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Um brinde aos deuses

A essência do vinho

Talvez já não dê de comer a um milhão de portugueses mas beber vinho é cada vez mais o prazer de muitos. Saiba alguns locais onde poder degustar alguns dos melhores vinhos do país

Mário David Campos
15:44 Sexta, 6 de Março de 2009
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A essência do vinho
VISÃO Se7e

Em 2006, Rita Moreira e João Carvalho, 37 anos, decidiram iniciar uma nova variante de enoturismo. Todos os anos este casal de empresários de Vila Nova de Gaia aguarda ansiosamente pela apresentação pública do Essência do Vinho (de quinta, 5, a domingo, 8) para reservar esses dias de folga no calendário para não perderem pinga, perdão, pitada. Depois, reconhece Rita, "é esperar para não sermos surpreendidos por algum acontecimento de última hora". E mesmo assim, para quem até já adiou os festejos de aniversário do filho mais velho, "só mesmo se for um motivo de força maior", revela João entre sonoras gargalhadas. E, para quem se mostra tão entusiasta sobre o mundo do vinho, impõe-se perguntar, se afinal já descobriram a verdadeira essência do néctar? Rita parece já ter a resposta ensaiada e atira de pronto: "Isto é um pouco como a procura do Santo Graal.

O mais interessante é a descoberta constante de novas pistas, neste caso de novos sabores e de alguns segredos. Além de que temos conhecido pessoas interessantíssimas. E até já tiramos benefício disso em termos empresariais. É isso que nos entusiasma."

Orgulhosos, Nuno Pires e Nuno Botelho, dois dos responsáveis pela organização da Essência do Vinho, agradecem pela parte que lhes toca. Esse, garante o primeiro, "era mesmo um dos principais objectivos a que nos propusemos quando nos lançámos nesta aventura: atrair um público jovem, evoluído, que viaja e, acima de tudo, quer saber mais sobre este maravilhoso mundo do vinho".

Quando delinearam o projecto da Essência do Vinho (EV), em 2004, fizeram-no por sentirem existir um espaço por ocupar. "A única coisa que havia, em Portugal, eram as vulgares feiras de vinhos em que se reuniam produtores, enólogos, potenciais compradores e alguns jornalistas ou especialistas." Tudo se resumia, recorda Nuno Pires, "a um negócio e quase nada estava preparado para quem não se incluísse nalgum destes grupos".

O Essência do Vinho - que deu posteriormente origem a uma empresa, com o mesmo nome - surgiu, assim, com a intenção assumida de ajudar a desmistificar o néctar junto dos consumidores, procurando com isso atrair também novos públicos cada vez mais ávidos por novas experiências. Prova disso é o crescimento do número de restaurantes e bares que hoje serve vinho a copo, permitindo a prova de vinhos pouco acessíveis à bolsa e também o incremento da procura de cursos vínicos e de provas.
E a verdade é que, em cinco edições, o EV transformou-se numa história de sucesso. Sempre em crescendo, o evento, que começou por registar perto de 40 expositores e 6 mil visitantes no ano de estreia, tem nesta edição mais de 300 expositores e espera que o número de visitantes ronde os 20 mil.

Um dos segredos que em muito contribui para o êxito é também, certamente, o cenário. O Palácio da Bolsa, construído em 1842 para abrigar os comerciantes portuenses que se viram, de repente, obrigados a negociar na rua após o encerramento da Casa da Bolsa de Comércio. Verdadeiro ex-líbris da cidade, o palácio é um edifício oitocentista que mistura o estilo neo-clássico com traços da arquitectura toscana e neopaladiana inglesa. Autêntica jóia da coroa, o Salão Árabe, com os estuques em caracteres arábicos legendados a ouro, faz as delícias de qualquer visitante. Nuno Botelho assegura mesmo que já várias pessoas lhe asseguraram que "mesmo que não seja o maior evento relacionado com o vinho, este é seguramente o mais bonito". Também aí, João Carvalho não poderia estar mais de acordo. "Por norma as feiras de vinhos decorrem em pavilhões ou espaços amplos e frios. Esta é muito mais acolhedora. O local dá-lhe a personalidade que falta às outras."

Vinho e artes

Mas as diferenças relativamente a outros eventos vínicos não se ficam por aqui. "Nas feiras normalmente os produtores montam os seus espaços, aqui é diferente", explica Nuno Pires. "Pretendemos que o vinho português saia enobrecido, com uma nova imagem. Há um cuidado muito grande nesse aspecto e por isso procuramos fugir do estereótipo, criando um ponto de encontro em que se cruzam outras artes, como a gastronomia mas também a música, por exemplo." De resto, e numa acção promocional do evento, a EV disponibiliza entradas gratuitas aos clientes de 30 restaurantes nacionais de referência que solicitem uma garrafa de vinho português para acompanhar a refeição.

No primeiro dia do evento, quinta-feira, 5, a EV, em colaboração com a revista Wine, promove a eleição do Top 10 dos vinhos portugueses numa prova realizada por um painel internacional de 50 especialistas em vinho e gastronomia. Num dia que é dedicado aos mais de cem jornalistas de todo o mundo, haverá ainda uma apresentação do património vitícola nacional com comentários especializados sobre a enorme variedade de castas portuguesas. Na sexta-feira, 6, há workshops sobre vinho, enoturismo e provas de Vinho do Porto e cocktails à base de vinhos.

No sábado, 7, há provas de Vinhos do Porto Vintage clássicos com o enólogo David Guimaraens e uma viagem orientada pelos vinhos do Chile, Argentina e Nova Zelândia. O destaque do dia vai, porém, para a presença do escanção norte-americano Michael Mascha, considerado o "guru" das águas minerais que dará explicações sobre as diferenças entre os vários tipos de água e o proveito que delas se pode tirar. À noite são divulgados os prémios no concurso de design inovador de linha de produtos de vinhos e azeites.

No encerramento, domingo, 8, para além de uma mostra de vinhos do Dão, ainda não lançados no mercado há uma prova de vinhos do Douro e de Bordéus, e outra de vinhos da Quinta do Monte d'Oiro - esta a cargo do produtor e apresentador de televisão José Bento dos Santos. No mesmo dia, o chefe de cozinha alemão Joachim Koerper (uma estrela Michelin) harmoniza criações gastronómicas com diferentes vinhos.

Dar o salto

Para o crítico de vinhos da VISÃO, José António Salvador, o grande desafio da EV é mesmo o crescimento. "Dar o salto, abrir o evento a mais vinhos estrangeiros porque o maior risco é o fechamento." Na opinião do especialista, parece contraditório, "um país que teve uma empresa como a Sogrape que, através do Mateus Rosé, foi das primeiras a dar sentido à globalização - chegando a vender mais de 40 milhões de garrafas por ano, em todo o mundo - ter um sector vinícola tão conservador".

Uma postura que, para o crítico, é tanto mais contranatura porquanto, hoje em dia, a globalização já não é o negócio do vinho mas a cultura da vinha. "Actualmente já se produz vinho em todo o lado, até no Vietname e no Japão, o que eu considerava impensável há alguns anos. E dentro de uns anos, ninguém se admire que a China se transforme também num grande produtor. É por isso que não podemos ficar virados para o umbigo."

Apesar disso, José António Salvador ressalva que o conceito da EV não é tão fechado como o da generalidade das feiras de vinhos realizadas em Portugal e confessa: "Eu já lá fui duas vezes e gostei. O conceito é bom e tem pernas para andar."

Apesar do período de crise que o mundo atravessa, Nuno Botelho revela que a grande preocupação "e também o mais difícil" da organização foi manter o grau de qualidade em padrões elevados. Até porque a intenção desta edição da EV é precisamente a de não contribuir para a depressão mas antes para a reacção. "A ideia é mostrar um Portugal moderno, competitivo e esta é uma grande oportunidade também para melhorar a nossa imagem enquanto País."


6ª Essência do Vinho
5-8 Mar, Qui-Dom 15h-21h
Palácio da Bolsa, R. Ferreira Borges, Porto T. 22 208 8499
€12 (1 dia), €20 (2 dias), €30 (3 dias)
Programa completo: www.essenciadovinho.com

 

Vinho a copo

>> PORTO
Armazém do Chá
R. José Falcão, 180 T. 22 244 4223. Seg-Qui 10h-02h, Sex 10h-04h, Sáb 18h-04h. Chá, vinho a copo e música fazem deste lugar um dos mais carismáticos da Baixa do Porto.

O Comercial
R. Ferreira Borges, Palácio da Bolsa T. 22  339 9000. Seg-Sex 10h-23h, Sáb 18h-23h
Carta de vinhos a copo estrangeiros e portugueses renovada semanalmente.

Cafeína Fooding House Wine Bar
R. do Padrão 152 T. 22 618 0602, Seg-Dom 12h-23h
Uma carta de vinho a copo renovada constantemente que pode acompanhar tapas, saladas e queijos.

Real Feytoria
R. Infante D. Henrique, 20. Seg-Dom 10h-12h30, 14h30-2h
Wine-bar com vinho a copo neste espaço reaberto recentemente.
 
Viniportugal
Sala Ogival, Palácio da Bolsa T. 22 332 3072. Seg-Sáb 10h-19h
Vinhos verdes, do Ribatejo e de Trás-os-Montes são as próximas regiões vínicas em prova.

VIP LOUNGE Porto Palácio Hotel
Av. da Boavista. 1269 Porto T. 22 608 6600
Com uma das melhores vistas sobre a cidade, o bar dispõe de uma extensa carta de vinhos.

>> MATOSINHOS
Vinho & Coisas Wine Center

R. de Sousa Aroso, 540. T. 22 936 4362

Degusto - Restaurante e Wine Bar
R. de Sousa Aroso, 540 T. 22 936 4363
Dois espaços, situados lado a lado, onde o vinho é o denominador comum. Diariamente há provas de vinho de várias regiões.

Wine O'Clock
R. de Sousa Aroso, 297 T. 22 936 3127. Seg-Sáb 10h30-20h30
Uma diversidade de vinhos em prova diariamente, clube de vinho e loja on-line são uma das particularidades desta loja/garrafeira. Semanalmente, decorrem provas cegas e temáticas. A próxima é já sábado, dia 7, com "Selecção da Primavera".
 
Don Juan
R. Helena Vieira da Silva 320, Leça da Palmeira T. 22 996 5047. Seg-Dom 12h30-01h

>> VILA NOVA DE GAIA
Loja KOPKE

Av. Diogo Leite, 310 T. 22 374 6660. Seg-Dom 10h-13h, 14h-18h
Provas de vinho do Porto e de três vinhos de mesa acompanhados por chocolates artesanais da Arcádia.

>> COIMBRA
Bar À Capella

R. Corpo de Deus, Lgo. da Vitória, Capela Nossa Senhora da Vitória T. 239 833 985
Fado, vinho a copo e petiscos é a trilogia deste bar situado numa antiga capela recuperada.

>> LISBOA
Alfaia - Bar de Vinhos
R. Diário de Notícias, 125, Bairro Alto T. 21 343 3079
No Bairro Alto, ao lado do restaurante Alfaia, abriu em 2003 a garrafeira com o mesmo nome. O conceito é simpes:degustação e prova de vinhos, Porto e outras bebidas.

Alfândega
R. da Alfândega, 98 T.21 886 1683

Bairru's Bodega
R. da Barroca, 3, Bairro Alto T. 21 346 9060

Enoteca Chafariz do Vinho
Chafariz da Mãe d'Água, R. da Mãe d'Água à Pç. da Alegria. T. 21 342 2079
Vinhos provenientes de vários países do mundo, desde os franceses aos de origem alemã, espanhóis, chilenos, argentinos e italianos.

Les Gouts du Vin
R. de São Bento, 107. T. 21 395 0070
Neste bar francês pode provar mais de uma centena de vinhos nacionais e estrangeiros.

Sala Ogival
Terreiro do Paço T.213 420 690
Uma grande sala onde se podem comprar os melhores vinhos nacionais e degustar as novidades dos produtores nas provas que aqui se costumam realizar.

>> BATALHA
Vinho em Qualquer Circunstância

Estrada de Fátima 15. T. 244 768 777

>> BEJA
Enoteca Magna Casa

R. Dr. Aresta Branco, 45, Beja, T. 284 326 297

>> CASCAIS
Enoteca de Cascais
R. Visconde da Luz, 17, Lj. 3, Cascais T. 21 482 2328
Uma enoteca que aposta em três grandes linhas de actuação: Vinhos, gastronomia e ambiente. São várias as marcas de vinho e as proveniências que pode encontrar, em  versão garrafa ou a copo.

>> OEIRAS
Alma Lusa

R. Irene Lisboa, 3-A, Linda-a-Velha, T. 21 414 1182

>> SINTRA
Binhoteca
 
R. das Padarias, 16, Sintra T. 21 924 0849
Um espaço acolhedor onde se podem provar (e comprar) mais de 200 vinhos portugueses servidos a preceito, em copos de qualidade e temperatura ideal. Ainda uma selecção de qualidade de enchidos e queijaria.

 

Palavras-chave  vinho, visao sete
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Opinando a propósito
José Gonçalves Cravinho (seguir utilizador), 1 ponto , 16:11 | Quarta, 8 de Abril de 2009
Eu,um simples emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote(85anos)
com uma reforma mínima não posso dar-me ao luxo de frequentar
estas capelas de Baco,mas aprecio esta iniciativa de promover o
vinho português.Aqui compro vinho português branco,tinto e verde
branco e bebo,embora nem sempre,um copito à refeição do meio
dia.Mas de todo êste longo artigo sôbre o vinho,o pedaço que achei
mais interessante foi o referente ao Bar À Capella de Coimbra na
Rua Corpo de Deus e instalado numa antiga Capela.Não se tratará
aqui do Deus Baco? Bem no meio de tudo isto e para rematar,digo:
-Desde que o Jesus nazareno/foi no Cristo grego transformado/ e depois Rei dos Reis coroado/o Cristianismo tornou-se obsceno.
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