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A CPLP vista de África

Os países africanos têm hoje um interesse acrescido em fortalecer as organizações internacionais em que participam

Boaventura de Sousa Santos
23:59 Quarta feira, 28 de Jul de 2010

A CPLP é constituída predominantemente por países africanos. Não admira que nela dominem as dinâmicas políticas africanas, regionais, e que sejam estas a condicionar as relações com países como Portugal e o Brasil. O regionalismo africano é hoje muito diversificado e intenso e é herdeiro de duas tradições: o pan-africanismo e o colonialismo. Há, por um lado, a União Africana e várias organizações regionais das quais as principais são a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), a Comunidade Económica dos Estados da África Austral (SADC), a Comunidade da África Oriental (EAC); e há, por outro lado, as organizações que decorrem do colonialismo e dos laços neocoloniais que se procuraram manter depois das independências: a Commonwealth, a Francofonia e a CPLP.

De todas elas, a CPLP é aquela em que os países africanos têm, por agora, mais capacidade de manobra pelo facto de o fraco desenvolvimento de Portugal e a guerra de libertação não terem permitido à antiga potência colonial controlar os processos de desenvolvimento pós-independência. Isto não significa que os laços neocoloniais não possam vir a surgir, quer protagonizados por Portugal quer pelo Brasil (que foi colonizado, não colonizador, outra originalidade da CPLP).

As organizações de origem neocolonial são vistas pelos países africanos com uma forte dose de pragmatismo. Daí que Moçambique seja membro de pleno direito da Commonwealth e observador da Francofonia e Cabo Verde, a Guiné-Bissau e São Tome e Príncipe sejam membros de pleno direito da Francofonia. Arvorar a prevalência linguística, as tradições culturais ou os valores de Direitos Humanos em critérios definidores de pertença a estas organizações faz muito pouco sentido à luz do que tem sido a lógica da sua evolução.

Quando qualquer destes critérios é acionado ele revela uma de duas coisas. Ou é usado para disfarçar as verdadeiras motivações: a expulsão do Zimbabwe da Commonwealth por violar os Direitos Humanos, quando o verdadeiro 'crime' foi o de expropriar os agricultores brancos, descendentes dos colonos. Ou é usado tão seletivamente que, no mínimo, revela hipocrisia. Se, com olhar desapaixonado, observarmos o que se passa nos países da CPLP (e não me refiro exclusivamente aos africanos) não temos grandes razões para triunfalismo e, perante isso, a opção é entre a incoerência ou a arrogância de reclamarmos o privilégio de definir a norma: aos filhos legítimos da CPLP permitimos tudo, aos filhos adotivos exigimos que cumpram a lei e os princípios.

Os países africanos têm hoje um interesse acrescido em fortalecer as organizações internacionais em que participam e em maximizar as valências que elas oferecem (Portugal e o acesso à EU; o Brasil e o acesso aos países emergentes). São várias as razões. África confronta-se com um problema de segurança que em larga medida é importado e que, paradoxalmente, é causado por quem lho pretende resolver: a criação, em 2007, do Africom, o Comando militar dos EUA para a África, por enquanto sediado fora de África.

 Na aparência vocacionado para combater o fundamentalismo islâmico e apoiar as missões de paz, o Africom visa garantir o acesso dos EUA aos recursos naturais estratégicos do continente (petróleo, bauxite, urânio, aquíferos) ante a eventual ameaça da China. Faz prever mais instabilidade política e uma corrida aos armamentos (tal como está a acontecer na América Latina), o que será fatal para países a braços com carências sociais elementares. Um multilateralismo alternativo pode ser uma salvaguarda.

A segunda razão prende-se com a invisibilidade do sofrimento das populações africanas e a necessidade de lhe pôr fim. Ressentem os africanos que tanta atenção mundial seja dada ao derrame do petróleo no golfo do México quando a destruição ambiental do delta do Níger, muitas vezes mais grave e em resultado de décadas de criminosa negligência, não suscite interesse mediático.

Palavras-chave   cplp   áfrica   Boaventura de Sousa Santos   visão
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Absurdo do meu Portugal?
Kiluange (seguir utilizador), 2 pontos , 10:31 | Domingo, 8 de Ago
Sinceramente, estamos num país onde existem diversos motivos para a tristeza, desde já a situação económica, que não afecta só Portugal mais também o resto do mundo, e quando há algo que nos faz esquecer ou distrair por alguns dias as desilusões, mesmo assim a alegria não dura muito porque as más situações parecem ser e estar em grande numero, se não vejamos; apesar do seleccionador ter qualificado Portugal para o mundial, não demos o devido valor a isso, sempre houve descrença, bom talvez porque foi um português a faze-lo, porque quando foi a era do burro sou eu, não faltaram bandeiras e bajulações, mais mesmo assim se avalia com certas ignorância a imigração, sim porque o brasileiro que fez florescer a motivação para com a selecção era estrangeiro, só que famoso, por isso coitado do Queiroz porque quando ganhamos sete á zero frente a Correia, ai ele foi herói, mais por pouco tempo porque como as grandes potências em futebol, Portugal lá voltou sem a dignidade assim analisam alguns, e como nesse país não há lugar a reconhecimento e uma justiça racional, então vamos derrubar o seleccionador e mimar um capitão que foge na hora de dar as caras, pois é, raras são uma humildade pequena dentro da sociedade, se não a necessidade extinguiria, mais nem tudo é tristeza porque esse Portugal de descobertas por vezes vai descobrindo um Nelson Évora ali e uma Naide Gomes aqui, isso para a destreza do poeta porque se mostrássemos atenção aos valores e talentos dos bairros, quantos motivos de orgulhos não teríamos porque a onde subestimamos muitas vezes lá estão os tesouros esquecidos, mais para toda a nação se alegrar o Benfica foi Campeão porque é patrão conhecido mundialmente.
O Grito Social
Kiluange (seguir utilizador), 2 pontos , 10:05 | Quarta feira, 11 de Ago
Poeta que sou perco-me diante das belezas no seu sentido geral e me acho no manejar das palavras quando a descoberta faz emoção nesse coração que sofre de infecção social

Porque parente é serpente mais não são todos
Por isso é que digo se for prioridade o atendimento nos serviços consolares então não quero a crioulidade

Do que me adianta ser poeta e escrever bonito se não posso
Descrever o amor que sinto por essa crioula na descoberta desse amar
Grande como mar de louvor

Pormenores
Olá (seguir utilizador), 1 ponto , 1:33 | Sexta feira, 30 de Jul
Este texto aborda vários pontos interessantes, como por exemplo a chamada de atenção para o verdadeiro 'crime' de Mugabe, ou para a criação do Africom, que também a mim a seu tempo havia cheirado a esturro. No entanto, outros aspectos levam-me, enquanto mero comentador amador, a fazer alguns reparos avulsos: a Commonwealth e a Francofonia estiveram-se nas tintas para a prevalência linguística ou dos direitos humanos em relação a Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe. Pergunto-me: por que carga de água havíamos nós, havia a CPLP, de lhes seguir as pisadas? Será a lógica dessa evolução que torna obsoleta a exigência de observância dos estatutos, ou seria antes o abandono de tal exigência que descaracterizaria e desvirtuaria a própria CPLP? De qualquer modo, o pedido de adesão da Guiné Equatorial foi contemplado com o lançamento de negociações tendentes a um processo de adesão. Só que esta deverá ser consentânea com as disposições estatutárias da CPLP. É assim que as coisas se passam com todas as instituições dignas desse nome. Todas as adesões à UE, por exemplo, são morosas, ou mesmo extremamente morosas. A Turquia que o diga. Aqui a exigência em matéria de observância dos direitos humanos é incontornável. Portanto, nem a CPLP não disse 'não', nem o mundo parou no passado dia 23. Se a Guiné Equatorial se quer tornar filha adoptiva, ela sabe com precisão o que lhe resta fazer para conseguir tal intento, nos próximos tempos.

(continua)
    Re: Pormenores (correcção)   
Olá (seguir utilizador), 1 ponto , 2:01 | Sexta feira, 30 de Jul
Pormenores (continuação)
Olá (seguir utilizador), 1 ponto , 1:53 | Sexta feira, 30 de Jul
Acontece que por acaso até parece que nem tudo é permitido aos filhos dilectos, os legítimos. Na Cimeira de Luanda foi dada especial atenção à situação da Guiné-Bissau, tendo sido tecidas duras críticas aos acontecimentos do passado 1° de Abril e manifestado o desejo de que a democracia seja respeitada no país. Posto isto, o que é bom tem de ser celebrado. Assim, a Cimeira congratulou-se com a entrada em vigor da nova Constituição de Angola, que consagra o princípio do Estado democrático e de direito. Que queremos nós mais? Se isto não nos derrete, o que é que nos conseguirá mover?
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