A esquerda corre o risco de ser mais burra que a direita por duas razões principais: confundir-se com a direita; dividir-se ao ponto de não poder unir-se no principal: impedir a eleição de um governo de direita
9:49 Quinta, 30 de Julho de 2009
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A frase "a esquerda é burra" é de autoria de Fernando Henrique Cardoso (FHC), Presidente do Brasil entre 1995 e 2003. Ficou famosa pelo simplismo com que desqualificava os adversários das políticas neoliberais do seu governo. Curiosamente, tais políticas desqualificavam tudo o que ele antes tinha escrito enquanto sociólogo, o que o levou a pronunciar outra frase que ficou igualmente famosa: "Esqueçam tudo o que eu escrevi."
Tive ocasião de discutir com ele o significado da frase sobre a esquerda. Para FHC a frase tinha vários significados: a esquerda ainda não entendera que o neoliberalismo era a única solução para a economia mundial e a melhor garantia contra as propaladas crises do capitalismo; o principal líder da esquerda, Inácio Lula da Silva, era um operário ignorante e sem preparação para governar o país; a esquerda estava minada pelo fraccionismo e nunca se uniria para assumir o poder.
Tragicamente para FHC e seus aliados, a frase mostrou-se errada em todos os seus significados, desde a eleição de Lula até à crise do agora defunto neoliberalismo. Mas, apesar disso, a frase ficou como um fantasma da esquerda brasileira, como se a esquerda tivesse de demonstrar a cada momento que não era burra e como se o mesmo ónus não impendesse, por outras razões mas com a mesma justificação, sobre a direita, ela sim, afinal perdedora.
É sabido que os fantasmas, como os espíritos, atravessam tempos e fronteiras. Tal como discordei da caracterização simplista da esquerda brasileira, discordaria dela se aplicada à esquerda portuguesa. Apesar disso, ante os actos eleitorais que se aproximam, pergunto-me se, como dúvida metódica, não fará sentido pôr a questão: será a esquerda burra? Ou melhor: nos próximos actos eleitorais, quem se revelará menos burra, a esquerda ou a direita? Os portugueses têm votado maioritariamente à esquerda. A ideia de solidariedade social tem-se sobreposto à de darwinismo social, a ideia de um Estado protector à ideia de um Estado predador, a ideia do bem público à ideia do interesse privado.
E se é verdade que a esquerda governante tem frustrado as expectativas que decorrem destas ideias, não é menos verdade que os portugueses têm teimado em crer que tal não é uma fatalidade e que a direita não oferece uma alternativa excepto em desespero de causa. Daí que as frustrações com a esquerda governante se tenham traduzido menos no crescimento da direita do que no crescimento da esquerda até agora não governante, um fenómeno inédito na Europa de hoje. Em face disto, e a menos que os portugueses se sintam numa situação de desespero de causa, podemos concluir que, se nos próximos actos eleitorais a direita ganhar, a esquerda é mais burra que a direita.
A esquerda corre o risco de ser mais burra que a direita por duas razões principais: confundir-se com a direita; dividir-se ao ponto de não poder unir-se no principal: impedir a eleição de um governo de direita. Pelo que disse acima, quando a direita se tenta confundir com a esquerda (o que tem acontecido frequentemente) corre sempre menos riscos do que a esquerda quando esta se confunde com a direita. Por outro lado, a direita tem uma história unitária muito mais consistente que a esquerda.
Para que estes riscos se não concretizem, as esquerdas têm de mostrar aos portugueses que o coração da esperança continua a bater mais fortemente que o coração do desespero. Não é tarefa fácil, mas não é impossível. E isto é tão válido para as eleições legislativas como para as eleições autárquicas. No que respeita a estas últimas, o caso de Lisboa será paradigmático. Parece óbvio que só por desespero se pode votar no candidato da direita. Por sua vez, o candidato principal da esquerda é um dos mais brilhantes políticos da nova geração de líderes de esquerda, só comparável ao líder da esquerda mais inovadora da última década. Se ele sair derrotado nas próximas eleições, obviamente a esquerda é burra. Espero vivamente que tal não seja o caso.
Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho
(85 anos),não me sinto com capacidade para dar uma opinião que
pese,mas em todo o caso direi que a Esquerda,não só em Portugal
mas em toda a Europa está fragmentada em muitos Partidos de
esquerda,para gozo da Direita.Até penso que há Partidos ditos de
Esquerda cuja finalidade é exactamente enfraquecer a Esquerda,
e não me espanta que sejam inflitrantes pagos pela Direita.
O PS adoptou o rótulo de socialista,para mais fàcilmente meter o
Socialismo na gaveta,dado que êle é um Partido Social Democrata,
que executa Política liberal tal como o PSD que sendo Liberal,diz-se
Social Democrata.O MRPP só aparece quando há Eleições.O BE até
tem mais publicidade nos Média que são propriedade da Direita,do que o PCP.Eu dou razão a Boaventura Sousa Santos,quando diz que a Esquerda é burra mesmo a nível europeu,e tanto assim é que no Parlamento Europeu quem tem a maioria é o chamado Partido Popular ou seja o Partido que é dum modo geral,manobrado pela Igreja e pelo Reaccionarismo Burguês,a Fidalguia do Século XXI,
partidária do chamado neo-liberalismo,ou seja o Partido do
«Salve-se quem puder«,do Livre Mercado em que os espertalhões,
os velhacos é que se safam.
Contráriamente ao comentário anterior a esquerda só é burra porque mantem os "toques", "tiques" e nomes da Esquerda Fascisto-Comunista da Guerra Fria, e de muitas Ditaduras Comunistas por esse mundo fora. Se a Esquerda tem muitos partidos isso só é um mau sinal porque a democracia permite que minorias "representativas" governem, senão vejamos a percentagem real do PS nas últimas eleições contando todos os votos, e agora temos o fantasma do PSD à porta. Um problema da Esquerda é não conseguir "resolver" a seu favor a multiplicidade de pensamentos que tem num modelo "democrático feito à medida de meia dúzia", o outro é o próprio conceito de "Esquerda". Equanto a Esquerda se permitir ao rótulo de "Esquerda" está permeável aos tais "toques" e "tiques", com todos os estigmas negativos associados. Mais, o conceito de Direita e Esquerda, é que é um conceito burro, acéfalo, e ultrapassado, e serve apenas aqueles que não têm referências ou, quando as têm, estão ancorados no passado. Como refere Gary Hamel para evoluir é fundamental "saber esquecer".
Há burros em toda a parte,não são exclusivo de nenhuma ideologia.E há mesmo burros sem ideologia nenhuma.E Boaventura será burro? Ele deve achar que não,mas eu tenho dúvidas.
Àcerca do comentário de Mário,no qual diz que Boaventura dos
Santos não vê um palmo à frente do nariz,gostaria de veraqui uma
resposta de Boaventura a êste comentário de Mário.
No sentido lato da palavra e por muito que me custe dizer isto,
É VERDADE. - A ESQUERDA É BURRA. -
Por isso digo, ou melhor, peço a este povo na hora das próximas eleições que:
"ABRE OS OLHOS, MULA...!"
Um cientista que se preze deveria ter definido o que é que entende por burrice. Se fosse uma pessoa culta saberia que tanto a esquerda como a direita faliram no século passado, e que hoje (pela experiência do século passado) já se sabe que as ideologias não são válidas - não têm validade porque não tem fundamento na realidade. Foram elaboradas em função de utopias e não em função da realidade humana. Tanto a esquerda como a direita não são burras, são ignorantes. As ideologias estão para as pessoas como as teologias estão para o meio físico, são a piada do absurdo. Mas isto se calhar é carga a mais para um Boaventura mc donalds, o red neck que preza pavoniar a sua ignorância e boçalidade por aqui. O artigo é uma saloiada.
É evidente que Esquerda e Direita fazem sentido. Ao contrário do que disse um anterior comentador, já li que esse baptismo deriva da posição que ocuparam os representantes do povo e pequeno clero na Assembleia Nacional de Agosto-Setembro de 1789, que deu origem à Revolução Francesa. A esquerda defende uma distribuição justa dos rendimentos. Os representantes da direita pretendem que poucos, relativamente, sejam donos da maior parte da riqueza que todos criam. Geralmente os que têm mais conhecimentos são os que têm mais riqueza. A distribuição justa da riqueza avançará, pensamos nós, à medida que todos, sem distinção, formos tendo acesso igual ao conhecimento científico, técnico, etc. O progresso, a criação de riqueza de uma nação está dependente das qualificações dos seus cidadãos. Quanto mais instruídos, mais capazes de criar riqueza e assegurar mais justa repartição dessa mesma riqueza. Aquilo que se estranha é que a classe docente do ensino superior, a começar neste conhecido articulista e sociólogo, sempre tão pressurosa em fazer estudos sobre tudo e mais alguma coisa, ainda não tenham feito um estudo que proponha soluções para elevar o nível geral de conhecimentos do povo português, já que é do conhecimento geral que o seu nível de conhecimentos é dos mais baixos relativamente aos parceiros com que se pode comparar. Se há alguma entidade que, em primeiro lugar, podemos responsabilizar por este estado de coisas é a classe docente do ensino superior.