarmos os sapatos dela, ninguém falava, mas havia uma bolinha de papel que circulava pelas carteiras; era a bondade em pessoa, ainda me vejo a subir a rua do Carmo e ela que seguia de táxi, chamar-nos para nos dar boleia até à escola. - entrem aí, rapariguinhas! escusam de caminhar isto tudo(até à calçada do Combro)!!! e abro os olhos e já não a vejo! há outras que também me lembro, há frases inesquecíveis de cada uma delas, são gravações que vivem presentes na nossa mente; quando penso no futuro é sempre amanhã, mas passam umas horas e já estamos de novo no presente! acho que o passado é mais comprido, ontem tive 20 anos, hoje tenho 60, passaram 40 e eu quase não me apercebi!!! amanhã, quantos terei? 65 ou talvez 70, passam 5, 10 anos ou tavez não, que calculadora fará estas contas??? não existe!!! então o futuro também é sempre presente...
Cumprimentos DR.
Manuela R.
Grande Lobo!!
jujubelle (seguir utilizador), 1 ponto , 17:39 | Terça, 8 de Junho de 2010
Bela crónica, belo discorrer de palavras num rio de vida. E ele há quantas vidas numa vida? Na sua - seu Lobo - deve haver uma outra galáxia do feitio de uma janela por onde vc atira as suas palavras como se fossem trapos em excesso num armário demasiado pequeno.
Vc desperdiça as suas imagens (não lhes chamo metáforas) por onde se vê o seu contar numa película de um cinema nos matos por onde andou pintado de pó de talco, na rua onde vive, no mundo onde perpassa.
Bem haja quem pode assim deitar pela janela um texto (muitas vezes lido à pressa e mal apreciado) que faz estremecer outro criador e fazê-lo sentir uma espécie de «inveja». Quem me dera ter pernas para correr assim - fragas acima - como este Lobo vestido de Lobo.

Aceite um beijo.
    Re: Grande Lobo!!   
furtado (seguir utilizador), 1 ponto , 17:00 | Quinta, 10 de Junho de 2010
Cada dia, cada qual, qual luz, quão luz...sentir !
manuelrod (seguir utilizador), 1 ponto , 11:35 | Sábado, 12 de Junho de 2010
O mundo à minha volta funciona dentro da minha cabeça. Nas ocas, tudo bate na perfeição, um relógio suíço autêntico. Como tudo é fácil aos olhos desses. Mas nas cabeças grandes, nos homens com H grande, os que sentem, os que choram, nesses o mundo é diferente. Nestes os retratos falam uns com os outros.
          E o tempo que corrói o próprio ferro o que pode fazer a uma alma sensivel ? A sensibilidade é o maior dom, ela é a janela maior em que as vidraças são lentes. Por acaso vós sabeis se vereis o mundo que vos rodeia sob um espesso manto de nevoeiro ou sob a luz de um sol respandecente ? A minha vida diz-me que quanto mais burro se é mais se convence que é o/um máximo, um verdadeiro sabedor.
          ... e depois cada dia nasce com um sentido próprio, o meu sentido, aquele que só me é permitido a mim sentir. Qual punhado de ingredientes que origina um desaguar próprio ? uma luz colorida difusa ? um aborto ?
          ... e depois olho para mim e posso ou não amarrotar o aborto nesse dia.
    Re: de Uma cabeça oca   
Luísa Peluda (seguir utilizador), 1 ponto , 13:15 | Sábado, 12 de Junho de 2010
    Re: Cada dia, cada qual, qual luz, quão luz...sent   
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 19:07 | Sábado, 12 de Junho de 2010
Ninguém me deu um barco, nem a remos...
manuelrod (seguir utilizador), 1 ponto , 16:59 | Segunda, 14 de Junho de 2010
♫ ... à muito muito tempo ♫ o meu pupilo da altura, jovem, alto, esbelto, de rosto bonito, pediu-me que definisse " não tens nada na cabeça " que eu acabara de utilizar em relação a alguém, porventura em relação a ele, não me recordo, pouco importa. Certo é que, a minha pequenez, não me permitia sequer equacionar que alguém poderia sequer questionar aquilo. Mas foi real. O país, as escolas, as famílias, a igreja, as micro-sociedades, os amigos, as universidades, ninguém forma pessoas. (?) Só algumas das pessoas, por sorte, por acaso não se perdem (?) e surgem (?) os self made men. Exploram as realidades, exploram-se a eles próprios, batem com a cabeça nas paredes, vão do mar alto contra a corrente, sobem o rio e chegam à nascente de onde brotam as primeiras gotas de água pura. Mas há tantas nascentes, tantos rios, tantos mares, e até lagos. E chove tanto no inverno. O mar é feito de muitas dessas gotas. O mundo é feito de pequenas coisas simples. Eu só quero andar sem bater nas paredes. Mas é tão difícil.
    Re: Ninguém me deu um barco, nem a remos...   
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 21:23 | Segunda, 14 de Junho de 2010
    Re: Ninguém me deu um barco, nem a remos...   
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 0:57 | Terça, 15 de Junho de 2010
    Re: Ninguém me deu um barco, nem a remos...   
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 1:12 | Terça, 15 de Junho de 2010
    Re: Ninguém me deu um barco, nem a remos...   
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 1:27 | Terça, 15 de Junho de 2010
Ainda existem rios, e até numa jangada se navega!
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 8:57 | Terça, 15 de Junho de 2010
— Muito bem, Manuel! Gostei deste seu texto. Agarrou habilmente nas cabeças ocas dando-lhes conteúdo.

A existência de um vazio é sempre uma boa oportunidade de criação!

Eu acredito que a humildade é a mãe de quase todas as boas reflexões. Definir, definir, é muito bom tentarmos definir, perceber aquilo que expressamos, porque a maior parte dos problemas deixam logo de o ser, e aquilo que parece vazio, enche-se de conteúdo.

Recordo um professor humilde, que a perguntar ‘Para que serve isto? ‘e ante as respostas do aluno ‘De não sei explicar! ‘lhe deixou a pagina em branco. O passo seguinte foi compor com sentido, de cabeça consciente.

A arte de pensar, é de todas a mais bela, mas é de todas a mais descuradas nos nossos dias.
No entanto, faça a pergunta e todos consideram que são livres de pensar, embora sempre repetindo os pensamentos uns dos outros.
Outros justificam que já tudo foi feito e dito!

— Ainda existem rios, e até numa jangada se navega!
    Re: Ainda existem rios, e até numa jangada se nave   
jujubelle (seguir utilizador), 1 ponto , 9:57 | Quarta, 16 de Junho de 2010
    Re: Ainda existem rios, e até numa jangada se nave   
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 13:02 | Quarta, 16 de Junho de 2010
    Re: Ainda existem rios, e até numa jangada se nave   
jujubelle (seguir utilizador), 1 ponto , 23:50 | Quarta, 16 de Junho de 2010
    Re: Ainda existem rios, e até numa jangada se nave   
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 2:34 | Quinta, 17 de Junho de 2010
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