O grande problema do sistema político-partidário português, não é o PS mas o PSD
5:50 Quinta, 10 de Dezembro de 2009
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Se dúvidas existissem, bastava ter assistido ao primeiro debate quinzenal da nova legislatura. O discurso parlamentar desceu ao nível de uma taberna, o ambiente político está irrespirável, o País está ingovernável. É tentador acusar o PS e o primeiro-ministro do estado a que se chegou. José Sócrates fez, de facto, muito para alimentar, durante os últimos quatro anos, o clima de crispação que se vive em Portugal. Prepotente, arrogante, "fez a cama" em que o seu executivo está agora deitado. Numa altura em que o País desesperadamente precisaria de rumo, de liderança, mas também, por força da matemática eleitoral, de "pontes" e de pactos, temos um primeiro-ministro desgastado por um sem fim de escândalos políticos e judiciais, um Governo refém de um Parlamento que lhe é profundamente hostil, um Presidente que, em circunstância alguma, lhe lançará uma mão. E Sócrates é, repito, o grande responsável por este caldo de animosidade política que se vive em Portugal e que o impedirá - parece cada vez mais claro - de governar em minoria.
Dito isto, não é justo que se ignorem as responsabilidades, no impasse a que chegou Portugal, da oposição em geral e as do PSD em particular. De facto, boa parte do sentimento de malaise instalado no país encontra explicação, não tanto no apodrecimento da actual solução governativa (que, convenhamos, não aconteceu subitamente desde Outubro), mas na falta de uma verdadeira alternativa política que, essa sim, conduz a um prolongar de ciclo que, noutras circunstâncias, talvez tivesse já terminado. Costuma dizer-se que as oposições não ganham eleições, são os governos que as perdem. Ora, tenho para mim que (é, concedo-o, uma leitura refutável), nas últimas legislativas, foi precisamente o contrário que aconteceu: a oposição perdeu as eleições apesar do Governo. Dito de outra forma, o que é normal é que todos os governos esgotem, mais cedo ou mais tarde, o seu prazo de validade. O que não é normal é que a oposição não seja capaz de gerar alternativas para ocupar o espaço dos governos quando estes, manifestamente, saem de prazo.
É neste sentido que julgo ser legítimo afirmar que o grande problema do sistema político-partidário português, não é o PS mas o PSD. Apesar de todos os defeitos de José Sócrates e do seu executivo, a nossa angústia "existencial", o sentimento de que estamos mergulhados num tremendo beco sem saída, pouco têm a ver com a circunstância de intuirmos que o Governo está num indisfarçável (ainda que aparentemente prematuro) fim de ciclo. O sentimento de malaise explica-se, repito, porque o sistema político-partidário não parece capaz de gerar condições para o início de um ciclo novo.
Vale a pena portanto, independentemente das simpatias políticas de cada um, olhar com esperança para o debate interno profundo, sério e descomplexado que, finalmente, parece querer iniciar-se no seio do principal partido da oposição. A doença autofágica do PSD, estrutural e grave, é também uma doença da Democracia portuguesa. O seu restabelecimento deveria interessar a todos.
Caro Pedro.
Parabéns pelo excelente artigo.
A prestação do PSD na Assembleia da República, nomeadamente da sua líder, mostra bem como o caminho e a estratégia dos sociais-democratas é básicamente inexistente. A actual direcção com MFL, parece disposta a "esticar a corda" ao limite, à espera que Sócrates caía... talvez pensando vislumbrar aí uma oportunidade . Mas qual? O PSD está num "beco" sem saída e parece caminhar cada vez mais para o abismo.
Aproximam-se novos testes à capacidade dos nossos políticos darem resposta à crise. Mais alianças negativas no Parlamento para derrotar o governo não resolverão problemas. Contribuirão apenas para tornar o país ingovernável.
Cumprimentos,
Sara
Eu,como um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já
velhote(85 anos)não entenderei nada de Política,mas sei que Política
é a arte de Governar os Estados ou Nações.Sei que Democracia vem
do grego e significa Governo do Povo e pelo Povo (Demo).Mas no
Latim,Demo é Demónio e tanto o Clero como a Fidalguia dizem que o
Povo é o Demónio ou o Diabo.Outro aspecto dos Partidos PS e PSD,é
que de ambos,o rótulo não condiz,quer dizer,que engana,pois ambos,quando no Governo,praticam a Política Liberal emanada de Bruxelas e são apoiantes da Horda mercenária da NATO e das suas
guerras sujas.Porque razão usa o PS o rótulo de Socialista,sendo
partidário do Liberalismo tal como o PSD que usa o rótulo de Social Democrata?! Quanto ao CDS/PP,pois êste Partido ,embora alinhe com o PSD na Política Liberal,todavia há nêle gente ainda saudosa
da Democracia Cristã que tem o Patrocínio da Santa Madre Igreja
ou seja da Internacional Vaticana,em que não há Democracia.
Desde que o Jesus nazareno,
foi no Cristo grego transformado,
e depois Rei dos Reis coroado,
o cristianismo tornou-se obsceno.
Excelente artigo. De facto, uma democracia, em que existe apenas um partido (de governo) com a mínima credibilidade, é sinal que a mesma está doente. Pois, quando nos deparamos com a situação, de não obstante o mesmo dar sinais de desgaste, o normal seria haver alternativa, para que as normais regras democráticas funcionem, e se opere a alternância governativa. Ou seja, o normal seria o maior partido na oposição, estar devidamente preparado para em eleições se dar a alternância. Não é o que passa em Portugal, e os resultados eleitorais confirmaram isto. Pois não obstante o grande desgaste do governo, o eleitorado em face da total falta de credibilidade da oposição, diga-se PSD, optou por votar novamente no partido que estava no governo. Precisa-se de um PSD forte e credível, a bem da democracia.
A "verdadeira alternativa" existe e é da verdade e honestidade,o PSD.Só que vocês não gostam ,porque vai doer.É preferível continuar assim ,até que do exterior venha a imposição de correr com Sócrates