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A mais alta solidão

"Quem nunca falhou uma lágrima levante o dedo e as adolescentes não cessavam de pensar, seríssimas. Pulseiras de baquelite e borracha, argolinhas de metal na asa do nariz. amo-te cláudia. A cláudia e o que a amava onde estarão agora? Numa das estações um cartaz a favor do casamento homossexual coberto de insultos: o maior a carvão, em maiúsculas imensas, morte aos paneleiros"

17:30 Quarta feira, 19 de Mai de 2010

A preta velha no metropolitano, de saco de plástico nos joelhos, ao lado dela um senhor branco que tirou um lenço da algibeira e começou a chorar e de pé, agarrado ao varão, um rapaz com um estojo de saxofone e o cabelo pintado de azul. Os três tinham os olhos vazios. O meu reflexo na janela: olhos vazios também. O que via no saco de plástico eram legumes, pão. O senhor branco chorava de feições imóveis e de quando em quando limpava as bochechas com o lenço. O rapaz do saxofone estalava os dedos ao ritmo de uma música secreta. Numa das paragens entrou uma criatura de bengala, a caminhar aos sacões como se o chão da carruagem ondulasse. Num dos vidros, a spray cor de rosa, amo-te cláudia. Por baixo do amo-te cláudia um spray verde amas o tanas, e por baixo do amas o tanas, a spray amarelo, vão os dois à merda. A napa de um dos bancos rasgada a canivete. A preta velha usava uma espécie de turbante, o rapaz do saxofone um boné de pala para a nuca que tinha impresso NY Giants. A criatura de bengala respirava de boca aberta, preocupada com um adesivo, já cinzento, nas costas da mão. A aliança estrangulava-lhe o dedo: nem com o sabonete saía, havia de ser preciso cortá-la. Na paragem seguinte um par de adolescentes a cochicharem risinhos. Uma perguntou à outra

- Achas que sim?

calaram-se a pensar, de súbito sérias, a da pergunta insistiu  

- Achas mesmo que sim?

e a seriedade aumentou. O rapaz do saxofone continuava a estalar os dedos. A da pergunta concluiu

- Não acredito

a raspar uma nódoa da manga com a unha sem que a nódoa saísse. Mostrou a nódoa à amiga, interessaram-se pela nódoa, desinteressaram-se da nódoa. Nas gengivas da criatura de bengala dentes postiços inseguros: às vezes é preciso atarrachar as placas. Qualquer mecânico faz isso com um alicate. O metropolitano dava ideia de rolar ao acaso, na direcção de nada. Umas voltas com o alicate nos arames e experimente lá agora se ficou bem. Ficou demais: desatarrachar um bocadinho

- Que tal?

e os dentes uns contra os outros, cautelosos, à experiência. O aspecto ameaçador dos dentes falsos, a impressão que se morderem a gente nos matam. Graças a Deus ficaram quietos

- Melhor

com a língua a tacteá-los, depois o mindinho, depois a língua outra vez. A preta velha ajustou as nádegas no assento, o homem branco procurou uma lágrima na bochecha, com o lenço, e falhou-a. Quem nunca falhou uma lágrima levante o dedo e as adolescentes não cessavam de pensar, seríssimas. Pulseiras de baquelite e borracha, argolinhas de metal na asa do nariz. amo-te cláudia. A cláudia e o que a amava onde estarão agora? Numa das estações um cartaz a favor do casamento homossexual coberto de insultos: o maior a carvão, em maiúsculas imensas, morte aos paneleiros. A criatura de bengala emitiu

- Há gostos para tudo

a segurar a opinião com os lábios, devido aos caprichos dos incisivos. No meu entendimento mostrou ser uma mulher de vistas largas, embora

- Há gostos para tudo

permita interpretações contraditórias. A preta velha tornou a ajustar as nádegas no banco, um vértice de cenoura despontou do saco de plástico e ficou para ali a competir com os sprays. amas o tanas. Quem garante que não amava o tanas, de facto? Isso do amor tem que se lhe diga, acho eu, há-de haver gente que sabe. Não afirmo que sim, não afirmo que não, no que me respeita a Nina talvez, pode ser, não juro, não entremos por aí, há sempre detalhes que magoam, nunca saio intacto da lembrança da Nina. Não vou chorar como o homem branco do lenço mas enfim, as coisas são o que são e acabou-se. Nina diminutivo de Saturnina, o nome da madrinha

- Cada vez que me chamam Saturnina dá-me ganas de matar a minha mãe 

que não precisou da ajuda dela, faleceu por sua conta, atropelada. A rua quase a pique e um autocarro sem travões colaboraram, a mãe que por sua vez odiava ser Isméria e a Nina

- Se me dessem a escolher apesar de tudo ia pelo Isméria e tu?

O que se responde a isto? Silêncio, claro, e o resultado do silêncio invariável

- Nem um pio dás para amostra, raios te partam

prova que isso do amor tem que se lhe diga, há-de haver gente que sabe. O rapaz do saxofone estalou os dedos com força, apeteceu-me dar uma trincadela no vértice da cenoura, por timidez não dei e o metropolitano cada vez mais depressa, por túneis onde nunca tinha estado antes, na direcção de nada. As estações foram rareando, lâmpadas ocasionais que desapareceram igualmente, uma escuridão imensa lá fora a tornar o amo-te cláudia mais nítido. Afigurou-se-me que alguém me cochichava na orelha

- Cada vez que me chamam Saturnina

mas engano meu, não cochichavam. A única coisa que se ouvia era o som das rodas nas calhas e o estalar dos dedos do rapaz do saxofone. Tal como a preta velha e o senhor branco que tirou o lenço da algibeira tinha os olhos vazios. Os meus vazios também no reflexo do vidro mas não me preocupei: desde que a Nina se foi embora fiquei assim.

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23 comentários
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A preta velha com sacos de plástico
IsaCota (seguir utilizador), 2 pontos , 14:36 | Segunda feira, 24 de Mai
Por acaso pela baixa de Lisboa,anda uma senhora sem abrigo assim, mas toda ela coberta de sacos do lixo pretos. Não creio que ande de metro, mas nunca se sabe. No entanto, quando a vejo, ou pelo menos vejo os sacos, e principalmente no verão com tanto calor e ela com os mesmos sacos, sinto que ela é só nesta vida. Mas tenho, por outro lado, a nitida sensação que para além dos azares, ela não deixa que a ajudem. É a personagem da solidão. Para mim. Com ou sem cenoura.
IsaCota
Em tons cor de rosa
arturgoncalves0 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:40 | Quinta feira, 20 de Mai
Por vezes nem os doutos escapam ou estarei a "armar-me" em psicanalista: "amo-te...", "casamento", "graças a Deus", "não afirmo que sim não afirmo que não" (afirmou que sim), "solidão", "aliança", sei lá que mais...sublirmarmente o coração do nosso ALA deixou escapar os sentimentos e as vivências do nosso ALA, que mais dizer...E o Cardoso Pires e o Melo Antunes (também são nossos) , lá onde estão, a dizer: o António é cá um safado e tem bom gosto. Bateram palmas, ouviu-se!
    Que bela e subtil declaração de amor   
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 1:24 | Sexta feira, 21 de Mai
    Re: Que bela e subtil declaração de amor   
arturgoncalves0 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:48 | Sexta feira, 21 de Mai
FORÇA, MORDA A CENOURA!
joadearievilo (seguir utilizador), 1 ponto , 20:00 | Quinta feira, 20 de Mai
Pois, já cá faltavam as lágrimas do senhor Lobo...
E pior que as lágrimas, é o drama de uma lágrima falhar!

A quem nunca falhou uma lágrima? É horrível. Prevenido como sou, comprei um gotejador de lágrimas na farmácia, nem foi caro, falha a lágrima no momento certo e, é só carregar na patilha: uma, duas, três... à nossa vontade. Não vale a pena um homem deixar de chorar por falta de lágrimas.

Outra solução, é aquela estampa do menino dos calendários, dos quadros de feira, a chorar em casa. Falha a lágrima, mas lá está o menino. Só não choro agora aqui mesmo consigo, e convidando todos os leitores a botarem a sua lágrima, porque sou um incorrigível preguiçoso nessas coisas de lágrimas choronas, e de sofrer por amor à arte.

E depois, como se não bastasse, o drama «morte aos paneleiros», são muito maltratados neste Portugayl. Veja-se que os lugares de destaque neste país nunca são ocupados por eles. Na assembleia da República, vê lá algum? Ministérios? Televisões...? Temos de fazer algo nesse sentido.

«APETECEU-ME DAR UMA DENTADA NA CENOURA», Não seja tímido, homem de Deus! Força, Morda a cenoura! Hoje todo o mundo morde! (cenouras, claro).

Joa
A quem possa interessar...e vão três!
arturgoncalves0 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:15 | Sexta feira, 21 de Mai
A culpa é da Igreja. Já não publica os "Banhos".
Começo por uma verdade à monsieur não sei de quantos: o escritor António Lobo Antunes é uma pessoa como todos nós, " an ordinary people", não é um deus, como tal tem o direito de viver a vida comezinha como todos nós, isto para dizer que o homem casou-se, porra, não coloco asterisco, o cinismo e cretinice é bem pior.
Como não invento, e ando neste mundo, mesmo nas coisas mais triviais, passo a citar as fontes:
1. Jornal de Notícias de 2010.05.20, à página 60, a das notícias cor de rosa: Título:" Terceiro casamento". "O escritor António Lobo Antunes casou ontem, pela manhã, com a jornalista Cristina Ferreira de Almeida", notícia, também, que o fez pela Igreja.
2. Site sobre António Lobo Antunes, fundado em Setembro de 2004, reconhecido por A.L.A., propriedade e edição de José Alexandre Ramos (que vale bem a pena consultar), na biografia: "2010-casa em Maio com a jornalista Ferreira de Almeida".
3. Não fui convidado mas desejo felicidades ao homem, merece, nem que seja pela décima quinta vez.

QUEM SE SENTIR INCOMODADO/A QUE LEVANTE O DEDO!

Artur Gonçalves-Porto

Um óleo a cores
manuelrod (seguir utilizador), 1 ponto , 18:54 | Sexta feira, 21 de Mai
Uma tela simples do quotidiano tão real e viva, tão colorida e sentida...eu acabei de sair do tunel daquele Metro e levo comigo a alma impregnada de tudo o que ví e senti ! Ser escritor também é ser pintor de óleos em páginas com linhas.
" Há gostos para tudo"
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 5:18 | Sábado, 22 de Mai
"Há gostos para tudo", exactamente, a mulher da bengala tinha toda a razão! quem anda no Metro nota nitídamente! no Metro e não só!!! há dias num hospital de Lisboa, enquanto esperava pelo meu marido, notei o mesmo, palavra que notei! parecia uma passagem de modelos: pessoas exóticas, que entravam e saíam, uns mais simples que comtemplavam o panorama e riam para dentro, outros com uma superioridade de nariz empinado, que entravam nos elevadores e nem sequer olhavam, para quem quer que fosse! os telemóveis, também tocavam melodias diferentes, desde o strausse , o malhão e campainhas que pareciam os sons das passagens de nível, às vezes tocavam vários ao mesmo tempo, parecia uma orquestra sem nexo; se não fossem as minhas dores, confesso que até saía dali divertida!!!

Manuela R.
    Re: correcção   
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 16:51 | Sábado, 22 de Mai
Pintar à vista ou escrever sob imaginação.
manuelrod (seguir utilizador), 1 ponto , 11:24 | Sábado, 22 de Mai
Temos duas maneiras de pintar óleos, à vista ou por imaginação. E como fugir à dúvida de qual dos processos se socorreu o pintor ? Um dia teimei com um amigo em como não era possível descrever uma paisagem a um cego de nascença de forma que ele a " visse " ! Grande será aquele que o consiga fazer. Um detetive que responda se ALA fez aquela viagem de Metro.
    Re: Pintar à vista ou escrever sob imaginação.   
Apolo (seguir utilizador), 1 ponto , 17:31 | Sábado, 22 de Mai
de quem é "a mais alta solidão"?
Graça Carunchinha (seguir utilizador), 1 ponto , 23:57 | Domingo, 23 de Mai
porquê o título "a mais alta solidão"? quem sentir-se-á mais só naquela carruagem do metro? com excepção das duas adolescentes, pode ser qualquer um deles. para cada podemos construir diversas histórias...
será a do "senhor" branco que procura segurar no lenço as lágrimas ininterruptas e dolorosamente públicas? mas será que ele sofre só de solidão, ou as suas lágrimas dever-se-ão a ter perdido o emprego ou a uma doença inesperada e fatal?
será a do próprio narrador (também de olhos vazios), que o confessa só no final do testemunho e está relacionada com sentimentos de desamor (ou de amor insuficiente)? ou esse estado dever-se-á tão somente a dificuldades de relacionamento com os outros?
e porque não a solidão do anónimo que confessa "amo-te cláudia", num local onde sabe que a cláudia passará todos os dias e poderá ler a sua gritante mensagem de amor?...

PS: eu acho que conheço o saxofonista. ;) :))))
Concordo com a homossexualidade
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 20:11 | Terça feira, 25 de Mai
Estes olhos vazios são aqueles que me fazem aproximar e entender as pessoas, e ir ao seu encontro descobrir o que as faz sentirem-se tristes.
Amo a humanidade, mas não amo esta sociedade.
Amo a diferença e respeito-a com todo o orgulho.
Amo o próximo como a mim mesma, mas não amo hipócrisia.
Amo a educação e o bom senso, não amo péssimas atitudes e discriminação das pessoas que nada sabem ser nem deixam que os outros sejam felizes.
Não sei se esse míudo é só pobre ou se é também gay, apenas digo, existem muitos jovens em instituições que devem estar com famílias homossexuais e não com famílias heterossexuais, para assim sentirem-se bem com elas e com o seu mundo e com os seus pais adoptivos.
Pior de tudo é o silêncio dos inocentes e a mentira dos corruptos.
Pior de tudo é a estupidez das pessoas, não ser-se gay ou lésbica, nem travesti.
António, se o senhor entrasse num clube e os visse a dançar e a cantar, você ria-se imenso, porque existem imensos artistas expectaculares e que não estão a ser aproveitados devido a esta sociedade, mas acredite, eles é que não controlam nada, e fazem tudo sem problemas, que são tão verdadeiros e tão puros, que tornam a noite super agradável.
Apesar de ser heterossexual até morrer, vou sempre defender estas pessoas, sei que existe talento dentro delas, sei que existe qualidades e que a sociedade está a despensar, mas que deveria aproveita.
Sócrates, não tem papas na língua,e eu adoro isso nele,e se for gay defendo-o.
SABER RESPEITAR
Vazios são os humanos, não os diferentes
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 20:25 | Terça feira, 25 de Mai
É SABER AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO.
Por isso espero que esta sociedade aprenda a amar de verdade, aprenda a lutar, aprenda a crescer e a mudar a sua atitude.
Saber amar é muito bom e saber sentir ainda melhor.
Acredito que exista muita pobreza nesta sociedade, mas as pessoas não se sabem respeitar, e não sabem educar o próximo como deviam.
António acredito que quer o senhor quer muitas outras pessoas ainda vão sofrer imenso nestas vidas, porque quer o senhor quer eu, não gostamos de ver os olhos vazios das pessoas, e isso de algum modo causa-nos sofrimento.
Se não dizemos nada, escrevemos e dizemos, porque a realidade é tão crua e tão má, com tantas pessoas.
Espero que a falta de espírito, a falta de amor, a falta de educação termine um dia, mas não sei dar uma data, sei que as pessoas boas morrem a amar de verdade, muito cedo e as egoístas pervalecem durante anos.
Espero que um dia esta guerra termine do melhor modo e que todas as pessoas possam sorrir do mesmo modo e com a mesma liberdade, porque triste mesmo é que muitas pessoas são pobres financeiramente e continuaram mais pobres porque esta sociedade não as sabe respeitar.
Muitas pessoas hoje estão bem, mas elas não sabem o que lhes pode acontecer amanhã, nem mesmo se não são levantadas por 1 gay ou lésbica, ou operados, ou acolhidos e protegidos.
Sabe António o orgulho do ser humano destroí o mais belo e o mais digno, que é o AMOR PELO PRÓXIMO E O RESPEITO MÚTUO E A LEALDADE E SINCERIDADE.
Será q com esta
Quando as pessoas mudarem já não estou cá
Sabetudo (seguir utilizador), 1 ponto , 20:35 | Terça feira, 25 de Mai
Se existisse uma empresa de homossexuais muito bem vista pelo mundo e precisasse de profissionais em diversas áreas, a ganharem 3000mil euros por mês; será que aqueles que são contra ao casamento e união deles, depois diziam que eram contra?
Ou será que com esse dinheiro, não pagariam tantos impostos na sua vida ao governo e depois diziam que respeitavam e que queriam que fosse casamento?
António, acreditas que não seria mentira, esta hipócria acontecer?
Muitas das pessoas fazem isso, e são assim, mas depois nos votos fazem o oposto.
Mas também te digo, sou contra comprar-se homossexuais para se mostrarem na tv, como as lésbicas, que ouvi dizer que pagaram-lhes para elas irem e dar a cara.
Acho que quando se ama, que as pessoas devem fazer por amor, não porque as empresas lhe impoem a isso.
Tudo que é feito com naturalidade, é mais belo e mais bonito.

Já ouvi esse jovem a tocar, e sensibilizo-me imenso, quando acho que ele devia estar a estudar.
Desejo-lhe uma boa e Santa semana.
bjis
Quando a ponta de uma cenoura é um "Vértice".
manuelrod (seguir utilizador), 1 ponto , 12:06 | Quarta feira, 26 de Mai
Este man tem uma panca que é qualquer coisa, claro que ele estava sentado em casa à secretária a escrever isto, nada deste quadro é real é tudo ficção, claro! mas cada dia que volto a reler a crónica ela enche-me de sensações; é real, sentida, visionária, cruel. Qual pedaço de filme tirado de um sub-mundo(de debaixo da terra); que melhor cenário para se sentir melhor a solidão e ouvir então a voz carinhosa da Saturnina. É em momentos daqueles, frios e em que o Eu termina imediatamente à flor da nossa pele e tudo para lá desse limite é hostil, que pode saber bem uma tábua de salvação. muito bonito.
Contemplação; o amor à solta em toda a parte
manuelrod (seguir utilizador), 1 ponto , 14:55 | Quinta feira, 27 de Mai
... a preta velha, um senhor branco, o cabelo pintado de azul, a spray cor de rosa, um spray verde, a spray amarelo, um adesivo já cinzento, uma nódoa da manga, o maior a carvão, o vértice da cenoura a competir com os sprays... de que é feito o amor, de quantas cores ? de quantos caminhos de metro ? de quantas estações de Metro com mais ou menos luz... qual amor e tanta solidão no meio de tanta gente só.
E a solidão no interior do país...
CAfonso (seguir utilizador), 1 ponto , 12:08 | Sexta feira, 28 de Mai
Esta solidão é da vida urbana, cheia de pessoas a passar, cheia de cheiros, de barulho, de poluição, de personagens variadas e apressadas.
E a solidão no interior do país, de quem nem houve um estalar de dedos, de quem não vê ninguém passar, os grafitis de cor branca, e assim espera-se a morte em silêncio. O texto evidencia uma boa crónica de vidas reais em comunidade urbana, a solidão é que mora em mais cenários em que quase ninguem se preocupa...
Sentir solidão
vera bgs. (seguir utilizador), 1 ponto , 12:20 | Sexta feira, 28 de Mai
Sentir solidão não implica necessáriamente viver ou estar só... quantos de nós já sentimos o peso da solidão no mundo em que vivemos?
    Re: Sentir solidão   
CAfonso (seguir utilizador), 1 ponto , 14:46 | Sexta feira, 28 de Mai
    Re: Sentir solidão   
vera bgs. (seguir utilizador), 1 ponto , 15:39 | Sexta feira, 28 de Mai
23 comentários
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